The Modem – Tokio Electric Power (Album)

194348_108328142583655_3427275_o
foto por Max

Capital de São Paulo, é onde vive Edson Codenis vigoroso The Modem, para os que não o conhece, ele já lançou o pop grudento e estiloso Hard Pop, lançado em 2016, é considerado um dos melhores discos segundo nós mesmos (hehe).

Tokio Electric Power tem uma atmosfera sombria, que remete grandes nomes da década de 80 que fizeram (ou ainda fazem) o gênero ”New Wave”, como o Depeche Mode, Clan Of Xymox, Kraftwerk. ”Tokio Electric Power” é seu segundo disco lançado aqui pela Crooked mas sendo o primeiro álbum cheio, contendo 9 faixas dançantes com um pé direito no gótico.

Desta vez, ele aposta em letras em inglês com títulos marcantes, como a 7a faixa The Night Was Never Be So Dark. Como eu já havia dito, o registro tem seu clima denso e cai como uma luva para tempos mais chuvosos; é uma ”soundtrack” pesadíssima para um bom frio a dois.

Com mais sintetizadores e teclados que recheiam ainda mais a textura eletrônica do The Modem, Edson opinou em fazer tudo nesse disco, até a produção, com exceção de Gabi Lasi no backing vocal da 3a faixa Enjoy Every Second. A arte gráfica da capa ficou mais uma vez responsável pelo ilustrador alagoano Mário Alencar, que já confeccionou praticamente todas as capas do The Modem. O inverno está chegando! Ouçam Tokio Electric Power a todo vapor!!!

por Mário Alencar


Ouçam agora na íntegra:

Anúncios

Sketchquiet – Come To The Dust Nowhere (Album)

IMG_7731
foto por Normando Galdino

Uma das maiores virtudes do amigo Mário Alencar, é a forma como ele usa a falta de recursos a seu favor, as sobras, ruídos e chiados da gravação acabam se incorporando às músicas e se tornam parte importante delas. E ele chega agora com o segundo disco do Sketchquiet pela Crooked Tree Records.

Mário é o Sketchquiet, que trabalha essa limitação com maestria e o resulto é um som sujo, oras delicado oras visceral e também intimista. Coisas que gostaríamos de ver em bandas maiores mas que se perdem no excesso de produção.

O homem não se preocupa com plug-ins e filtros, o que você ouve é o que ele está fazendo e ás vezes traduzem seus conflitos internos. Produzindo música em escala industrial, seguramente é o artista mais produtivo do underground brasileiro atual.

Come To The Dust Nowhere começa bem com a faixa Afterglow, é melancólica no tom certo e apresenta a maturidade sonora de uma banda que não tem pressa em agradar ninguém.

Achei que a faixa Floating On A Breeze casou bem com a atmosfera proposta pela arte de Elizeu Salazar (o artista Lzu aqui da Crooked) para a capa do disco. Sete minutos de pura viagem e introspecção! É para os amantes do selo inglês de Sheffield, Warp Records, a música lembra projetos como o Boards Of Canada ou o Aphex Twin.

Ouvi  The Earth Never Bothered To Put Words três vezes seguidas, e é hit desses que se toca no show e causa uma revolução de sensações. Alencar faz uso de suas influências sonoras e toca uma guitarra mais inspirada!

Gas Crater! Gosto dessa, é marca registrada da banda um tipo ”Sketchquiet” mesmo. Tenho impressão que estou ouvindo o one-man band murmurar a melodia pelo canto da sala instrumental que não teria melhor lugar para estar.

Sun Of The Nomads vem  quase uma balada com uma interessante levada de bateria, o sample no inicio é um complemento curioso, denunciando a participação do músico Carlos Otávio Vianna, Depressa Moço!

Os sketches sempre se dão bem quando exploram timbres mais graves, é o caso da faixa Creatures From Outer Space, aqui, a guitarra base ganhou uma irresistível sobra fragmentada.

White Ceremony ganhou vocal num disco predominantemente instrumental, outra característica forte da banda de um homem só. Mário canta num lamento esperançoso. Com ar nostálgico e que aspira bem o artista britânico Durutti Column, White Ceremony poderia ser a faixa principal do trabalho.

Desert Pyramids tem andamento lento mas é a música mais cadenciada do álbum. Envereda por outros caminhos e torna o disco mais rico. Funciona bem sozinha mas é praticamente uma armadilha para as faixas que vem a seguir.

Let the Sky Fall é puramente experimental, uma anti música com deliciosos ruídos ao final. Será que a faixa acabou ou o músico Mario Alencar simplesmente se perdeu em seus devaneios?!

Fechamos o trabalho com a faixa Ruínas – É Imersão numa track obscura, senti eco das boas bandas do pós punk com distorções rasgadas e pesadas.

Come To The Dust Nowhere esteve engavetado há um ano para ser lançado especialmente por aqui, que também está saindo junto pelo selo gaúcho Lovely Noise Records, que em 2018 promete versão física do trabalho. Se existe um nível abaixo do underground, o Sketchquiet habita ele!

E este foi o nosso último lançamento do ano. Até 2018!

por Edson Codenis


Ouçam agora na íntegra:

Depressa Moço! – Saindo de Cena (Album)

 

IMG_20170509_103603
foto por Depressa Moço!

Carlos Otávio Vianna, a mente carioca por trás do projeto Depressa Moço!, é um artista singular. Tem a capacidade sem precedentes de reunir tendencias das mais variadas e manter um trabalho coeso e criativo. A sua visão orgânica da manipulação de timbres eletrônicos eleva seus trabalhos a um outro nível de construção, onde o clima ”noir” reina.

O próprio Carlos diz ser influenciado por artistas experimentais, agregando beats eletrônicos clássicos como o drum’n bass. Nessa profusão de elementos, surgem vozes recitando versos e samples improváveis, dando um caráter surreal as composições.

Saindo de Cena já é o terceiro álbum do artista no selo, Depressa Moço! foram um dos primeiros a aparecer no catálogo da Crooked, quase um clássico e muito querido pela galera da ”árvore torta” (haha), também é um dos idealizadores do selo da sede do Rio de Janeiro.

O álbum cheio funciona muito bem como música incidental, faixas como O Método são uma crônica urbana narrada – é uma visão sombria característica da eletrônica, compartilhada por bandas pop como o Depeche Mode, New Order, Kraftwerk e até a leva do trip-hop dos anos 90. Também não podemos esquecer de que Carlos adora deixar seu set misturado, Depressa Moço! não vive só de sintetizadores mas também adora um folk, a bela Sonic Fruits é uma delas.

O álbum tem três participações, na faixa Entortando está o nosso artista de São Paulo Eric Iozzi, empunhando teclados e contrabaixo, a faixa Lembrança já é daqui de nossa terra, Sketchquietcomo sempre fazendo os riffs de guitarras e por fim, também de nosso território e assumindo as cinco cordas, Claúdio Teófilo, em Eita Loucura, Vou Na Fé! 

O Depressa Moço! não constrói seus discos baseada numa ideia preconcebida e as mudanças de rumo tornam as canções imprevisíveis. Tem espaço para guitarras, melodias melancólicas e samples de crianças falando e jazz. Sobre o clima peculiar, Carlos comenta: “O artista que realmente me inspirou a fazer esse tipo de som foi o DJ Shadow com o disco Entroducing…“.

Saindo de Cena é para aqueles que acreditam que ainda há uma volta para tudo, desde que haja mudanças.

por Edson Codenis e Mário Alencar


Ouçam agora na íntegra:

ecolalia – spirits go away (EP)

217110_205456909487130_6662363_n


Eis aqui o trabalho solo de Reuel Albuquerque, o ecolalia  – em matéria de referências o cara não está para brincadeira, vide as camadas sonoras de seu outro projeto, a banda Jude. Mesmo assim, abracei a proposta e botei o disco pra tocar e nos primeiros 20 segundos já tinha meu veredito: ” Eu gosto disso!”.

Existe um caminho fácil para se fazer musica eletrônica, você pode acrescentar um timbre conhecido sobre uma batida já disponível e pronto, tá feita uma música novinha. Já inserir sua personalidade na música é outra história. O outro caminho, mais tortuoso, foi seguido pelo músico Reuel, que espelha o lendário Brian Eno ou Richard David Jameso mentor por trás do Aphex Twin em seu processo criativo na construção de timbres improváveis que tiram definitivamente suas músicas do lugar comum.

spirits go away é o resultado desta visão sonora, que reúne ecos do industrial de um Nine Inch Nails noventista à incidental de Junkie XL, com suas colagens e tramas. O ecolalia está um passo adiante da ”ambient music”, e abre o álbum com a faixa habitat numa narrativa ascendente que volta e meia interrompida por uma harmonia de piano, a canção não tem beats mas o resultado final é muito interessante.

A segunda faixa body lembra as colagens sonoras do projeto Cabaret Voltaire em sua fase mais experimental, sem compromisso com o pop. Acaba sendo uma extensão da faixa anterior.

fliewitchu também se beneficia de um processo de desconstrução harmônica, chega a ser inquietante, o ecolalia realmente não gosta de temas óbvios, a faixa mereceria um clipe.

9gagme é um dos trabalhos que mais gostei, divertida, etérea e cheia de surpresas. Flerta com o moderno sem abrir mão da criatividade.

body l1ves house leva a sério a verve da música incidental, e você acredita que algo está acontecendo em outro plano, fruto da habilidade de Reuel em criar ótimos temas. Uma versão maior seria bem vinda.

aria: hauges(0)ng (sim, as faixas tem títulos complexos, haha) soa mais intimista, aconselho ouvir com calma e atenção, pois o rapaz sabe guardar seus ases na manga. 

Fechando o trabalho temos inhabit, melodiosa e recheada de vocoders, parece ter saído de um disco do produtor Giorgio Moroder. Em resumo, temos um álbum bem construído e coeso, com faixas que se complementam. Mais uma de nossas tacadas certeiras.

por Edson Codenis


Ouçam agora na íntegra:

Gimu – Cell Signalling Pathways (Album)

286467_231810900198317_7741596_o


Carnaval tá rolando e vocês ainda ouvindo a coletânea?! Esperamos que sim (hehe). Mas bem, o que irão ouvir hoje em pleno dia de festas não são marchinhas ou algo do parecido (…) Se estás a procura de coisas animadas para levantar-se da cama e ir às ruas, é melhor encontrar outro lugar (haha).

Gilmar Monte é Gimu, um dos artistas mais ativos que teremos aqui na Crooked agora. Do Espírito Santo, já lançou mais de 20 trabalhos através de vários selos estrangeiros, a maioria britânicos, sendo físicos e virtuais. O som é bem peculiar a alguns artistas que já estão integrados aqui, como Sketchquiet, DPSMKR, Lzu; só que há mais densidade, Gimu cairia bem para uma trilha-sonora de filmes de horror e ficção científica, tipo 2001: Uma Odisseia no Espaço, Interstellar, O Iluminado, O Exorcista.

Gimu tem muitos tempos de carreira, desde os anos 90 já teve bandas e outro projetos paralelos, uma das mais legais eram o grupo Primitive Painters, onde cantava e assumia as guitarras – que tinham uma sonoridade parecida com os Jesus And Mary Chain, uma das minhas bandas de cabeceira (hehe).

O disco de estréia Cell Signalling Pathways que o capixaba está lançando hoje, contém 2 faixas bem extensas – a primeira Cell Signalling Pathways que leva ao nome do álbum tem aproximadamente 12 minutos e Circularly Polarized Light Detection 25 minutos. Ao ouvir Cell Signalling Pathways, para quem segue essa linha de ambient music e drone music, vão sentir uma referência de artistas como Biosphere, Global Communication, William Basinski, Carbon Based Lifeforms e etc e etc!

Gilmar construiu tudo por aqui, da arte da capa à produção – ele usa contra-baixo e violões mas com certeza tu não irá achá-los, porque há algo por trás de programações e mais programações de computador, fazendo várias paredes de efeitos sonoros incríveis – e é isso que se torna o Gimu original.

É um disco para se ouvir deitado, tentar esvaziar a mente, entrar em sintonia com os elementos que vão crescendo a cada minuto, sério! Você sentirá uma experiência única.

Não deixem de ouvir os outros trabalhos que ele lançou por outros selos, é formidável e ao mesmo tempo assustador sua imensa discografia – a cada disco é um conhecimento novo: www.gimu.bandcamp.com. É um prazer enorme ter Gimu em nosso time, seja bem-vindo à Crooked Tree Records!

por Mário Alencar


Ouçam agora na íntegra:

The Crooked Friends Collective – Vol. 1 (Coletânea 1 ano de Crooked Tree Records)

cover


O tempo anda sem percebermos quando estamos em atividade, não? Melhor ainda quando fazemos algo com a própria alma.

No final de 2015, logo no natal, fui tendo uma ideia de poder ajudar um pessoal que eu observava de longe, bem distante; mas essa galera não era apenas uma galera comum, eram artistas, que andavam em seus próprios quartos, porões e até mesmo estúdios para criarem, criarem música. Essas pessoas vivem trancafiadas dias após dias para construírem algo que vem delas mesmas, com muito amor e carinho. Mas essas pessoas estavam acanhadas de mostrarem isso a uma rede social, ao mundo que os tem ao redor, foi daí que a Crooked Tree Records nasceu, junto com uns amigos que conheci a pouco tempo, e que tinham os mesmos caminhos.

Agora, o selo completa 1 ano de aniversário – com 23 discos no catálogo e 19 artistas. Esses talentos estão divididos pelo mundo: Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Alagoas, Goiânia e até mesmo a Espanha. Tivemos altos e baixos por aqui, mas sempre com o orgulho de fazer parte desta equipe que vem lutando pelo seu espaço, tendo ideias e mais ideias sem cessar.

Uma salva de palmas para todos que estão envolvidos a Crooked Tree, sem o apoio de vocês este sonho não se tornaria tão real – grande honra está ao lado de grandes artistas e bandas, aprendendo a cada dia uma imensidão diferente. Vocês são incríveis!

Mas parando com toda essa choramingueira! (haha) Temos aqui de presente para nossos ouvintes fies (rsrs) – uma coletânea com quase todos os artistas do selo, os que marcaram mais no ano passado e até então em janeiro. Um punhado de canções inéditas que foram gravadas justamente para isso, e outras que já foram lançadas em outras plataformas. Fiquem com os projeto solos do Depressa Moço!, Mario The Alencar, Nonsense Lyrics, Sebage, Wands (projeto solo do vocalista da banda Pormenores), Hesla (nova empreitada do artista Diaz, que em breve estará lançando disco por aqui) – também com os experimentalismos do Sketchquiet, Eric Iozzi, Botas Batidas, Lzu, dpsmkr – e as bandas Killing Surfers, Humbra, Fantasmas de Marte e The Modem. Mas antes de tudo! Vamos tirar mais um pouco a preguiça para lermos mais um pouco alguns depoimentos de alguns artistas, Leonardo Oliveira da Humbra, Carlos Otávio Vianna, Depressa Moço! e ah! Os videozinhos da bandas Jude Edson Codenis da The Modem, agradecendo-nos e dando os parabéns – ”rock n’rooooll hey! rock n’rooooool rock! rock n’rooool hey!”.

por Mário Alencar


Carlos Otávio Vianna (Depressa Moço!):

O ano de 2016 não foi fácil!!! O mundo e não só nosso país sofreram com crises econômicas e políticas. Muita coisa está mudando, o mundo toma conhecimento de diferentes
culturas, hábitos até então relegados a uma posição submissa. A diversidade é enorme, temos muita coisa diferente ao nosso alcance, ainda mais com as ferramentas tecnológicas que temos hoje em dia. Mas por mais estranho que pareça boa parte das pessoas não está
arriscando no novo, no diferente….o medo do novo sempre existiu, mas talvez preguiça…já que temos tanto a mão. Não queremos perder tempo!!!! Perdemos tanto tempo pensando nisso…

Em fevereiro de 2016 surgiu em Maceió, Alagoas, o selo Crooked Tree Records, projeto da cebeça do inquieto Mário Alencar. O selo queria divulgar artistas independentes de qualquer lugar do país, e abria um leque enorme de opções sonoras. Não importando se era gravação caseira ou profissional, se valia a  pena era lançado. ser era uma banda ou um homem banda (atenção meninas, esta faltando mulher- banda ou banda de meninas no pedaço!).

Rock em português da Pormenores, Fantasmas de Marte, Jude, Humbra, Primavera. Pop eletrônico do The Modem, MASM, também musica minimalista experimental de DPSMKR, Sketchquiet, Gimu, Botas Batidas . Musica passional de Nonsense Lyrics e Mario the Alencar. Paisagens sonoras criadas por Eric Iozzi e LZU, sons eletrônicos e acústicos de Depressa moço!, DIAZ e o shoegaze da Killing Surfers. Uma diversidade que fez bem a todos, onde se criaram novas amizades e união em torno da música. Essa crença na diversidade acho que favoreceu a vários artistas do selo estarem presentes em listas de melhores do ano, as vezes mais de um artista numa mesma lista e junto com ˜medalhões” da industria
fonográfica e artistas com mais exposição na grande mídia. Fiquei feliz em fazer parte desse combo.

Agora, para celebrar um ano de existência, a Crooked Tree Records vai lançar uma coletânea de seus artistas. Ela representa bem o que falei anteriormente, um caleidoscópio sonoro (se isso é possível, he he) onde cada artista contribuiu com uma musica, na maioria inédita em seus trabalhos. Ouça, arrisque…se você não gostar,  tudo bem, saberá que existe muita coisa diferente para conhecer. O mundo precisa disso!!!


Leonardo Oliveira (Humbra):

O ano de 2016 começava para nós de forma despretensiosa. Estávamos montando novo repertório e decidindo qual direção daríamos à banda. Foi aí que tivemos a ideia de gravar um conjunto de 5 músicas de diferentes fases de nossas vidas, o Tempos Mal Vividos.

E foi assim, experimentando o passado,  testando antigos arranjos há muito empoeirados nos meandros de nossas mentes, que este disquinho despretensioso rendeu para nós da Humbra a oportunidade de entrar pra Crooked Tree Records e ampliar sobremaneira as possibilidades da  banda como um todo. O que mais nos chamou atenção na Crooked foi a diversidade e a capacidade de reunir de forma uníssona tanta gente diferente; uma verdadeira lente num mar de informação que nos fornece um belo recorte da cena que se forma no país.


Edson Codenis (The Modem):


Reuel Albuquerque e Alexander Campos (Jude):


Ouçam agora na íntegra:

Botas Batidas – Não Adentre A Meia Noite Apenas Com Ternura (Album)

10368459_775865272549833_8410451183288328659_n
foto por Botas Batidas

Muitas vezes precisamos falar pouco para dizermos muito, e assim, adentremos a meia-noite mas não apenas com ternura. Adentremos em pontos reflexivos – plausível com a textura vinda de Botas Batidas, na solidão de uma rua escura, um verdadeiro pós-álcool com vida em um pouco de morte.

Quem é esse tal Botas?! Mateus de França é o responsável por esse pseudônimo, e o cearense entra hoje para o coletivo da Crooked, com o seu terceiro e mais novo álbum, que particularmente seria o melhor dos outros que Mateus já gravou; segundo nós.

Dando portas infinitas para este bossa-nova experimental (como?!) sim, quando o ouvimos, lembramos das belas cordas daquela época, mistura aí as melodias de Cartola com a loucura do harsh noise do Merzbow (que doidera da po$#@%& é essa!?!?!) sim, ouça! e entenderás se estás neste caminho. Antes de tudo, prestem atenção na faixa Agenor de Oliveira, e perceberás com clareza que o garoto tem um pouco da referência de um dos compositores que mais lutou pela sua carreira; quase uma apologia.

Algumas músicas te dão ideologias, arrepios,  euforias… e algumas te dão, você – como se pudesse ver um espelho em cada toque e em cada som, violões psicodélicos e mensagens sendo enviadas através de ondas sonoras a alegrias de quem já viveu e continua vivo.

Em todas as faixas pode se ouvir o silêncio de um grito que suplica ao dizer: Não adentre a meia noite apenas com ternura.

por Gellyvan Fernandes


Ouçam agora na íntegra:

Sketchquiet – Endless Roads (Album)

0006745333_10
foto por Daniel Milano

Compañeros e compañeras! A Crooked Tree teve um sucesso generoso com os dois últimos discos lançados, refere-se o experimentalismo do Vol. 4 do dpsmkr e o eletrônico avant-garde de Playslit do Depressa Moço! – que em breve estarão de volta em nosso berço.

Sem mais delongas, é hora de falarmos da nossa terra; trata-se do artista Sketchquiet pseudônimo de Mário Alencar, um cara altamente produtivo – pouco reconhecido e conhecido (haha)  foi guitarrista e baixista do falecido duo Plumarino, que encerraram suas atividades a pouco tempo lançando 2 álbuns e vários singles com EPs, e atualmente é baixista e vocalista da banda de rock alternativo Flowed, que também é frontman.

Well, Endless Roads é o primeiro disco produzido no território do selo, Mário quem produziu e criou. Executando guitarras, violão de aço, contra-baixo, efeitos ambients e samples soltos de filmes importantes em cada faixa.

O álbum tem o contexto de sempre, só que menos melódico que seu primeiro trabalho, o Deep Songs For A New Reflection lançado independente em 2015 – que houve bons feedbacks pelas redes socias e blogs. O som do one man-band alagoano tem um vigor único, os riffs de guitarras dedilhadas com reverbs e delays te levam a um período de meditação intensa e profundas nostalgias de fim de tarde (to dizendo!); sem bateria ou beats – tu não vai sentir falta nenhuma disso.

Pra quem entende,  perceberão influências incríveis que estão fora do padrão musical, como o Bibio, Tim HeckerOneohtrix Point Never, William Basinski, Tape e entre tantos outros que fazem uma sonoridade diferente e original como a do SketchquietA fotografia da capa foi em tirada em Porto Alegre pelo artista Jonas Adriano (dpsmkr).

por Carlos Otávio Vianna


Ouçam agora na íntegra:

 

 

dpsmkr – Vol. 4 (EP)

1172692_10153934739005322_945995922_o.jpg
foto por dpsmkr

O 1º lançamento da recém-nascida Crooked Tree Records, vem la das profundezas de Porto Alegre – dpsmkr (dopesmoker)! Pseudônimo de Jonas Dalacorte.

O disco é produzido e criado pelo Jonas – a fotografia da capa também; aliás, ele é um one-man band – e é isso o que fazem bandas de um homem só. Com guitarras e mais guitarras, e uns efeitos synths ambients aqui e alí que definem a sonoridade do cara, que particulamente agrada bastante o selo, instrumentais! Influências que quase lembram: Barn Owl; Earth; Colour Haze; Sunn O))); Tim Hecker; Fennersz.

Vamos ouvir aqui, 5 músicas de uma série de faixas aleatórias que já está no seu 4º volume, título do EP; que para quem se interessar em ouvir os outros, é só se chegar no bandcamp do próprio: http://www.dpsmkr.bandcamp.com

dpsmkr já tem uma penca de trabalhos lançados, como o belíssimo e sombrio Cinza, lançado em 2013 – um de seus álbums mais ”conhecidos” e legais, não deixe de conferir. Vol. 4 é o 16ª registro, pra tu só ter noção de como o brother aqui não gosta de ficar estagnado. A 2º faixa Sombra, que praticamente é onde inicia-se o disco, compõe guitarras stoners e pesadas, com batidas lentas e repetitivas; mas sem deixar o ouvinte nauseado. Também tem a excelente surf music, Praia – em uma sonoridade lo-fi como o disco leva ao todo, mas impecável.

por Mário Alencar


Ouçam agora na íntegra: