Mario The Alencar – Great Diary Things (Album)

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Seu histórico como Mario The Alencar (uma de muitas de suas personificações) mostra um trabalho calcado no folk com ”insights guitarrísticos”, tudo num clima lo-fi, termo que é bagunçado, eu admito, onde a gravação caseira faz questão de mostrar que é feita em casa. Seu novo trabalho vai além, muito além – amadurecido como produtor e compositor ele construiu para mim, sua melhor cria.

Influências de Eliott Smith, Pedro The Lion, Daniel Johnston – Mário tem seu jeito de cantar um pouco desafinado/desleixado com um quê de Stephen Malkmus e Sufjan Stevens que são perceptíveis nesse álbum; disse perceptíveis, não copiados. O cara é ”full noventista” nas suas referências na maioria de seus projetos, mas principalmente como Mario The Alencar, assim também como sua banda Killing Surfers. Desde que aprendeu a lidar com programações de bateria sua evolução é gritante, suas guitarras ora levemente distorcidas ora carregadas de chorus, flangers, delays que lembram outros trabalhos seus como o Sketchquiet.

Amigos, o cara criou seu estilo e isso é um diferencial. Com o auxilio de Reuel Albuquerque guitarrista da banda Jude, colocou de forma sensacional metais e sopros sampleados em algumas faixas, a diversidade do disco atingiu um patamar maior ainda, às vezes lembrando o trabalho solo de Neil Halstead, vocalista do Slowdive/Mojave 3 e o já citado Sufjan Stevens. O disco é produzido pelo próprio Alencar, ele gravou as guitarras, contrabaixo, vocais, baterias e as letras são de sua total autoria.

Destaque para as belíssimas faixas BlanketsPale CloudsSummer’s Day e Longing. Em Breakfast Junkie e Feeling So Blue ele brinca de Pavement com um tom debochado/brincalhão. A música Hard Country que leva a um country mais alternativo com guitarras dissonantes também merece esse destaque. 

Uma coisa que observo, esse rapaz também é artista visual e designer gráfico, e o som de seus discos se relacionam com as capas, ora com ilustrações próprias ou com fotos ou montagens. Se a capa é mais sombria seu som será mais ”dark” (haha), se o desenho é mais singelo seu som será mais enxuto e nesse álbum, ele fez uma capa mais colorida, com pequenos detalhes que merecem um olhar mais atento e coincidentemente esse é seu disco mais virtuoso e diversificado até agora. Vai agradar quem curte os referidos artistas – é um som indie (no clichê mesmo), mas é de primeira.

Embarquem nessa viagem deste artista que não tem medo ou vergonha de amadurecer.

por Carlos Otávio Vianna


Ouçam agora na íntegra:

Pedro Salvador – Pedro Salvador (Album)

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Eu conheci Pedro no Festival Maionese (AL) de 2012. De lá pra cá sempre soube que ele era um cara muito ativo na produção autoral de sua cidade. Integrando o trio Necro, agora o papo é diferente. Lançando seu primeiro solo, ele aposta numa estética que conversa com a esfera de sua banda principal. Abriu um portal e foi diretamente há 1973, e lá ele gravou todos os instrumentos debutando seu disco homônimo aqui na Crooked.

Pedro Salvador é um dos maiores músicos que a sua cidade tem, é multi-instrumentista e já participou de vários projetos na cena alagoana. O álbum que o jovem veterano está apresentando aqui hoje, foi inteiramente gravado por ele, sem precisar de apoio nenhum (haha).  Com nome homônimo possuem 15 belas faixas, algumas sendo como fragmentos, é o caso das 4 partes de Suíte Microscópica.

O primeiro registro está um misto de sons setentistas, como todos sabem, já há um tempo em que Pedro é levado por essa safra – a faixa Canção do Fim, que tem 9:49 é uma inspiração ao soul funk, tipo Funkadelic mesmo, mas tu pega um flashback do Tim Maia e depois Mutantes com aqueles vocais estilo Rita Lee e Arnaldo Baptista (haha), e isso é bom pra caral****. Temos a Canção da Lua, em que Pedro se apresentou no 1o Festival de Música Popular em Cantos de Alagoas em 2016 (tem no Youtube) que podemos até considerar um hit para o álbum – e finalizando esse ”chama ouvinte porque o troço é bão” (hahahaha), tem até um ”rocksteadyzinho” instrumental, a Bananeiras em Flor.

A produção também é assinada pelo mesmo em parceria com o Estúdio Concha Acústica, e a arte (linda) do disco foi assinada pela artista Julia Danese. Se você é daqueles como eu, que ama Mahavinishu Orquestra, Os Mutantes, O Terço, entre outros nomes proghead nessa vida, não hesite e dê o play sem culpa.

Nem só de Necro vive Pedro!

por Vinícius Dias e Mário Alencar


Ouçam agora na íntegra:

The Crooked Friends Collective – Vol. 1 (Coletânea 1 ano de Crooked Tree Records)

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O tempo anda sem percebermos quando estamos em atividade, não? Melhor ainda quando fazemos algo com a própria alma.

No final de 2015, logo no natal, fui tendo uma ideia de poder ajudar um pessoal que eu observava de longe, bem distante; mas essa galera não era apenas uma galera comum, eram artistas, que andavam em seus próprios quartos, porões e até mesmo estúdios para criarem, criarem música. Essas pessoas vivem trancafiadas dias após dias para construírem algo que vem delas mesmas, com muito amor e carinho. Mas essas pessoas estavam acanhadas de mostrarem isso a uma rede social, ao mundo que os tem ao redor, foi daí que a Crooked Tree Records nasceu, junto com uns amigos que conheci a pouco tempo, e que tinham os mesmos caminhos.

Agora, o selo completa 1 ano de aniversário – com 23 discos no catálogo e 19 artistas. Esses talentos estão divididos pelo mundo: Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Alagoas, Goiânia e até mesmo a Espanha. Tivemos altos e baixos por aqui, mas sempre com o orgulho de fazer parte desta equipe que vem lutando pelo seu espaço, tendo ideias e mais ideias sem cessar.

Uma salva de palmas para todos que estão envolvidos a Crooked Tree, sem o apoio de vocês este sonho não se tornaria tão real – grande honra está ao lado de grandes artistas e bandas, aprendendo a cada dia uma imensidão diferente. Vocês são incríveis!

Mas parando com toda essa choramingueira! (haha) Temos aqui de presente para nossos ouvintes fies (rsrs) – uma coletânea com quase todos os artistas do selo, os que marcaram mais no ano passado e até então em janeiro. Um punhado de canções inéditas que foram gravadas justamente para isso, e outras que já foram lançadas em outras plataformas. Fiquem com os projeto solos do Depressa Moço!, Mario The Alencar, Nonsense Lyrics, Sebage, Wands (projeto solo do vocalista da banda Pormenores), Hesla (nova empreitada do artista Diaz, que em breve estará lançando disco por aqui) – também com os experimentalismos do Sketchquiet, Eric Iozzi, Botas Batidas, Lzu, dpsmkr – e as bandas Killing Surfers, Humbra, Fantasmas de Marte e The Modem. Mas antes de tudo! Vamos tirar mais um pouco a preguiça para lermos mais um pouco alguns depoimentos de alguns artistas, Leonardo Oliveira da Humbra, Carlos Otávio Vianna, Depressa Moço! e ah! Os videozinhos da bandas Jude Edson Codenis da The Modem, agradecendo-nos e dando os parabéns – ”rock n’rooooll hey! rock n’rooooool rock! rock n’rooool hey!”.

por Mário Alencar


Carlos Otávio Vianna (Depressa Moço!):

O ano de 2016 não foi fácil!!! O mundo e não só nosso país sofreram com crises econômicas e políticas. Muita coisa está mudando, o mundo toma conhecimento de diferentes
culturas, hábitos até então relegados a uma posição submissa. A diversidade é enorme, temos muita coisa diferente ao nosso alcance, ainda mais com as ferramentas tecnológicas que temos hoje em dia. Mas por mais estranho que pareça boa parte das pessoas não está
arriscando no novo, no diferente….o medo do novo sempre existiu, mas talvez preguiça…já que temos tanto a mão. Não queremos perder tempo!!!! Perdemos tanto tempo pensando nisso…

Em fevereiro de 2016 surgiu em Maceió, Alagoas, o selo Crooked Tree Records, projeto da cebeça do inquieto Mário Alencar. O selo queria divulgar artistas independentes de qualquer lugar do país, e abria um leque enorme de opções sonoras. Não importando se era gravação caseira ou profissional, se valia a  pena era lançado. ser era uma banda ou um homem banda (atenção meninas, esta faltando mulher- banda ou banda de meninas no pedaço!).

Rock em português da Pormenores, Fantasmas de Marte, Jude, Humbra, Primavera. Pop eletrônico do The Modem, MASM, também musica minimalista experimental de DPSMKR, Sketchquiet, Gimu, Botas Batidas . Musica passional de Nonsense Lyrics e Mario the Alencar. Paisagens sonoras criadas por Eric Iozzi e LZU, sons eletrônicos e acústicos de Depressa moço!, DIAZ e o shoegaze da Killing Surfers. Uma diversidade que fez bem a todos, onde se criaram novas amizades e união em torno da música. Essa crença na diversidade acho que favoreceu a vários artistas do selo estarem presentes em listas de melhores do ano, as vezes mais de um artista numa mesma lista e junto com ˜medalhões” da industria
fonográfica e artistas com mais exposição na grande mídia. Fiquei feliz em fazer parte desse combo.

Agora, para celebrar um ano de existência, a Crooked Tree Records vai lançar uma coletânea de seus artistas. Ela representa bem o que falei anteriormente, um caleidoscópio sonoro (se isso é possível, he he) onde cada artista contribuiu com uma musica, na maioria inédita em seus trabalhos. Ouça, arrisque…se você não gostar,  tudo bem, saberá que existe muita coisa diferente para conhecer. O mundo precisa disso!!!


Leonardo Oliveira (Humbra):

O ano de 2016 começava para nós de forma despretensiosa. Estávamos montando novo repertório e decidindo qual direção daríamos à banda. Foi aí que tivemos a ideia de gravar um conjunto de 5 músicas de diferentes fases de nossas vidas, o Tempos Mal Vividos.

E foi assim, experimentando o passado,  testando antigos arranjos há muito empoeirados nos meandros de nossas mentes, que este disquinho despretensioso rendeu para nós da Humbra a oportunidade de entrar pra Crooked Tree Records e ampliar sobremaneira as possibilidades da  banda como um todo. O que mais nos chamou atenção na Crooked foi a diversidade e a capacidade de reunir de forma uníssona tanta gente diferente; uma verdadeira lente num mar de informação que nos fornece um belo recorte da cena que se forma no país.


Edson Codenis (The Modem):


Reuel Albuquerque e Alexander Campos (Jude):


Ouçam agora na íntegra:

Nonsense Lyrics – Golden Country Punk (EP)

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Ele é canhoto, hiperativo, simples, amável, sensível, teimoso e tem um black power bem tratado – enfím, um fofo. Estamos falando do nosso lançamento da semana, o membro mais querido da Crooked, Gellyvan Fernandes – lançando seu pseudônimo, Nonsense Lyrics e seu primeiro trabalho, Golden Country Punk.

Você nunca ouviu falar desse homenzinho por aí (entendam a piada como for, hehe), vai vê porque Gelly nunca fez questão de se exibir para a sociedade, sempre alí – na dele. Ele odeia internet, odeia gente moderna; prefere ouvir bossa nova com amigos íntimos enquanto degusta uma vodka de 2ª.

O disco é um pequeno e virtuoso EP – as violas, contra-baixo, escaleta e guitarras foram executados pelo próprio, da sua maneira drunk – e as letras, sinceras e diretas. Seus vocais são desleixados e nada melódicos, e as canções lembrando horas o folk do Neutral Milk Hotel ou Bob Dylan – tirando a faixa Miopia Astigmatismo (como?!), com aquele groovezinho no baixo e uma guitarrinha esperta levando aquele funk do big Tim Maia.

Mário Alencar (Mario The Alencar; Sketchquiet) colaborou no registro, assumindo guitarra e gaita nas faixas My Own Funeral  e Lost Roads; Mário também produziu o EP.

A fotografia irada da capa é de Felipe Lemos, também chegado da galera e quase um mascote (hehe).

Nota final: Se você pensa que vai ouvir por aqui mais um daqueles ”playbas” do folk de MCZ querendo status para conquistar a mulherada, vai caindo fora! póis Nonsense Lyrics e seu Golden Country Punk é para os que apreciam a boa alma singela.

por: Mário Alencar


Ouçam agora na íntegra: