The Sorry Shop – Softspoken (Album)

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Acaba de desembarcar por aqui o Softspoken, lançamento deste ano da Sorry Shop pela Crooked Tree Records. O álbum tem a missão de suceder o elogiado Mnemonic Syncretism, de 2013. Sons oníricos e cativantes são a marca deste álbum, que mostra a habilidade da banda em produzir uma espécie de psicodelia shoegaze, se é que se pode dizer assim.

Em Softspoken, camadas de guitarras e vocais soterrados produzem uma poderosa combinação instrumental e poética, a qual permeia por todas as canções. As letras são bem interessantes e ao que tudo indica, no conjunto da obra, sugerem o fluxo de uma história, ou uma viagem onírica, como já dito antes – se não foi proposital, o resultado ficou genial. Até a 5ª faixa, Lost in Between, somos convidados a mergulhar num sonho distorcido, etéreo, que de certa forma traduz-se no refrão ”Again / Lost in between”. A 6º canção, que dá nome ao disco, mais curta e suave, sugere uma transição “Ao lado de lá” ao finalizar com a emblemática frase: “I have a little secret / no one knows”. A partir desse ponto as musicas falam de segredos e imagens oníricas ainda mais etéreos. Destaque para Queen of the North e Keepsake, que reforçam essa ideia de imersão e segredos. O disco termina com um convite e uma constatação “Come out to play / Nowhere safe”.

É notório as referências da banda que vai do dream pop do Slowdive ao shoegaze do My Bloody Valentine, mas The Sorry Shop tem um caminho único para as suas canções cheias de originalidade – formada por Marcos Alaniz  (Vocais, guitarra e percussão), Mônica Reguffe (Contrabaixo e vocais), Régis Garcia (Guitarra), Kelvin Tomaz (Guitarra e vocais) e Eduardo Custódio (Bateria). A arte da capa ficou por conta de Meire Todão.

Dentro da proposta da banda o álbum é muito  bem produzido e teve um bom trabalho de mixagem e masterização, graças a própria Sorry Shop, que deixou as músicas fáceis de se ouvir. Quando apreciado com cuidado, a experiência é ainda melhor. A cada compasso um detalhe, uma dica do que está por vir – pode também não ter sido intencional, mas, como nos sonhos, Softspoken acaba sem nos avisar. Na melhor parte, incrível!

O álbum também está saindo hoje pelo selo dos queridos Lovely Noise Records.

por Leonardo Oliveira


Ouçam agora na íntegra:

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Juna – Marina Goes To Moon (EP)

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Inspirador. Foi a palavra que me veio na primeira audição de Marina Goes to Moon, EP do duo gaúcho, Juna, que acaba de sair pela Crooked Tree Records. As cinco músicas, gravadas no verão deste ano em São Leopoldo, RS, são bem produzidas e encadeadas de uma maneira agradável, provocando (talvez de forma intencional) essa sensação de imersão, onde a cada faixa um aspecto novo é colocado, em doses homeopáticas, para o ouvinte.

A banda é formada por Victória Appollo (guitarra, violões, teclados e vocais) e Thomas Almeida (bateria, guitarra, contra-baixo e vocais). Para a gravação houve ainda as participações de Daniel Rosemberg e Clandio De Bem.

Prologue, a primeira música do EP, dá o tom do que virá. Música cativante e acompanhada do belo jogo de vozes cheias de personalidade feito por Victória Appollo e Thomas Almeida.

Marina Goes to Moon, faixa título, traz um belo refrão capaz de grudar na sua mente durante o dia inteiro (acredite rs). Há um quê de pop rock, mas delicioso de se ouvir no refrão “I don’t want to be be be be be yours anymore”. O solo de guitarra demonstra a capacidade da banda em unir arranjos de fácil degustação, com técnica elaborada.

Em Aniram é possível perceber o cuidadoso trabalho de mixagem, que produziu uma atmosfera sonora única. Digno de nota são as camadas de guitarras cheias de delay, as quais ressoam de um lado a outro em excelentes divisões que preenchem os espaços na medida certa, sem soar exagerado ou fora de propósito.

Drop the Satellites dá continuidade e liga ao EP e surpreende com outra faceta da banda. Nesta faixa a dupla investe em uma canção com pegada mais pesada, no entanto, sem perder a característica psicodélica das guitarras. A mudança de andamento (e clima) na metade final da música é outra boa sacada.

O EP fecha com a faixa Reprise/Two times, a qual remete, nos minutos iniciais, a uma versão mais lenta de prologue e termina com uma balada lo-fi voz e violão.

É possível observar muitas influências que delineiam o som da Juna que vão desde o space rock, new wave e progressivo até o post-punk. De maneira geral o EP é muito bem produzido, tem conceito bem amarrado e desperta curiosidade sobre o que mais vem por aí.

A capa, de Maria Bitencourt, possivelmente inspirada num dos primeiros filmes da história, o La Voyage Dans La Lune é outro ponto forte. Tanto no filme, quanto no EP há um aspecto de busca e de descobrimento que transcende à época em que foram concebidos. Outra banda que bebeu desta mesma fonte foi o Smashing Punpkins em Tonight, Tonight, que é um clássico para dizer o mínimo. Não sei dizer se Marina Goes to Moon será um clássico tal qual as referências que usou, mas com certeza já nasce grande e bem promissor. No mínimo a arte consegue imprimir não apenas o conceito do disco em si, como também o da banda como um todo.

O ouvinte receberá um singelo convite para além do mundo da lua, mas sim para o mundo de Juna. Boa viagem!

por Leonardo Oliveira


Ouçam agora na íntegra:

The Crooked Friends Collective – Vol. 1 (Coletânea 1 ano de Crooked Tree Records)

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O tempo anda sem percebermos quando estamos em atividade, não? Melhor ainda quando fazemos algo com a própria alma.

No final de 2015, logo no natal, fui tendo uma ideia de poder ajudar um pessoal que eu observava de longe, bem distante; mas essa galera não era apenas uma galera comum, eram artistas, que andavam em seus próprios quartos, porões e até mesmo estúdios para criarem, criarem música. Essas pessoas vivem trancafiadas dias após dias para construírem algo que vem delas mesmas, com muito amor e carinho. Mas essas pessoas estavam acanhadas de mostrarem isso a uma rede social, ao mundo que os tem ao redor, foi daí que a Crooked Tree Records nasceu, junto com uns amigos que conheci a pouco tempo, e que tinham os mesmos caminhos.

Agora, o selo completa 1 ano de aniversário – com 23 discos no catálogo e 19 artistas. Esses talentos estão divididos pelo mundo: Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Alagoas, Goiânia e até mesmo a Espanha. Tivemos altos e baixos por aqui, mas sempre com o orgulho de fazer parte desta equipe que vem lutando pelo seu espaço, tendo ideias e mais ideias sem cessar.

Uma salva de palmas para todos que estão envolvidos a Crooked Tree, sem o apoio de vocês este sonho não se tornaria tão real – grande honra está ao lado de grandes artistas e bandas, aprendendo a cada dia uma imensidão diferente. Vocês são incríveis!

Mas parando com toda essa choramingueira! (haha) Temos aqui de presente para nossos ouvintes fies (rsrs) – uma coletânea com quase todos os artistas do selo, os que marcaram mais no ano passado e até então em janeiro. Um punhado de canções inéditas que foram gravadas justamente para isso, e outras que já foram lançadas em outras plataformas. Fiquem com os projeto solos do Depressa Moço!, Mario The Alencar, Nonsense Lyrics, Sebage, Wands (projeto solo do vocalista da banda Pormenores), Hesla (nova empreitada do artista Diaz, que em breve estará lançando disco por aqui) – também com os experimentalismos do Sketchquiet, Eric Iozzi, Botas Batidas, Lzu, dpsmkr – e as bandas Killing Surfers, Humbra, Fantasmas de Marte e The Modem. Mas antes de tudo! Vamos tirar mais um pouco a preguiça para lermos mais um pouco alguns depoimentos de alguns artistas, Leonardo Oliveira da Humbra, Carlos Otávio Vianna, Depressa Moço! e ah! Os videozinhos da bandas Jude Edson Codenis da The Modem, agradecendo-nos e dando os parabéns – ”rock n’rooooll hey! rock n’rooooool rock! rock n’rooool hey!”.

por Mário Alencar


Carlos Otávio Vianna (Depressa Moço!):

O ano de 2016 não foi fácil!!! O mundo e não só nosso país sofreram com crises econômicas e políticas. Muita coisa está mudando, o mundo toma conhecimento de diferentes
culturas, hábitos até então relegados a uma posição submissa. A diversidade é enorme, temos muita coisa diferente ao nosso alcance, ainda mais com as ferramentas tecnológicas que temos hoje em dia. Mas por mais estranho que pareça boa parte das pessoas não está
arriscando no novo, no diferente….o medo do novo sempre existiu, mas talvez preguiça…já que temos tanto a mão. Não queremos perder tempo!!!! Perdemos tanto tempo pensando nisso…

Em fevereiro de 2016 surgiu em Maceió, Alagoas, o selo Crooked Tree Records, projeto da cebeça do inquieto Mário Alencar. O selo queria divulgar artistas independentes de qualquer lugar do país, e abria um leque enorme de opções sonoras. Não importando se era gravação caseira ou profissional, se valia a  pena era lançado. ser era uma banda ou um homem banda (atenção meninas, esta faltando mulher- banda ou banda de meninas no pedaço!).

Rock em português da Pormenores, Fantasmas de Marte, Jude, Humbra, Primavera. Pop eletrônico do The Modem, MASM, também musica minimalista experimental de DPSMKR, Sketchquiet, Gimu, Botas Batidas . Musica passional de Nonsense Lyrics e Mario the Alencar. Paisagens sonoras criadas por Eric Iozzi e LZU, sons eletrônicos e acústicos de Depressa moço!, DIAZ e o shoegaze da Killing Surfers. Uma diversidade que fez bem a todos, onde se criaram novas amizades e união em torno da música. Essa crença na diversidade acho que favoreceu a vários artistas do selo estarem presentes em listas de melhores do ano, as vezes mais de um artista numa mesma lista e junto com ˜medalhões” da industria
fonográfica e artistas com mais exposição na grande mídia. Fiquei feliz em fazer parte desse combo.

Agora, para celebrar um ano de existência, a Crooked Tree Records vai lançar uma coletânea de seus artistas. Ela representa bem o que falei anteriormente, um caleidoscópio sonoro (se isso é possível, he he) onde cada artista contribuiu com uma musica, na maioria inédita em seus trabalhos. Ouça, arrisque…se você não gostar,  tudo bem, saberá que existe muita coisa diferente para conhecer. O mundo precisa disso!!!


Leonardo Oliveira (Humbra):

O ano de 2016 começava para nós de forma despretensiosa. Estávamos montando novo repertório e decidindo qual direção daríamos à banda. Foi aí que tivemos a ideia de gravar um conjunto de 5 músicas de diferentes fases de nossas vidas, o Tempos Mal Vividos.

E foi assim, experimentando o passado,  testando antigos arranjos há muito empoeirados nos meandros de nossas mentes, que este disquinho despretensioso rendeu para nós da Humbra a oportunidade de entrar pra Crooked Tree Records e ampliar sobremaneira as possibilidades da  banda como um todo. O que mais nos chamou atenção na Crooked foi a diversidade e a capacidade de reunir de forma uníssona tanta gente diferente; uma verdadeira lente num mar de informação que nos fornece um belo recorte da cena que se forma no país.


Edson Codenis (The Modem):


Reuel Albuquerque e Alexander Campos (Jude):


Ouçam agora na íntegra:

Killing Surfers – You Never Cared (EP)

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Para noises, não há coisa mais bacana do que juntar amigos e fazer uma banda que brinque com os sons que mais gostamos – a diversão e alegria desses momentos não tem preço.

Nesse contexto, surge a banda que tem chamado atenção de quem curte um som indie, a Killing Surfers; isso mesmo, uma brincadeira que com certeza levará a um caminho sério (se não ja está…); e hoje, eles lançam o primeiro trabalho que dará a sua estréia, o EP You Never Cared.

Fundada em Maceió, Alagoas, pelo vocalista inquieto Mário Alencar (Sketchquiet; Mario The Alencar), mestre bigodon Wilson Victor, ambos responsáveis pelas paredes de guitarras distorcidas e sensacionais que permeiam o disco; e Gellyvan Fernandes (Nonsense Lyrics), querida e carismática figura alagoana, no seu contra-baixo pós-punk à la Kim Gordon.

Killing Surfers é rock, que mergulha rock na vertente shoegaze e dream pop, onde guitarras ora furiosas se misturam com passagens mais serenas. A voz amargurada de Mário sussurra alguma coisa em nossos ouvidos – nossa! Parece triste, mas não! A rapaziada não deixa a peteca cair nunca.

As influências… Os caras conhecem muitas coisas, e misturam sem piedade ou preconceito, mas o som sai naturalmente sem forçar a barra.

Vamos destacar todas as faixas desse disco, sim! porque não? I Wanna Sleep e Medications são dois embriões que parecem ter saído do trio mais barulhento de Nova Iorque desde o Sonic Youth, o A Place To Bury Strangers. Pillow Face tem uma intro suave que mergulha depois em seu ”white noise”, assim como She’s Like Heaven, bebem de grandes bandas shoegaze como My Bloody Valentine e The Jesus and Mary Chain – a delicada Sunrise, remete o clima etéreo do Cocteau TwinsSlowdive e Galaxie 500. E por fim o hit, Another Horizon, que lembra… Killing Surfers! É isso, a mistura que pode lembrar alguma banda mas tem sabor próprio.

A produção ficou encarregada pelo vocalista/guitarrista da banda, Mário Alencar, que com muito suor também fez a arte da capa de You Never Cared.

Acompanho esse caras no selo desde janeiro desse ano, e vejo como transbordam energias positivas quando falam de música ou quando fazem música; isso serve de lição de vida para mim, não perder o amor por isto mesmo que te traga apenas… Felicidade!

por Carlos Otávio Vianna


Ouçam agora na íntegra: