The Modem – Tokio Electric Power (Album)

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foto por Max

Capital de São Paulo, é onde vive Edson Codenis vigoroso The Modem, para os que não o conhece, ele já lançou o pop grudento e estiloso Hard Pop, lançado em 2016, é considerado um dos melhores discos segundo nós mesmos (hehe).

Tokio Electric Power tem uma atmosfera sombria, que remete grandes nomes da década de 80 que fizeram (ou ainda fazem) o gênero ”New Wave”, como o Depeche Mode, Clan Of Xymox, Kraftwerk. ”Tokio Electric Power” é seu segundo disco lançado aqui pela Crooked mas sendo o primeiro álbum cheio, contendo 9 faixas dançantes com um pé direito no gótico.

Desta vez, ele aposta em letras em inglês com títulos marcantes, como a 7a faixa The Night Was Never Be So Dark. Como eu já havia dito, o registro tem seu clima denso e cai como uma luva para tempos mais chuvosos; é uma ”soundtrack” pesadíssima para um bom frio a dois.

Com mais sintetizadores e teclados que recheiam ainda mais a textura eletrônica do The Modem, Edson opinou em fazer tudo nesse disco, até a produção, com exceção de Gabi Lasi no backing vocal da 3a faixa Enjoy Every Second. A arte gráfica da capa ficou mais uma vez responsável pelo ilustrador alagoano Mário Alencar, que já confeccionou praticamente todas as capas do The Modem. O inverno está chegando! Ouçam Tokio Electric Power a todo vapor!!!

por Mário Alencar


Ouçam agora na íntegra:

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Victor Barros – Down and Out (EP)

 

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Foto por Taynah

 


Down and Out é o título do EP de Victor Barros, produzido no Estúdio Lofizêra em Alagoas e lançado pela Crooked Tree Records agora em novembro. A arte da capa ficou por conta de Mário Alencar (Killing Surfers, Sketchquiet), que também foi incumbido de desenhar as linhas de baixo. A banda conta ainda com Gibson Soares (guitarras) e Luan Marcel (bateria). Os vocais e violões são de Victor Barros.

Apesar do lançamento ocorrer no fim desta primavera, Down and Out tem toda a cara de Outono, como uma atmosfera de ocaso de um pôr do sol mais cinza que colorido. Podemos ouvir seis músicas semi acústicas em tom melancólico e com letras muito boas, cantadas por um estilo de vocal quase barítono de Victor Barros, lembrando referências como Jim Morrison à Eddie Vedder.

Calling Home abre o disco de forma serena. Uma balada levada no violão e entrecortada por um tema de guitarra, que combinou bem com o estilo (E a maneira de cantar). Destaque para a letra com bons recortes filosóficos como nos versos Reflections on the mirror / It shows a living thing

Stay, a segunda música, com o refrão que diz Stay / you know it can’t be real / Stay / There’s nothing in between / Stay / Reality is not the same é quase um contraponto de sua antecessora. Mais acelerada, mudanças rítmicas interessantes e um vocal mais ácido dão o cartão de visitas da próxima música.

How Could I Know? mantém a pegada com Victor Barros soltando ainda mais o vocal e me evocou em certas passagens, referências como de Neil Young e do próprio Pearl Jam. É a música com mais peso e um refrão que deve funcionar muito bem nas apresentações ao vivo.

Down and Out, canção que dá nome ao trabalho, tem um arranjo bem trabalhado com violões, guitarras e vocais bem expressivos, que de fato, parecem ser a marca deste disco.

A quinta música, Expectations, parece ser para mim a canção mais bonita e poderia facilmente estar em muitos ”top 5” das músicas lançadas por artistas independentes em 2017.  Os bons timbres de violão e guitarra, delineados por uma linha de baixo interessante produzem uma atmosfera elegante, que é um prato cheio para a melodia vocal.

O trabalho encerra com Fire, a mais ”indie” das seis, digamos assim. Victor Barros opta por um vocal mais soturno, que me rememora algo de Paul Banks no verso You had to run away / No one could stay o que é, de minha parte, um elogio sem precedentes (rs).

A banda funcionou bem como um todo em Down and Out e a química parece ter dado certo. Ao explorar essa faceta semi acústica conseguem um certo ar de naturalidade às músicas, porque provavelmente foi no violão que elas devem ter surgido pela primeira vez. Então, muito do caminho da produção pode ter sido facilitado. As letras variando ora mais confessionais, ora mais filosóficas são outro destaque. De modo geral Victor Barros entrega bem o que promete e desponta como uma das vozes mais outonais do rock alternativo no país. Em plena primavera.

por Leonardo Oliveira


Ouçam agora na íntegra: 

Os Ex-Fumantes – Brazilian Max (EP)

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”Nossa que barulho bonito!” Essa é a frase que se incia o EP Brazilian Max da banda Os Ex-Fumantes, resume de forma bem humorada o som que você irá curtir agora, sim! Curtir!!!

A banda é formada  pelos paulistanos Lucas Mendes Gabriel (Guitarra e vocais) Guilherme Doratioto (Guitarra), Vinicius Almeida (Baixo), Eliel Simões (Bateria) e ainda contam com um trompetista, Wesley Bruce. Os Ex-Fumantes nos presenteia com um som carregado de guitarras que trabalham em sintonia com arranjos de voz bem bacanas.

O EP tem duas canções em inglês e duas em português, e uma capa muito legal que emula um anúncio de cigarro, ideia do próprio vocalista. Alguma destas referências está entre o quarteto, The Strokes, The Libertines, Mac Demarco. A faixa Babe, I Need You começa com vocal de apoio chamando atenção e as guitarras conduzem pulsantes a canção para o refrão, que explode com outras camadas de guitarras.

A segunda canção, Quiçá, tem belos ambientes de reverbs abrindo e um contrabaixo pulsante, pode ser considerada o hit da casa. San José tem um groove mais pesado que explode no “refrão” cantarolado com pratos da bateria agressivos em meio as guitarras, excelente!

A faixa que encerra o disco é Rich Kids, tem uma pegada tribal com a batida marcando forte o ritmo com os tons e o surdo dando um clima mais “experimental”, com ruídos que inundam a música enquanto a banda manda todos os “garotos almofadinhas se cuidarem” (hahaha).

O EP Brazilian Max é curtinho, bem produzido e marcante, dará altos repeats nos lugares. A produção foi feita pelo Lucas Mendes Gabriel no Estúdio Rosa. Well, o que essa galera quer afinal? Que você apenas ouça o som e saia de casa para se divertir em algum bar próximo. Aguardaremos ansiosos por um álbum completo.

por Carlos Otávio Vianna


Ouçam agora na íntegra:

Mopho – Brejo (Album)

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Os fãs do Mopho podem falar o que quiser, não importa o que eles digam: que a melhor canção é Tão Longe ou que é Não mande Flores – ou Caixa de Vidro ou Dani Rabiscou… Isso tudo é bobagem e eles sabem disso. O Mopho, cara, é como o vinho que se encorpa e apura o sabor com o decorrer do tempo. Eis a prova disso: as músicas do Brejo, quarto álbum da banda, lançado sete longos anos depois do Vol. 3, soam como clássicas, trazendo a força, a beleza, a naturalidade melódica das composições de João Paulo. A mais querida e mais influente banda de rock da cidade segue firme, com uma sonoridade que não deixa brechas para o vácuo, para a falsidade ou para o tatibitate das bandas adolescentes. O Mopho voa longe, viajando do romance das letras aos solos delirantes de guitarra e teclado.

O vocal de João Paulo amolda-se às canções com uma leveza e segurança – e uma emoção que se não se encaixa como uma luva, responde as expectativas do ouvinte como uma taça de champanhe brindando o ano novo. Ou como um copo de conhaque para abrir a goela e cantar com a verdade de quem não tem receio de expor o próprio desejo e o próprio coração. É uma festa de sentimentos e paixões: uma avalanche, uma correnteza sonora que te leva tão longe, tão perto, aqui, ali – em todo lugar. Se vinho ou cerveja, se conhaque ou uísque, tudo depende do momento: o que rolou acaba virando uma linda canção. A vida do cantor e a de todos nós, não é assim que são compostas as melhores músicas de todos os tempos? Especialmente quando o artista se dispõe a ser honesto no trabalho e a labutar com preciosismo, atendendo as exigências dele mesmo, de alguém que construiu um legado e continua a dar as cartas, reconhecendo-se como legenda criadora de um capítulo fundamental do rock alagoano e do rock brasileiro.

João Paulo canta, afinal, desvinculado do rótulo de banda psicodélica ou retrô. O psicodelismo continua, sem dúvida, com arranjos, por assim dizer, circulares: a roda gigante, o carrossel de fantasias que faz de novo acreditar no sonho, no amor e nas canções – no poder da música. A alma de João Paulo é muito velha, bicho. E ele tem consciência disso, pulando de uma canção à outra como um Merlin alquimista transformando pedra em ouro. As andanças musicais do cantor compositor guitarrista passeiam pela Jovem Guarda e Beatles, pelo Pink Floyd e pelos seminais Rita Lee & Tutti Frutti. E pela Casa das Máquinas, sempre. Não conhece essas bandas? Ah, claro que você conhece o caldeirão de rock que formou o Mopho e que continua alimentando a inspiração in natura de João Paulo.

Abra o seu coração, parece dizer o poeta, busque o seu amor – cante-o se você o perdeu. ”Estou no limiar do meu desterro/ Do meu desapego/ Ancorado em mares medonhos/ Lar de agonia velada/ De fúria alucinada/ Morada da minha loucura” – ele canta em Limiar, já no ranking de “a melhor de todos os tempos”.

Há outras na lista das dez melhores canções de rock. ”Um punhal de prata/ Cravado no peito/ Não derramem lágrimas/ Joguem meu corpo aos porcos/ Eu nunca existi, derrama-se o bardo em Fandango (Joguem meu Corpo aos Porcos). E em Não Sou de Ninguém, ele avisa: ”Ouça essa canção/ Que te fiz amor vazio/ Tu não sabes o quanto custa/ Gostar assim”.

E aí você chora e se lembra do passado, retorna às merdas que fez e às que fizeram com você. E vislumbra o ser poderoso que é, de repente na rua na chuva gritando a todo pulmões: ”Faça chorar/ Deixe sangrar/ Não tenha medo/ Não hesite/ Não há fim – Deus Está Nu, abrindo essa obra-prima chamado Brejo.

Há muito que o Mopho é um fenômeno. Desde que surgiu em 1996, a banda foi sedimentando um terreno de canções acachapantes, do tipo que grudam no ouvido e se tornam inesquecíveis, reverberando pela alma e pelo corpo: da mente alucinada ao coração apertado e vice versa. Músicas que se tornaram parte da nossa história pessoal.
Atualmente formado por João Paulo mais Dinho Zampier – tecladista e também produtor musical, junto com João, do disco Brejo –, e Leonardo Luiz, o sensível contrabaixista que, entre idas e vindas, acompanha essa trajetória desde 1998, para o álbum o grupo contou com a bateria de Rodrigo Peixe. A fotografia promocional da banda foi feita por Fernando Coelho.

E é isso aí. Deus salve o rock alagoano e uma vida longeva para esse monstro sagrado: o Mopho.

por Sebage Jorge


Ouçam agora na íntegra:

Juna – Marina Goes To Moon (EP)

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Inspirador. Foi a palavra que me veio na primeira audição de Marina Goes to Moon, EP do duo gaúcho, Juna, que acaba de sair pela Crooked Tree Records. As cinco músicas, gravadas no verão deste ano em São Leopoldo, RS, são bem produzidas e encadeadas de uma maneira agradável, provocando (talvez de forma intencional) essa sensação de imersão, onde a cada faixa um aspecto novo é colocado, em doses homeopáticas, para o ouvinte.

A banda é formada por Victória Appollo (guitarra, violões, teclados e vocais) e Thomas Almeida (bateria, guitarra, contra-baixo e vocais). Para a gravação houve ainda as participações de Daniel Rosemberg e Clandio De Bem.

Prologue, a primeira música do EP, dá o tom do que virá. Música cativante e acompanhada do belo jogo de vozes cheias de personalidade feito por Victória Appollo e Thomas Almeida.

Marina Goes to Moon, faixa título, traz um belo refrão capaz de grudar na sua mente durante o dia inteiro (acredite rs). Há um quê de pop rock, mas delicioso de se ouvir no refrão “I don’t want to be be be be be yours anymore”. O solo de guitarra demonstra a capacidade da banda em unir arranjos de fácil degustação, com técnica elaborada.

Em Aniram é possível perceber o cuidadoso trabalho de mixagem, que produziu uma atmosfera sonora única. Digno de nota são as camadas de guitarras cheias de delay, as quais ressoam de um lado a outro em excelentes divisões que preenchem os espaços na medida certa, sem soar exagerado ou fora de propósito.

Drop the Satellites dá continuidade e liga ao EP e surpreende com outra faceta da banda. Nesta faixa a dupla investe em uma canção com pegada mais pesada, no entanto, sem perder a característica psicodélica das guitarras. A mudança de andamento (e clima) na metade final da música é outra boa sacada.

O EP fecha com a faixa Reprise/Two times, a qual remete, nos minutos iniciais, a uma versão mais lenta de prologue e termina com uma balada lo-fi voz e violão.

É possível observar muitas influências que delineiam o som da Juna que vão desde o space rock, new wave e progressivo até o post-punk. De maneira geral o EP é muito bem produzido, tem conceito bem amarrado e desperta curiosidade sobre o que mais vem por aí.

A capa, de Maria Bitencourt, possivelmente inspirada num dos primeiros filmes da história, o La Voyage Dans La Lune é outro ponto forte. Tanto no filme, quanto no EP há um aspecto de busca e de descobrimento que transcende à época em que foram concebidos. Outra banda que bebeu desta mesma fonte foi o Smashing Punpkins em Tonight, Tonight, que é um clássico para dizer o mínimo. Não sei dizer se Marina Goes to Moon será um clássico tal qual as referências que usou, mas com certeza já nasce grande e bem promissor. No mínimo a arte consegue imprimir não apenas o conceito do disco em si, como também o da banda como um todo.

O ouvinte receberá um singelo convite para além do mundo da lua, mas sim para o mundo de Juna. Boa viagem!

por Leonardo Oliveira


Ouçam agora na íntegra:

The Modem – Hard Pop (EP)

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foto por The Modem

Ouvidos abertos para a novidade que acaba de aportar aqui na Crooked! É que o The Modem acaba de lançar pela gente o seu EP Hard Pop.

O projeto, encabeçado pelo visionário paulista Edson Codenis, é uma surpresa enorme quando descobrimos o cara na rede mundial de computadores. Uma junção de baladas retrocompatíveis com uma sonoridade 8-bit que nos leva a um tipo de dimensão oitentista com instrumentos do século XXI faz a nossa cabeça e dá vontade de sair dançando pela cidade enquanto cantamos seus refrões marcantes.

A balada retrô de The Modem é recomendado para pistas de seres de todas as idades, pra carros no meio da estrada noturna, no fone de ouvido quando o clima é de curtição ou quando você tem aquele coração partido precisando de um ”up” pra investir no amor de novo. Cada faixa tem sua peculiaridade, sem se desgrudar da sua originalidade sonora, o que faz cada canção se tornar um hit underground suave, sincero, pop bem dosado e inteligente nos arranjos e nas letras – bote sua ficha nessa jukebox, escolha sua faixa preferida e cante sem parar. Esse é The Modem! Eis a playlist:

Totem é uma canção sobre a “diversidade da mudança” que nos possa fazer ser lembrados pelo nome, enquanto na praça tem um totem que fala sempre dos feitos dos nossos heróis. É um som que leva com sabedoria – musical e filosófica – as reflexões sobre o que estamos fazendo de nossas vidas. Pare tudo e veja se não é verdade!

Em A Minha Proposta, o novo dilema é uma paixão que brota de uma relação juvenil contrariada pelo pai da moça. Uma daquelas canções que todo mundo vive em algum momento da vida captada com o que podemos chamar de descrição exata do real. Atente pra essa dor de cotovelo cantada sobre o jogo de notas do refrão! Que música!

Viciada no Asfalto nasceu para brilhar na velocidade da luz. Como a música supõe, “no seu carro, voa baixo, no seu sangue, a velocidade flui, ela corre entre os prédios”… Não seria uma metalinguagem sobre o alcance do próprio som? A canção tem um apelo dançante forte, sem ser esses pops enlatados. A boa produção vocal reverbera para além da faixa. Quando fechamos os olhos escutando a canção, só conseguimos imaginar as luzes da noite em uma via principal em uma moto ou um carango potente! Faça o teste aí!

Na Hora Errada parece aquelas tretas de relacionamento, quando nos é oferecido um paraíso e tudo o que nos dão são as  próprias e previsíveis imperfeições do ser, o tipo de gambiarra remendada para ver se dá pra continuar levando com a barriga. Acontece. Recomendado para todos os momentos pré, pós e durante o discutir de uma relação.

Se a canção anterior é uma forma de se enxergar e lidar com a dor da frustração, em Espelho temos um verdadeiro banho de água quente em um relacionamento, do tipo “Owwwwwnnnn” de fofura, fazendo pensar que tudo parece perfeito. Ouça o verso “A nossa sintonia ultrapassa os limites da compreensão / Não existe mais nada importante pra mim / Do que ter você” pra ver se você não sente seu coração aquecido!

Em Você vai se perder, temos a finalização das inéditas do EP, o adeus ou um até logo, com uma faixa de despedida em um refrão que repetidamente lembra do preço dos erros cometidos: “Eu vou embora sem olhar pra trás / E quando você chegar já será tarde / Não adianta vir correndo atrás / Você vai se perder.”

Por fim, uma faixa bonus: Uma versão de Viciada no Asfalto, talvez a grande música, pelo DJ LWolf. A capa colorida e geométrica do EP foi feita pelo artista gráfico Mário Alencar, que tem uma leve referência as artes dos discos do New Order .

Depois de escutar cada faixa é que descobrimos porque  Hard Pop é mesmo o nome ideal para esse trabalho: é dançante, é foda, é bem produzido, é um hit atrás do outro, sobre coisas da vida que são difíceis de lidar. Ainda bem que o temos como trilha sonora de cada grande momento de relacionamentos de nossas vidas!

por Nô Gomes


Ouçam agora na íntegra: