ecolalia – spirits go away (EP)

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Eis aqui o trabalho solo de Reuel Albuquerque, o ecolalia  – em matéria de referências o cara não está para brincadeira, vide as camadas sonoras de seu outro projeto, a banda Jude. Mesmo assim, abracei a proposta e botei o disco pra tocar e nos primeiros 20 segundos já tinha meu veredito: ” Eu gosto disso!”.

Existe um caminho fácil para se fazer musica eletrônica, você pode acrescentar um timbre conhecido sobre uma batida já disponível e pronto, tá feita uma música novinha. Já inserir sua personalidade na música é outra história. O outro caminho, mais tortuoso, foi seguido pelo músico Reuel, que espelha o lendário Brian Eno ou Richard David Jameso mentor por trás do Aphex Twin em seu processo criativo na construção de timbres improváveis que tiram definitivamente suas músicas do lugar comum.

spirits go away é o resultado desta visão sonora, que reúne ecos do industrial de um Nine Inch Nails noventista à incidental de Junkie XL, com suas colagens e tramas. O ecolalia está um passo adiante da ”ambient music”, e abre o álbum com a faixa habitat numa narrativa ascendente que volta e meia interrompida por uma harmonia de piano, a canção não tem beats mas o resultado final é muito interessante.

A segunda faixa body lembra as colagens sonoras do projeto Cabaret Voltaire em sua fase mais experimental, sem compromisso com o pop. Acaba sendo uma extensão da faixa anterior.

fliewitchu também se beneficia de um processo de desconstrução harmônica, chega a ser inquietante, o ecolalia realmente não gosta de temas óbvios, a faixa mereceria um clipe.

9gagme é um dos trabalhos que mais gostei, divertida, etérea e cheia de surpresas. Flerta com o moderno sem abrir mão da criatividade.

body l1ves house leva a sério a verve da música incidental, e você acredita que algo está acontecendo em outro plano, fruto da habilidade de Reuel em criar ótimos temas. Uma versão maior seria bem vinda.

aria: hauges(0)ng (sim, as faixas tem títulos complexos, haha) soa mais intimista, aconselho ouvir com calma e atenção, pois o rapaz sabe guardar seus ases na manga. 

Fechando o trabalho temos inhabit, melodiosa e recheada de vocoders, parece ter saído de um disco do produtor Giorgio Moroder. Em resumo, temos um álbum bem construído e coeso, com faixas que se complementam. Mais uma de nossas tacadas certeiras.

por Edson Codenis


Ouçam agora na íntegra:

Gimu – Cell Signalling Pathways (Album)

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Carnaval tá rolando e vocês ainda ouvindo a coletânea?! Esperamos que sim (hehe). Mas bem, o que irão ouvir hoje em pleno dia de festas não são marchinhas ou algo do parecido (…) Se estás a procura de coisas animadas para levantar-se da cama e ir às ruas, é melhor encontrar outro lugar (haha).

Gilmar Monte é Gimu, um dos artistas mais ativos que teremos aqui na Crooked agora. Do Espírito Santo, já lançou mais de 20 trabalhos através de vários selos estrangeiros, a maioria britânicos, sendo físicos e virtuais. O som é bem peculiar a alguns artistas que já estão integrados aqui, como Sketchquiet, DPSMKR, Lzu; só que há mais densidade, Gimu cairia bem para uma trilha-sonora de filmes de horror e ficção científica, tipo 2001: Uma Odisseia no Espaço, Interstellar, O Iluminado, O Exorcista.

Gimu tem muitos tempos de carreira, desde os anos 90 já teve bandas e outro projetos paralelos, uma das mais legais eram o grupo Primitive Painters, onde cantava e assumia as guitarras – que tinham uma sonoridade parecida com os Jesus And Mary Chain, uma das minhas bandas de cabeceira (hehe).

O disco de estréia Cell Signalling Pathways que o capixaba está lançando hoje, contém 2 faixas bem extensas – a primeira Cell Signalling Pathways que leva ao nome do álbum tem aproximadamente 12 minutos e Circularly Polarized Light Detection 25 minutos. Ao ouvir Cell Signalling Pathways, para quem segue essa linha de ambient music e drone music, vão sentir uma referência de artistas como Biosphere, Global Communication, William Basinski, Carbon Based Lifeforms e etc e etc!

Gilmar construiu tudo por aqui, da arte da capa à produção – ele usa contra-baixo e violões mas com certeza tu não irá achá-los, porque há algo por trás de programações e mais programações de computador, fazendo várias paredes de efeitos sonoros incríveis – e é isso que se torna o Gimu original.

É um disco para se ouvir deitado, tentar esvaziar a mente, entrar em sintonia com os elementos que vão crescendo a cada minuto, sério! Você sentirá uma experiência única.

Não deixem de ouvir os outros trabalhos que ele lançou por outros selos, é formidável e ao mesmo tempo assustador sua imensa discografia – a cada disco é um conhecimento novo: www.gimu.bandcamp.com. É um prazer enorme ter Gimu em nosso time, seja bem-vindo à Crooked Tree Records!

por Mário Alencar


Ouçam agora na íntegra:

Botas Batidas – Não Adentre A Meia Noite Apenas Com Ternura (Album)

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Muitas vezes precisamos falar pouco para dizermos muito, e assim, adentremos a meia-noite mas não apenas com ternura. Adentremos em pontos reflexivos – plausível com a textura vinda de Botas Batidas, na solidão de uma rua escura, um verdadeiro pós-álcool com vida em um pouco de morte.

Quem é esse tal Botas?! Mateus de França é o responsável por esse pseudônimo, e o cearense entra hoje para o coletivo da Crooked, com o seu terceiro e mais novo álbum, que particularmente seria o melhor dos outros que Mateus já gravou; segundo nós.

Dando portas infinitas para este bossa-nova experimental (como?!) sim, quando o ouvimos, lembramos das belas cordas daquela época, mistura aí as melodias de Cartola com a loucura do harsh noise do Merzbow (que doidera da po$#@%& é essa!?!?!) sim, ouça! e entenderás se estás neste caminho. Antes de tudo, prestem atenção na faixa Agenor de Oliveira, e perceberás com clareza que o garoto tem um pouco da referência de um dos compositores que mais lutou pela sua carreira; quase uma apologia.

Algumas músicas te dão ideologias, arrepios,  euforias… e algumas te dão, você – como se pudesse ver um espelho em cada toque e em cada som, violões psicodélicos e mensagens sendo enviadas através de ondas sonoras a alegrias de quem já viveu e continua vivo.

Em todas as faixas pode se ouvir o silêncio de um grito que suplica ao dizer: Não adentre a meia noite apenas com ternura.

por Gellyvan Fernandes


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Eric Iozzi – Voyage (Album)

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Tão próximo de seu primeiro trabalho quanto a lua da terra – a lua exerce sua função sobre a terra. Se algo saiu do Casca, o seu álbum anterior foi o Voyage, não, não desse modo, e sim como uma joia espontânea e sem cicatrizes de sua formação ou de algo que venha antes dela; nua e crua.

Eric Iozzi se modela como água entra as rochas – do que eu estou falando? Estou falando de um excelente disco que vocês vão ouvir. Eu não sei como, não sei o porque, mas ele é o que é. Este é aquele tipo de material que se fosse lançado em 1976 seria um clássico, e se você mostrar hoje ao seu amigo mais próximo, ele não acreditará que é deste século.

Horas que é nostálgico, horas que é desesperador; o disco tem fases aleatórias e que o irá levar a um estado de transe, mas que há uma poesia no meio disso tudo – um belo sentido.

Místico como Kate Bush, realista como Syd Barrett e depressivo como Nick Drake; entre as paredes de concretos e os aços da cidade, vaga um rapaz chamado Eric Iozzi – que criou, produziu e gerou Voyage.

Ouçam e embarquem neste balão mágico onde você terá que tomar muito ácido para chegar ao destino.

por: Gellyvan Fernandes


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Depressa Moço! – Música Para Comerciais, Curtas-Metragens & Outras Coisas (Album)

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Só a idade contemporânea foi capaz de fazer as pessoas se relacionarem com a música numa dimensão inédita. O resultado é uma sede imensa de produzir arte, buscando as notas que flutuam internamente dentro de nós esperando serem compartilhadas com outras pessoas. E é por meio de softwares, plugs e redes que só a idade contemporânea se sobressaiu em ter acesso a obras como a do Depressa Moço!, que acaba de lançar com qualidade e feeling o seu Música Para Comerciais, Curtas-Metragens & Outras Coisas.

O título modesto é uma armadilha: por trás de cada música que poderiam não ser nada além dessas funções você encontra a profundidade da sensação transmitida e a sinceridade do músico Carlos Otávio Vianna, um carioca que já foi lançado aqui na Crooked com o seu primeiro trabalho, o álbum Playlistonde foi o segundo lançamento do selo. A propósito, o Depressa Moço! é uma das aventuras artísticas de Carlos, que acumula admiração a cada lançamento que se propõe realizar.

Todas as faixas deste segundo álbum, produzidas em seu iPad, são fruto daquelas condições necessárias para um artista existir: ele não precisa de muito pra fazer músicas  inspiradoras, e tem o que precisa pra alcançar em cheio a trilha sonora de nossas vidas ou mesmo pra nos fazer pensar em termos de mais coisas para viver e sentir.

Destaques para as faixas Cadentes, que é uma canção que poderia ser clássica da MPB com sua suavidade adoçada pelo violão, Os Lugares do Meio, que é a típica canção de cidade grande: a escutamos como se estivéssemos acordando em busca de um ritmo de vida que fosse adaptável à vida metropolitana. Se essa faixa sugere um novo dia, em Na estrada ao Entardecer, o DM reaparece com seu lado folk e nos faz sentirmos indo pra casa a pé, descendo uma ladeira e vendo o horizonte onde o sol se põe. Em Eu e Minha Viola Fora da Área de Cobertura, temos um poema reflexivo sobre o tempo, apresentado sob uma base de violão melancólica, como os fins das noites de domingo. Conversa Sob O Pessegueiro também chama atenção: parece uma daquelas canções de aeroporto de Brian Eno, que geram saudades. As demais músicas fluem muito bem para quem tem na memória o jogo da franquia Gran Turismo e se deliciava com aquelas trilhas sonoras noturnas enquanto você corria com um Mazda RX-7 em alguma estrada noturna.

A linda capa da criança é autoria do próprio, também seu filho. Música Para Comerciais, Curtas-Metragens & Outras Coisas são definitivamente quadros pintados com canções!

por: Nô Gomes


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Masm & Tamura – Pacing To (EP)

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Depois do nosso sucessinho de lançarmos nossa primeira banda no catálogo, vem aí um duo – ou quase isso!

Masm é Matheus Accioly, um artista alagoano novíssimo em termo de carreira que vem se destacando com o seu mais novo single/clipe Pedestais – onde você pode conferir aqui: www.masm.bandcamp.com/track/pedestais – mas hoje a vibe dele é outra, sem sair das suas programações pops. Matheus se juntou de alguma forma através da internet com um cara filipino, o Tamura: www.soundcloud.com/cy-tamura – que aí conseguiram construir um disco fino de música eletrônica, o Pacing To.

O duo é recente e esse EP é o único trabalho vazado até agora, esperando que saia mais um, e mais um, e mais um… Destaques para a faixa que vai te levar aos tempos primórdios do Pet Shop Boys (ufa!), Hot Techniques, a nostálgica Cathode Space e a noturna In Effigy.

Pacing To foi produzido entre Maceió e nas Filipinas, pelos próprios – Masm é quem faz toda a parte electro-instrumental (haha), e o vocal sensual estilo David Gahan é do Cy Tamura, que também fez a arte digital e mística da capa do EP.

Em breve, Masm prepara um álbum solo ainda este ano – e aguardamos com grandes expectativas para que seja um dos bons! Enfím, keep goin para os dois.

por: Mário Alencar


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Sketchquiet – Endless Roads (Album)

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Compañeros e compañeras! A Crooked Tree teve um sucesso generoso com os dois últimos discos lançados, refere-se o experimentalismo do Vol. 4 do dpsmkr e o eletrônico avant-garde de Playslit do Depressa Moço! – que em breve estarão de volta em nosso berço.

Sem mais delongas, é hora de falarmos da nossa terra; trata-se do artista Sketchquiet pseudônimo de Mário Alencar, um cara altamente produtivo – pouco reconhecido e conhecido (haha)  foi guitarrista e baixista do falecido duo Plumarino, que encerraram suas atividades a pouco tempo lançando 2 álbuns e vários singles com EPs, e atualmente é baixista e vocalista da banda de rock alternativo Flowed, que também é frontman.

Well, Endless Roads é o primeiro disco produzido no território do selo, Mário quem produziu e criou. Executando guitarras, violão de aço, contra-baixo, efeitos ambients e samples soltos de filmes importantes em cada faixa.

O álbum tem o contexto de sempre, só que menos melódico que seu primeiro trabalho, o Deep Songs For A New Reflection lançado independente em 2015 – que houve bons feedbacks pelas redes socias e blogs. O som do one man-band alagoano tem um vigor único, os riffs de guitarras dedilhadas com reverbs e delays te levam a um período de meditação intensa e profundas nostalgias de fim de tarde (to dizendo!); sem bateria ou beats – tu não vai sentir falta nenhuma disso.

Pra quem entende,  perceberão influências incríveis que estão fora do padrão musical, como o Bibio, Tim HeckerOneohtrix Point Never, William Basinski, Tape e entre tantos outros que fazem uma sonoridade diferente e original como a do SketchquietA fotografia da capa é tirada em Porto Alegre pelo artista Jonas Dalacorte (dpsmkr).

Este registro também está sendo lançado hoje pelo net label paulista Polidoro: www.polidorodiscos.bandcamp.com/album/endless-roads-2

por: Carlos Otávio Vianna


Ouçam agora na íntegra: