Os melhores discos da Crooked de 2016 – 2017. Segundo os nossos colaborados (TOP 5)

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MÁRIO ALENCAR:

Tempos Mal Vividos – Humbra (2016)

Softspoken – The Sorry Shop (2017)

Beatnik – Sebage (2017)

Brazilian Max – Os Ex-Fumantes (2017)

Marina Goes To Moon – Juna (2017)


CARLOS OTÁVIO VIANNA:

Ainda Que de Ouro e Metais – Jude (2016)

Abstrações de Você – Lzu (2016)

Voyage – Eric Iozzi (2016)

Antes Aqui Era Tudo Mato – Pacamã (2017)

Marina Goes To Moon – Juna (2017)


CLAUDIONOR GOMES:

Ainda Que de Ouro e Metais – Jude (2016)

Every Union Should Be A Lovely Union – Bad Rec Project (2017)

Oscilação – Bergamota (2017)

Antes Aqui Era Tudo Mato – Pacamã (2017)

Brejo – Mopho (2017)


VAL WAXMAN (MARCOS):

Ainda Que de Ouro e Metais – Jude (2016)

You Never Cared – Killing Surfers (2016)

Softspoken – The Sorry Shop (2017)

Great Diary Things – Mario The Alencar (2017)

Down And Out – Victor Barros (2017)


ALEXANDER MOREIRA:

Tempos Mal Vividos – Humbra (2016)

Música Para Comerciais, Curta-Metragens e Outras Coisas – Depressa Moço! (2016)

Brejo – Mopho (2017)

Antes Aqui Era Tudo Mato – Pacamã (2017)

Pedro Salvador – Pedro Salvador (2017)


SEBAGE:

You Never Cared – Killing Surfers (2016)

Ainda Que de Ouro e Metais – Jude (2016)

Saindo de Cena – Depressa Moço! (2017)

Brejo – Mopho (2017)

Brazilian Max – Os Ex-Fumantes (2017)


PAULO CÉSAR:

Ainda Que de Ouro e Metais – Jude (2016)

Brejo – Mopho (2017)

Pedro Salvador – Pedro Salvador (2017)

Beatnik – Sebage (2017)

Oscilação – Bergamota (2017)


GELLYVAN FERNANDES:

Ainda Que de Ouro e Metais – Jude (2016)

Casca – Eric Iozzi (2016)

You Never Cared – Killing Surfers (2016)

Oscilação – Bergamota (2017)

Great Diary Things – Mario The Alencar (2017)


LEONARDO OLIVEIRA:

Ainda Que De Ouro E Metais – Jude (2016)

Marina Goes To Moon – Juna (2017)

Down and Out – Victor Barros (2017)

Softposken – The Sorry Shop (2017)

Come To The Dust Nowhere – Sketchquiet (2017)


DESTAQUES:

Tempos Mal Vividos – Humbra (2016)

Ainda Que de Ouro e Metais – Jude (2016)

You Never Cared – Killing Surfers (2016)

Softspoken – The Sorry Shop (2017)

Beatnik – Sebage (2017)

Antes Aqui Era Tudo Mato – Pacamã (2017)

Brazilian Max – Os Ex-Fumantes (2017)

Marina Goes To Moon – Juna (2017)

Oscilação – Bergamota (2017)

Brejo – Mopho (2017)

Great Diary Things – Mario The Alencar (2017)

Pedro Salvador – Pedro Salvador (2017)

Down and Out – Victor Barros (2017)

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Sketchquiet – Come To The Dust Nowhere (Album)

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foto por Normando Galdino

Uma das maiores virtudes do amigo Mário Alencar, é a forma como ele usa a falta de recursos a seu favor, as sobras, ruídos e chiados da gravação acabam se incorporando às músicas e se tornam parte importante delas. E ele chega agora com o segundo disco do Sketchquiet pela Crooked Tree Records.

Mário é o Sketchquiet, que trabalha essa limitação com maestria e o resulto é um som sujo, oras delicado oras visceral e também intimista. Coisas que gostaríamos de ver em bandas maiores mas que se perdem no excesso de produção.

O homem não se preocupa com plug-ins e filtros, o que você ouve é o que ele está fazendo e ás vezes traduzem seus conflitos internos. Produzindo música em escala industrial, seguramente é o artista mais produtivo do underground brasileiro atual.

Come To The Dust Nowhere começa bem com a faixa Afterglow, é melancólica no tom certo e apresenta a maturidade sonora de uma banda que não tem pressa em agradar ninguém.

Achei que a faixa Floating On A Breeze casou bem com a atmosfera proposta pela arte de Elizeu Salazar (o artista Lzu aqui da Crooked) para a capa do disco. Sete minutos de pura viagem e introspecção! É para os amantes do selo inglês de Sheffield, Warp Records, a música lembra projetos como o Boards Of Canada ou o Aphex Twin.

Ouvi  The Earth Never Bothered To Put Words três vezes seguidas, e é hit desses que se toca no show e causa uma revolução de sensações. Alencar faz uso de suas influências sonoras e toca uma guitarra mais inspirada!

Gas Crater! Gosto dessa, é marca registrada da banda um tipo ”Sketchquiet” mesmo. Tenho impressão que estou ouvindo o one-man band murmurar a melodia pelo canto da sala instrumental que não teria melhor lugar para estar.

Sun Of The Nomads vem  quase uma balada com uma interessante levada de bateria, o sample no inicio é um complemento curioso, denunciando a participação do músico Carlos Otávio Vianna, Depressa Moço!

Os sketches sempre se dão bem quando exploram timbres mais graves, é o caso da faixa Creatures From Outer Space, aqui, a guitarra base ganhou uma irresistível sobra fragmentada.

White Ceremony ganhou vocal num disco predominantemente instrumental, outra característica forte da banda de um homem só. Mário canta num lamento esperançoso. Com ar nostálgico e que aspira bem o artista britânico Durutti Column, White Ceremony poderia ser a faixa principal do trabalho.

Desert Pyramids tem andamento lento mas é a música mais cadenciada do álbum. Envereda por outros caminhos e torna o disco mais rico. Funciona bem sozinha mas é praticamente uma armadilha para as faixas que vem a seguir.

Let the Sky Fall é puramente experimental, uma anti música com deliciosos ruídos ao final. Será que a faixa acabou ou o músico Mario Alencar simplesmente se perdeu em seus devaneios?!

Fechamos o trabalho com a faixa Ruínas – É Imersão numa track obscura, senti eco das boas bandas do pós punk com distorções rasgadas e pesadas.

Come To The Dust Nowhere esteve engavetado há um ano para ser lançado especialmente por aqui, que também está saindo junto pelo selo gaúcho Lovely Noise Records, que em 2018 promete versão física do trabalho. Se existe um nível abaixo do underground, o Sketchquiet habita ele!

E este foi o nosso último lançamento do ano. Até 2018!

por Edson Codenis


Ouçam agora na íntegra:

Pacamã – Antes Aqui Era Tudo Mato (Album)

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Num mundo onde as pessoas gostam de referendar tudo, é bom descobrir uma novidade que lembra alguma coisa mas que você não consegue definir. Sim, é muito bom descobrir algo original que tem seu jeito de ser – A banda alagoana Pacamã consegue esse feito, a começar pelo título de seu primeiro disco, Antes Aqui Era Tudo Mato.

Não é um disco bicho grilo mas possui um clima sereno, que lembra alguém que contempla uma bela paisagem longe das cidades. Com belas passagens acústicas, alguns efeitos sonoros que percorrem nossos ouvidos de um lado para o outro, guitarras esparsas e precisas que aparecem no momento certo, assim como os arranjos de cordas.

A faixa de abertura Engenho surge com um violão, sob um dueto de voz masculina e feminina que desaba em cordas e as já citadas intervenções de guitarras, a letra tem um jeito MPB”, uma forma mais lírica de falar de amores, natureza e sentimentos. Catedral, é aqui, o destaque do disco, é moderna como bandas gringas da atualidade, War On Drugs, Fossil Collective, Fleet Foxes e tanto faz, seu refrão é acentuado e gruda na cabeça. A percussiva Furdunço, tem guitarras dissonantes e distorcidas, com órgão ao fundo que remete a alguma produção da época do manguebeat, mas não necessariamente… Eddie?! Pontes e Arrois é um interlúdio soando como se estivéssemos passando por um campo lentamente a cavalo. A faixa que leva ao título do álbum lembra a onda pós rock, com seu contrabaixo forte e guitarras viajantes. Itapuã (Mudo) parece um alguém descontraído e feliz brincando com o seu ukulele na beira do rio. Fugitivo nos fazem pensar em uma noite estrelada onde dedilhamos nossa viola. E para finalizar, a derradeira Iara/Rito prova que uma música com arranjo de cordas pode ser pesada e delicada ao mesmo tempo – a letra fala sobre Iara, a mãe d’água.

O clima geral do disco me lembra o trabalho de Lula Cortes e Zé Ramalho, Paêbirú, com apresentação de um mundo fora de nossa realidade das cidades, algo que transcende o materialismo. O álbum mostra um som com pitadas de muitas coisas diferentes, mas que soa próprio nas mãos da banda, que é formada por Mateus Borges nos vocais, Igor Cavalcante na guitarra e violão, Mateus Magalhães com a percussão e vocal, Thiago Mata na bateria, violão, guitarra, contrabaixo, ukulele e vocal e Thomas Schaeffer também com um contrabaixo e guitarra, além da banda, houve participações de Ivana Fontes nos backing vocals, Tércio Smith nos violinos e violoncelos e Ceceu, teclados na faixa Engenho – a arte minimalista e que ao mesmo tempo nos remete a desenhos primitivos é de Thiago Mata.

Uma música moderna, delicada e vibrante nos momentos certos – Pacamã é um peixe da bacia do São Francisco mas que se adapta a vida em aquários e é exportado para todo mundo. Que a música do Pacamã alcance todos os aquários com fone de ouvido e alto-falantes do mundo, com as bençãos de Iara.

por Carlos Otávio Vianna e Mário Alencar


Ouçam agora na íntegra:

 

ecolalia – spirits go away (EP)

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Eis aqui o trabalho solo de Reuel Albuquerque, o ecolalia  – em matéria de referências o cara não está para brincadeira, vide as camadas sonoras de seu outro projeto, a banda Jude. Mesmo assim, abracei a proposta e botei o disco pra tocar e nos primeiros 20 segundos já tinha meu veredito: ” Eu gosto disso!”.

Existe um caminho fácil para se fazer musica eletrônica, você pode acrescentar um timbre conhecido sobre uma batida já disponível e pronto, tá feita uma música novinha. Já inserir sua personalidade na música é outra história. O outro caminho, mais tortuoso, foi seguido pelo músico Reuel, que espelha o lendário Brian Eno ou Richard David Jameso mentor por trás do Aphex Twin em seu processo criativo na construção de timbres improváveis que tiram definitivamente suas músicas do lugar comum.

spirits go away é o resultado desta visão sonora, que reúne ecos do industrial de um Nine Inch Nails noventista à incidental de Junkie XL, com suas colagens e tramas. O ecolalia está um passo adiante da ”ambient music”, e abre o álbum com a faixa habitat numa narrativa ascendente que volta e meia interrompida por uma harmonia de piano, a canção não tem beats mas o resultado final é muito interessante.

A segunda faixa body lembra as colagens sonoras do projeto Cabaret Voltaire em sua fase mais experimental, sem compromisso com o pop. Acaba sendo uma extensão da faixa anterior.

fliewitchu também se beneficia de um processo de desconstrução harmônica, chega a ser inquietante, o ecolalia realmente não gosta de temas óbvios, a faixa mereceria um clipe.

9gagme é um dos trabalhos que mais gostei, divertida, etérea e cheia de surpresas. Flerta com o moderno sem abrir mão da criatividade.

body l1ves house leva a sério a verve da música incidental, e você acredita que algo está acontecendo em outro plano, fruto da habilidade de Reuel em criar ótimos temas. Uma versão maior seria bem vinda.

aria: hauges(0)ng (sim, as faixas tem títulos complexos, haha) soa mais intimista, aconselho ouvir com calma e atenção, pois o rapaz sabe guardar seus ases na manga. 

Fechando o trabalho temos inhabit, melodiosa e recheada de vocoders, parece ter saído de um disco do produtor Giorgio Moroder. Em resumo, temos um álbum bem construído e coeso, com faixas que se complementam. Mais uma de nossas tacadas certeiras.

por Edson Codenis


Ouçam agora na íntegra:

Pedro Salvador – Pedro Salvador (Album)

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Eu conheci Pedro no Festival Maionese (AL) de 2012. De lá pra cá sempre soube que ele era um cara muito ativo na produção autoral de sua cidade. Integrando o trio Necro, agora o papo é diferente. Lançando seu primeiro solo, ele aposta numa estética que conversa com a esfera de sua banda principal. Abriu um portal e foi diretamente há 1973, e lá ele gravou todos os instrumentos debutando seu disco homônimo aqui na Crooked.

Pedro Salvador é um dos maiores músicos que a sua cidade tem, é multi-instrumentista e já participou de vários projetos na cena alagoana. O álbum que o jovem veterano está apresentando aqui hoje, foi inteiramente gravado por ele, sem precisar de apoio nenhum (haha).  Com nome homônimo possuem 15 belas faixas, algumas sendo como fragmentos, é o caso das 4 partes de Suíte Microscópica.

O primeiro registro está um misto de sons setentistas, como todos sabem, já há um tempo em que Pedro é levado por essa safra – a faixa Canção do Fim, que tem 9:49 é uma inspiração ao soul funk, tipo Funkadelic mesmo, mas tu pega um flashback do Tim Maia e depois Mutantes com aqueles vocais estilo Rita Lee e Arnaldo Baptista (haha), e isso é bom pra caral****. Temos a Canção da Lua, em que Pedro se apresentou no 1o Festival de Música Popular em Cantos de Alagoas em 2016 (tem no Youtube) que podemos até considerar um hit para o álbum – e finalizando esse ”chama ouvinte porque o troço é bão” (hahahaha), tem até um ”rocksteadyzinho” instrumental, a Bananeiras em Flor.

A produção também é assinada pelo mesmo em parceria com o Estúdio Concha Acústica, e a arte (linda) do disco foi assinada pela artista Julia Danese. Se você é daqueles como eu, que ama Mahavinishu Orquestra, Os Mutantes, O Terço, entre outros nomes proghead nessa vida, não hesite e dê o play sem culpa.

Nem só de Necro vive Pedro!

por Vinícius Dias e Mário Alencar


Ouçam agora na íntegra:

Sebage – Beatnik (Album)

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2016 foi um ano de conhecimento para a Crooked, tivemos bons e péssimos resultados, mas sem baixar a cabeça! Com muito amor e dedicação com o que fazemos por aqui, continuamos sem olhar para trás. A terra virou mais uma página, e em 2017 conquistaremos o nosso lugar pois, lutaremos até o fim para conseguir o que realmente queremos.

Sem mais delongas, apresentamos a vocês o nosso primeiro lançamento do ano! Um grande artista da terra das Alagoas, aqui, há anos de estrada – um veterano. Sebage é daqueles compositores que entendem a sua própria linguagem, proporcionando à qualquer ouvinte um sentimento de bohemia, nostalgia ou a saudade de um amor intenso. ”Since” 1984 nas estradas, ele começou com a banda Caçoa Mas Num Manga, onde havia artistas importantes da cena alagoana: Júnior Almeida,  Félix Baigon, Zé Barros e Gal Monteiro, como Sebage me passou, eles misturavam um lance new wave com caeté. Depois, vieram os seus projetos de pós-punk, a Sangue de Cristo, formada em Maceió e a Jesuítas, formada em São Paulo, quando o cara resolveu se mandar para lá! E por fim, já nos anos 2000, montou a Trindade antes de fazer a carreira solo.

O disco Beatnik é praticamente uma compilação de quase todas as faixas que Sebage gravou durante toda a sua vida, desde 2001 quando morava em São Paulo até então aqui, que agora vive em Maceió – um álbum completo, sem deixar a desejar para quem curte rock, mas é rock mesmo do que eu estou falando, sem nada piegas!

São no total 12 faixas, algumas em português e outras em inglês misturando o que há de mais vivo na safra do glam rock ou até mesmo o pós-punk e a era do proto, como MC5, Lou Reed, Iggy Pop, The Smiths, David Bowie e assim por diante que complemente esta linha destruidora.

Sebage é um dos ícones importantes da cena underground alagoana, muitos o conhecem por ter representado essa sonoridade para os nordestinos, fez versões de músicas dos Smiths como a Bigmouth Strikes Again (só procurar no Youtube) e teve uma banda cover de David Bowie enquanto estava em São Paulo, e aí já podemos entender quais são suas maiores influências já citadas aqui. Há diversas participações no disco, o cara convidou milhares de músicos para tocar suas músicas, que levaria um texto maior ainda para escrever quem seriam eles – você terá que ler as informações no Bandcamp se estiver curioso (hehe).

Escutem Beatnik no carro, na piscina, na faxina da casa porque o trabalho é para se ouvir em qualquer ambiente, em qualquer estado. A arte da capa foi feita pelo designer/ilustrador, Mário Alencar (Killing Surfers, Sketchquiet, Mario The Alencar) – vai  num bar mais próximo de sua casa e pede pro garçom por essa jóia pra rolar, só toma cuidado pra não beber demais.

por Mário Alencar


Ouçam agora na íntegra:

Fantasmas de Marte – Atmosfere (EP)

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foto por Fantasmas de Marte

Atmosfere, último lançamento do Fantasmas de Marte, reúne em seis ótimas canções tudo o que a cena atual padece: sinceridade e distorção.  A banda alagoana é formada por Fernando Pinheiro, responsável pelos vocais, guitarras e composição das letras; Normando Galdino, bateria e backing vocal  e Daniel Costa no contra-baixo. As músicas transcorrem de forma fluida, bem encadeadas, em camadas de guitarras, poesia e peso. A banda parece ter acertado na construção e no formato das músicas revezando momentos de explosão com curtos estágios de calmaria.

Uma miscelânea de influências parece delinear o som dos caras, desde punk ao indie rock, com guitarras melódicas e agressivas executadas na medida certa para cada música. Destaque para as texturas e riffs de guitarra e os vocais expressivos de Fernando Pinheiro. As letras são introspectivas e, até certo ponto, espirituais reforçando uma tendência da banda em explorar questões com foco em temas pessoais. Esta característica do EP, de fato, é um ingrediente interessante, pois fornece ao ouvinte a real sensação de estar numa atmosfera sonora densa e melódica.

A faixa título, Atmosfere, primeira do disco, costura uma cativante levada de guitarra e baixo de forma curiosa. Nesta os alagoanos não economizaram em criatividade com belas texturas de guitarra e divisões de bateria bem construídas. Em seguida vem a rápida Bolseiro com melodia grudenta e cheia de na-na-nas. Forte candidata a “hit do disco”. Luar é mais cadenciada e marca  o início de uma mudança na pegada do disco de forma necessária. A maldição, uma espécie de anti-clímax do novo registro, mostra a grande versalidade de composição da banda: solos de guitarra e mudanças bem sacadas de bateria, com ataques precisos. Cenáticos parece tomar bastante de uma possível fonte hardcore, rápida e precisa, mas sem ser clichê. Ondas Artificiais possui arranjo bem trabalhado e talvez seja a música de arranjo mais complexo aqui, com temas de guitarras cheias de delay e um ótimo trabalho com chimbal do baterista Normando Galdino. Digno de nota também é a levada de baixo de Daniel Costa, a qual sobressai de maneira pontual e sem a qual, a música não teria o mesmo charme.

A Fantasmas de Marte é indicada para aqueles que curtem som pesado, com riffs bem desenhados, mas que não dispensam boas linhas melódicas e letras marcantes. A banda mostra em Atmosfere grande competência técnica e artística e fornece um alento às nossas pobres almas, como eles mesmos dizem na faixa título, em “Um mundo repleto de dor”. Sou obrigado a concordar.

por Leonardo Oliveira


Ouçam agora na íntegra:

Killing Surfers – You Never Cared (EP)

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foto por Daniel Milano

Para noises, não há coisa mais bacana do que juntar amigos e fazer uma banda que brinque com os sons que mais gostamos – a diversão e alegria desses momentos não tem preço.

Nesse contexto, surge a banda que tem chamado atenção de quem curte um som indie, a Killing Surfers; isso mesmo, uma brincadeira que com certeza levará a um caminho sério (se não ja está…); e hoje, eles lançam o primeiro trabalho que dará a sua estréia, o EP You Never Cared.

Fundada em Maceió, Alagoas, pelo vocalista inquieto Mário Alencar (Sketchquiet; Mario The Alencar), mestre bigodon Wilson Victor, ambos responsáveis pelas paredes de guitarras distorcidas e sensacionais que permeiam o disco; e Gellyvan Fernandes (Nonsense Lyrics), querida e carismática figura alagoana, no seu contra-baixo pós-punk à la Kim Gordon.

Killing Surfers é rock, que mergulha rock na vertente shoegaze e dream pop, onde guitarras ora furiosas se misturam com passagens mais serenas. A voz amargurada de Mário sussurra alguma coisa em nossos ouvidos – nossa! Parece triste, mas não! A rapaziada não deixa a peteca cair nunca.

As influências… Os caras conhecem muitas coisas, e misturam sem piedade ou preconceito, mas o som sai naturalmente sem forçar a barra.

Vamos destacar todas as faixas desse disco, sim! porque não? I Wanna Sleep e Medications são dois embriões que parecem ter saído do trio mais barulhento de Nova Iorque desde o Sonic Youth, o A Place To Bury Strangers. Pillow Face tem uma intro suave que mergulha depois em seu ”white noise”, assim como She’s Like Heaven, bebem de grandes bandas shoegaze como My Bloody Valentine e The Jesus and Mary Chain – a delicada Sunrise, remete o clima etéreo do Cocteau TwinsSlowdive e Galaxie 500. E por fim o hit, Another Horizon, que lembra… Killing Surfers! É isso, a mistura que pode lembrar alguma banda mas tem sabor próprio.

A produção ficou encarregada pelo vocalista/guitarrista da banda, Mário Alencar, que com muito suor também fez a arte da capa de You Never Cared.

Acompanho esse caras no selo desde janeiro desse ano, e vejo como transbordam energias positivas quando falam de música ou quando fazem música; isso serve de lição de vida para mim, não perder o amor por isto mesmo que te traga apenas… Felicidade!

por Carlos Otávio Vianna


Ouçam agora na íntegra:

Masm & Tamura – Pacing To (EP)

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foto por Masm + Tamura

Depois do nosso sucessinho de lançarmos nossa primeira banda no catálogo, vem aí um duo – ou quase isso!

Masm é Matheus Accioly, um artista alagoano novíssimo em termo de carreira que vem se destacando com o seu mais novo single/clipe Pedestais – onde você pode conferir aqui: www.masm.bandcamp.com/track/pedestais – mas hoje a vibe dele é outra, sem sair das suas programações pops. Matheus se juntou de alguma forma através da internet com um cara filipino, o Tamura: www.soundcloud.com/cy-tamura – que aí conseguiram construir um disco fino de música eletrônica, o Pacing To.

O duo é recente e esse EP é o único trabalho vazado até agora, esperando que saia mais um, e mais um, e mais um… Destaques para a faixa que vai te levar aos tempos primórdios do Pet Shop Boys (ufa!), Hot Techniques, a nostálgica Cathode Space e a noturna In Effigy.

Pacing To foi produzido entre Maceió e nas Filipinas, pelos próprios – Masm é quem faz toda a parte electro-instrumental (haha), e o vocal sensual estilo David Gahan é do Cy Tamura, que também fez a arte digital e mística da capa do EP.

Em breve, Masm prepara um álbum solo ainda este ano – e aguardamos com grandes expectativas para que seja um dos bons! Enfím, keep goin para os dois.

por Mário Alencar


Ouçam agora na íntegra:

Mario The Alencar – Addicted Lovers (Album)

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foto por Mario The Alencar

O forno não pára! E com uma cereja no bolo sai o nosso Addicted Lovers. É, pessoal – para complementar e não parar a cozinha da Crooked, vem o 7º – Como diria Júpiter Maçã: O 7 é um número místico. Depois do excelente resultado do trabalho de Eric Iozzi, a borboleta ou o bicho que saiu do Casca, seu álbum recentemente lançado – trouxemos agora mais um homem-orquestra, sim, mais um.

Falamos de Mário Alencar, que desde 2009 está na ativa como Mario the Alencar; e hoje, ele lança o seu 12º registro deste primeiro projeto de quarto, um álbum aéreo e firme.

Usando quase o seu próprio nome de nascimento (haha), ele nos leva de onde nunca deveríamos ter saído – a simplicidade e viajem de Addicted Lovers é de arrepiar e doer a alma. Esta joia cuspida de uma ostra te levará a caras muito fodas – Nick Drake, Jeff Buckley, Elliott Smith e até mesmo, as guitarras distorcidas com riffs tortos e dissonantes de bandas como My Bloody Valentine e Sonic Youth.

Eu poderia ficar horas e horas expressando meus sentimentos pelo novo álbum de Mário – eu quero que você ouça, eu quero que sinta o que eu senti ou melhor, sinta o que conseguir.

Alencar como sempre gravou e produziu – aqui ele canta, diferente do seu mais novo projeto paralelo, Sketchquiet. Ele executa uma variedade de instrumentos – guitarras, violão de aço, contra-baixo, programações e  gaita. O lindo desenho da capa é feita pelo próprio, que também é ilustrador e designer.

Mário Alencar é um membro importante no cenário underground alagoano – e só ver isso quem quer!

por Gellyvan Fernandes


Ouçam agora na íntegra: