Killing Surfers – Nothing Is Heading (Album)

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foto por Taynah

Em 2018 o selo Crooked Tree Records comemora dois anos de existência com o lançamento do álbum da Killing Surfers. A banda que lança seu primeiro álbum completo, Nothing Is Heading, passou por mudanças desde o lançamento do seu EP em 2016; trocou de nome, de formação.

Aatualmente é formada pelo frontman Mário Alencar (guitarra e voz), Wilson Victor (guitarra), Gabriel Araújo (Baixo) e Normando Galdino (Bateria).

O som da banda emerge da paixão dos integrantes pelo shoegaze e o rock alternativo dos anos 90, bandas como My Bloody Valentine, The Jesus And Mary Chain, Sonic Youth, mas se destaca por não copiar ou requentar uma fórmula estabelecida. O som de Nothing Is Heading é vibrante e variado, a cozinha de Gabriel e Normando faz mais do que manter o ritmo, imprime mudanças de direção na melodia, deixando Mário e Wilson povoarem as canções com belas e cortantes guitarras cheias de fuzz, reverb e outros efeitos.

A voz de Mário Alencar apesar de carregar o clima introspectivo dos ”shoegazers” também surge rasgada em algumas canções, o que tira a banda do lugar comum praticado por muitas bandas que seguem por essa trilha. Vamos ao faixa a faixa?

Rebirth abre o disco com guitarras fuzz climáticas e logo de cara um baixo pulsante faz o corpo mexer de leve, em uma dancinha desengonçada e feliz; logo depois acalma o mar de guitarras para a voz nos contar sobre desilusões, e amores, alternada entre o suave e o rasgado.

Shadows Go Away , a mais lenta, tem um clima mais tradicional com a voz soando mais preguiçosa e com um backing vocal bacana no fim da música. A letra é especial, foi escrita pelo ex baixista da banda Gellyvan Fernandes, ou seja, o Nonsense Lyrics; Fernandes foi quem gravou os baixos do EP You Never Cared de 2016.

Em Everything’s Going Down tem guitarras com vibrato que iniciam a música também mais lenta, com um groove mais tribal que as anteriores.

A coisa muda em Midnight Ghosts, o ritmo frenético quase pós hardcore e grunge vem com partes de ”drum’n bass” (da ótima bateria de Galdino) que se destacam na música.

Crawl segue numa levada pós punk também mais “uptempo”, em relação às três primeiras, com uma batida mais dançante que Midnight Ghosts.

Guitarras em reverso são a tônica da faixa título do álbum. Um interlúdio.

A faixa Special Mend abre com guitarras cheias de reverb mas logo deixa entrar o mar de distorções, que tem um riff que gruda na cabeça e conduz a melodia da música. O baixo de Gabriel pulsa novamente e se destaca na faixa. Essa faixa pode-se considerar um dos hits do registro.

Seguimos com a densa Discomfort, que surge de forma “shoegaze tradicional” e que depois toma um rumo quase pós rock em que Mário canta com uma voz desesperada e quase “grunge”.

Chegamos a mais um hit do disco; Rest Your Head. Guitarra que gruda nas meninges, bateria “primitiva” no estilo Jesus And Mary Chain em seu primeiro disco, Psychocandy e eis que surge uma bela voz feminina, cortesia de Ellen Farias fazendo participação que trás um ar de dream pop à canção – e ainda tem clima de bossa nova torta no meio. Sensacional! É pra deixar no repeat.

Deu para perceber que apesar da referência noise pop temos muita coisa debaixo dessa roupagem. Talvez possamos citar novas bandas como o A Place to Bury Strangers ou as brasileiras de hoje em dia como o Justine Never Knew The Rules, que produzem algo semelhante.

O álbum termina com a faixa The Bright Colors que remete um pouco aos trabalhos mais experimentais de Mário Alencar como o Sketchquiet, mas com muito Slowdive e Cocteau Twins na atmosfera da melodia. Belo disco!!!

Artistas como Jude, Humbra, Sebage, Pedro Salvador, Pacamã, The Sorry Shop deram um saudável empurrão na qualidade do som produzido pela Crooked. Esse disco faz parte dessa “nova fase”, bem trabalhado e refinado mas mantém o clima low fi tão querido pelo selo. O álbum será distribuído também pelo selo gaúcho Lovely Noise Records.

Nothing Is Heading abre os lançamentos de 2018 e vai gerar expectativas em relação aos trabalhos de novos artistas do selo e dos novos trabalhos de “veteranos” como Humbra, Jude, Sebage. Eu digo que estas expectativas serão todas superadas!

por Carlos Otávio Vianna


Ouçam agora na íntegra:

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Os melhores discos da Crooked de 2016 – 2017. Segundo os nossos colaborados (TOP 5)

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MÁRIO ALENCAR:

Tempos Mal Vividos – Humbra (2016)

Softspoken – The Sorry Shop (2017)

Beatnik – Sebage (2017)

Brazilian Max – Os Ex-Fumantes (2017)

Marina Goes To Moon – Juna (2017)


CARLOS OTÁVIO VIANNA:

Ainda Que de Ouro e Metais – Jude (2016)

Abstrações de Você – Lzu (2016)

Voyage – Eric Iozzi (2016)

Antes Aqui Era Tudo Mato – Pacamã (2017)

Marina Goes To Moon – Juna (2017)


CLAUDIONOR GOMES:

Ainda Que de Ouro e Metais – Jude (2016)

Every Union Should Be A Lovely Union – Bad Rec Project (2017)

Oscilação – Bergamota (2017)

Antes Aqui Era Tudo Mato – Pacamã (2017)

Brejo – Mopho (2017)


VAL WAXMAN (MARCOS):

Ainda Que de Ouro e Metais – Jude (2016)

You Never Cared – Killing Surfers (2016)

Softspoken – The Sorry Shop (2017)

Great Diary Things – Mario The Alencar (2017)

Down And Out – Victor Barros (2017)


ALEXANDER MOREIRA:

Tempos Mal Vividos – Humbra (2016)

Música Para Comerciais, Curta-Metragens e Outras Coisas – Depressa Moço! (2016)

Brejo – Mopho (2017)

Antes Aqui Era Tudo Mato – Pacamã (2017)

Pedro Salvador – Pedro Salvador (2017)


SEBAGE:

You Never Cared – Killing Surfers (2016)

Ainda Que de Ouro e Metais – Jude (2016)

Saindo de Cena – Depressa Moço! (2017)

Brejo – Mopho (2017)

Brazilian Max – Os Ex-Fumantes (2017)


PAULO CÉSAR:

Ainda Que de Ouro e Metais – Jude (2016)

Brejo – Mopho (2017)

Pedro Salvador – Pedro Salvador (2017)

Beatnik – Sebage (2017)

Oscilação – Bergamota (2017)


GELLYVAN FERNANDES:

Ainda Que de Ouro e Metais – Jude (2016)

Casca – Eric Iozzi (2016)

You Never Cared – Killing Surfers (2016)

Oscilação – Bergamota (2017)

Great Diary Things – Mario The Alencar (2017)


LEONARDO OLIVEIRA:

Ainda Que De Ouro E Metais – Jude (2016)

Marina Goes To Moon – Juna (2017)

Down and Out – Victor Barros (2017)

Softposken – The Sorry Shop (2017)

Come To The Dust Nowhere – Sketchquiet (2017)


DESTAQUES:

Tempos Mal Vividos – Humbra (2016)

Ainda Que de Ouro e Metais – Jude (2016)

You Never Cared – Killing Surfers (2016)

Softspoken – The Sorry Shop (2017)

Beatnik – Sebage (2017)

Antes Aqui Era Tudo Mato – Pacamã (2017)

Brazilian Max – Os Ex-Fumantes (2017)

Marina Goes To Moon – Juna (2017)

Oscilação – Bergamota (2017)

Brejo – Mopho (2017)

Great Diary Things – Mario The Alencar (2017)

Pedro Salvador – Pedro Salvador (2017)

Down and Out – Victor Barros (2017)

Sketchquiet – Come To The Dust Nowhere (Album)

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foto por Normando Galdino

Uma das maiores virtudes do amigo Mário Alencar, é a forma como ele usa a falta de recursos a seu favor, as sobras, ruídos e chiados da gravação acabam se incorporando às músicas e se tornam parte importante delas. E ele chega agora com o segundo disco do Sketchquiet pela Crooked Tree Records.

Mário é o Sketchquiet, que trabalha essa limitação com maestria e o resulto é um som sujo, oras delicado oras visceral e também intimista. Coisas que gostaríamos de ver em bandas maiores mas que se perdem no excesso de produção.

O homem não se preocupa com plug-ins e filtros, o que você ouve é o que ele está fazendo e ás vezes traduzem seus conflitos internos. Produzindo música em escala industrial, seguramente é o artista mais produtivo do underground brasileiro atual.

Come To The Dust Nowhere começa bem com a faixa Afterglow, é melancólica no tom certo e apresenta a maturidade sonora de uma banda que não tem pressa em agradar ninguém.

Achei que a faixa Floating On A Breeze casou bem com a atmosfera proposta pela arte de Elizeu Salazar (o artista Lzu aqui da Crooked) para a capa do disco. Sete minutos de pura viagem e introspecção! É para os amantes do selo inglês de Sheffield, Warp Records, a música lembra projetos como o Boards Of Canada ou o Aphex Twin.

Ouvi  The Earth Never Bothered To Put Words três vezes seguidas, e é hit desses que se toca no show e causa uma revolução de sensações. Alencar faz uso de suas influências sonoras e toca uma guitarra mais inspirada!

Gas Crater! Gosto dessa, é marca registrada da banda um tipo ”Sketchquiet” mesmo. Tenho impressão que estou ouvindo o one-man band murmurar a melodia pelo canto da sala instrumental que não teria melhor lugar para estar.

Sun Of The Nomads vem  quase uma balada com uma interessante levada de bateria, o sample no inicio é um complemento curioso, denunciando a participação do músico Carlos Otávio Vianna, Depressa Moço!

Os sketches sempre se dão bem quando exploram timbres mais graves, é o caso da faixa Creatures From Outer Space, aqui, a guitarra base ganhou uma irresistível sobra fragmentada.

White Ceremony ganhou vocal num disco predominantemente instrumental, outra característica forte da banda de um homem só. Mário canta num lamento esperançoso. Com ar nostálgico e que aspira bem o artista britânico Durutti Column, White Ceremony poderia ser a faixa principal do trabalho.

Desert Pyramids tem andamento lento mas é a música mais cadenciada do álbum. Envereda por outros caminhos e torna o disco mais rico. Funciona bem sozinha mas é praticamente uma armadilha para as faixas que vem a seguir.

Let the Sky Fall é puramente experimental, uma anti música com deliciosos ruídos ao final. Será que a faixa acabou ou o músico Mario Alencar simplesmente se perdeu em seus devaneios?!

Fechamos o trabalho com a faixa Ruínas – É Imersão numa track obscura, senti eco das boas bandas do pós punk com distorções rasgadas e pesadas.

Come To The Dust Nowhere esteve engavetado há um ano para ser lançado especialmente por aqui, que também está saindo junto pelo selo gaúcho Lovely Noise Records, que em 2018 promete versão física do trabalho. Se existe um nível abaixo do underground, o Sketchquiet habita ele!

E este foi o nosso último lançamento do ano. Até 2018!

por Edson Codenis


Ouçam agora na íntegra:

Victor Barros – Down and Out (EP)

 

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Foto por Taynah

 


Down and Out é o título do EP de Victor Barros, produzido no Estúdio Lofizêra em Alagoas e lançado pela Crooked Tree Records agora em novembro. A arte da capa ficou por conta de Mário Alencar (Killing Surfers, Sketchquiet), que também foi incumbido de desenhar as linhas de baixo. A banda conta ainda com Gibson Soares (guitarras) e Luan Marcel (bateria). Os vocais e violões são de Victor Barros.

Apesar do lançamento ocorrer no fim desta primavera, Down and Out tem toda a cara de Outono, como uma atmosfera de ocaso de um pôr do sol mais cinza que colorido. Podemos ouvir seis músicas semi acústicas em tom melancólico e com letras muito boas, cantadas por um estilo de vocal quase barítono de Victor Barros, lembrando referências como Jim Morrison à Eddie Vedder.

Calling Home abre o disco de forma serena. Uma balada levada no violão e entrecortada por um tema de guitarra, que combinou bem com o estilo (E a maneira de cantar). Destaque para a letra com bons recortes filosóficos como nos versos Reflections on the mirror / It shows a living thing

Stay, a segunda música, com o refrão que diz Stay / you know it can’t be real / Stay / There’s nothing in between / Stay / Reality is not the same é quase um contraponto de sua antecessora. Mais acelerada, mudanças rítmicas interessantes e um vocal mais ácido dão o cartão de visitas da próxima música.

How Could I Know? mantém a pegada com Victor Barros soltando ainda mais o vocal e me evocou em certas passagens, referências como de Neil Young e do próprio Pearl Jam. É a música com mais peso e um refrão que deve funcionar muito bem nas apresentações ao vivo.

Down and Out, canção que dá nome ao trabalho, tem um arranjo bem trabalhado com violões, guitarras e vocais bem expressivos, que de fato, parecem ser a marca deste disco.

A quinta música, Expectations, parece ser para mim a canção mais bonita e poderia facilmente estar em muitos ”top 5” das músicas lançadas por artistas independentes em 2017.  Os bons timbres de violão e guitarra, delineados por uma linha de baixo interessante produzem uma atmosfera elegante, que é um prato cheio para a melodia vocal.

O trabalho encerra com Fire, a mais ”indie” das seis, digamos assim. Victor Barros opta por um vocal mais soturno, que me rememora algo de Paul Banks no verso You had to run away / No one could stay o que é, de minha parte, um elogio sem precedentes (rs).

A banda funcionou bem como um todo em Down and Out e a química parece ter dado certo. Ao explorar essa faceta semi acústica conseguem um certo ar de naturalidade às músicas, porque provavelmente foi no violão que elas devem ter surgido pela primeira vez. Então, muito do caminho da produção pode ter sido facilitado. As letras variando ora mais confessionais, ora mais filosóficas são outro destaque. De modo geral Victor Barros entrega bem o que promete e desponta como uma das vozes mais outonais do rock alternativo no país. Em plena primavera.

por Leonardo Oliveira


Ouçam agora na íntegra: 

The Sorry Shop – Softspoken (Album)

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Acaba de desembarcar por aqui o Softspoken, lançamento deste ano da Sorry Shop pela Crooked Tree Records. O álbum tem a missão de suceder o elogiado Mnemonic Syncretism, de 2013. Sons oníricos e cativantes são a marca deste álbum, que mostra a habilidade da banda em produzir uma espécie de psicodelia shoegaze, se é que se pode dizer assim.

Em Softspoken, camadas de guitarras e vocais soterrados produzem uma poderosa combinação instrumental e poética, a qual permeia por todas as canções. As letras são bem interessantes e ao que tudo indica, no conjunto da obra, sugerem o fluxo de uma história, ou uma viagem onírica, como já dito antes – se não foi proposital, o resultado ficou genial. Até a 5ª faixa, Lost in Between, somos convidados a mergulhar num sonho distorcido, etéreo, que de certa forma traduz-se no refrão ”Again / Lost in between”. A 6º canção, que dá nome ao disco, mais curta e suave, sugere uma transição “Ao lado de lá” ao finalizar com a emblemática frase: “I have a little secret / no one knows”. A partir desse ponto as musicas falam de segredos e imagens oníricas ainda mais etéreos. Destaque para Queen of the North e Keepsake, que reforçam essa ideia de imersão e segredos. O disco termina com um convite e uma constatação “Come out to play / Nowhere safe”.

É notório as referências da banda que vai do dream pop do Slowdive ao shoegaze do My Bloody Valentine, mas The Sorry Shop tem um caminho único para as suas canções cheias de originalidade – formada por Marcos Alaniz  (Vocais, guitarra e percussão), Mônica Reguffe (Contrabaixo e vocais), Régis Garcia (Guitarra), Kelvin Tomaz (Guitarra e vocais) e Eduardo Custódio (Bateria). A arte da capa ficou por conta de Meire Todão.

Dentro da proposta da banda o álbum é muito  bem produzido e teve um bom trabalho de mixagem e masterização, graças a própria Sorry Shop, que deixou as músicas fáceis de se ouvir. Quando apreciado com cuidado, a experiência é ainda melhor. A cada compasso um detalhe, uma dica do que está por vir – pode também não ter sido intencional, mas, como nos sonhos, Softspoken acaba sem nos avisar. Na melhor parte, incrível!

O álbum também está saindo hoje pelo selo dos queridos Lovely Noise Records.

por Leonardo Oliveira


Ouçam agora na íntegra:

Juna – Marina Goes To Moon (EP)

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Inspirador. Foi a palavra que me veio na primeira audição de Marina Goes to Moon, EP do duo gaúcho, Juna, que acaba de sair pela Crooked Tree Records. As cinco músicas, gravadas no verão deste ano em São Leopoldo, RS, são bem produzidas e encadeadas de uma maneira agradável, provocando (talvez de forma intencional) essa sensação de imersão, onde a cada faixa um aspecto novo é colocado, em doses homeopáticas, para o ouvinte.

A banda é formada por Victória Appollo (guitarra, violões, teclados e vocais) e Thomas Almeida (bateria, guitarra, contra-baixo e vocais). Para a gravação houve ainda as participações de Daniel Rosemberg e Clandio De Bem.

Prologue, a primeira música do EP, dá o tom do que virá. Música cativante e acompanhada do belo jogo de vozes cheias de personalidade feito por Victória Appollo e Thomas Almeida.

Marina Goes to Moon, faixa título, traz um belo refrão capaz de grudar na sua mente durante o dia inteiro (acredite rs). Há um quê de pop rock, mas delicioso de se ouvir no refrão “I don’t want to be be be be be yours anymore”. O solo de guitarra demonstra a capacidade da banda em unir arranjos de fácil degustação, com técnica elaborada.

Em Aniram é possível perceber o cuidadoso trabalho de mixagem, que produziu uma atmosfera sonora única. Digno de nota são as camadas de guitarras cheias de delay, as quais ressoam de um lado a outro em excelentes divisões que preenchem os espaços na medida certa, sem soar exagerado ou fora de propósito.

Drop the Satellites dá continuidade e liga ao EP e surpreende com outra faceta da banda. Nesta faixa a dupla investe em uma canção com pegada mais pesada, no entanto, sem perder a característica psicodélica das guitarras. A mudança de andamento (e clima) na metade final da música é outra boa sacada.

O EP fecha com a faixa Reprise/Two times, a qual remete, nos minutos iniciais, a uma versão mais lenta de prologue e termina com uma balada lo-fi voz e violão.

É possível observar muitas influências que delineiam o som da Juna que vão desde o space rock, new wave e progressivo até o post-punk. De maneira geral o EP é muito bem produzido, tem conceito bem amarrado e desperta curiosidade sobre o que mais vem por aí.

A capa, de Maria Bitencourt, possivelmente inspirada num dos primeiros filmes da história, o La Voyage Dans La Lune é outro ponto forte. Tanto no filme, quanto no EP há um aspecto de busca e de descobrimento que transcende à época em que foram concebidos. Outra banda que bebeu desta mesma fonte foi o Smashing Punpkins em Tonight, Tonight, que é um clássico para dizer o mínimo. Não sei dizer se Marina Goes to Moon será um clássico tal qual as referências que usou, mas com certeza já nasce grande e bem promissor. No mínimo a arte consegue imprimir não apenas o conceito do disco em si, como também o da banda como um todo.

O ouvinte receberá um singelo convite para além do mundo da lua, mas sim para o mundo de Juna. Boa viagem!

por Leonardo Oliveira


Ouçam agora na íntegra:

The Crooked Friends Collective – Vol. 1 (Coletânea 1 ano de Crooked Tree Records)

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O tempo anda sem percebermos quando estamos em atividade, não? Melhor ainda quando fazemos algo com a própria alma.

No final de 2015, logo no natal, fui tendo uma ideia de poder ajudar um pessoal que eu observava de longe, bem distante; mas essa galera não era apenas uma galera comum, eram artistas, que andavam em seus próprios quartos, porões e até mesmo estúdios para criarem, criarem música. Essas pessoas vivem trancafiadas dias após dias para construírem algo que vem delas mesmas, com muito amor e carinho. Mas essas pessoas estavam acanhadas de mostrarem isso a uma rede social, ao mundo que os tem ao redor, foi daí que a Crooked Tree Records nasceu, junto com uns amigos que conheci a pouco tempo, e que tinham os mesmos caminhos.

Agora, o selo completa 1 ano de aniversário – com 23 discos no catálogo e 19 artistas. Esses talentos estão divididos pelo mundo: Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Alagoas, Goiânia e até mesmo a Espanha. Tivemos altos e baixos por aqui, mas sempre com o orgulho de fazer parte desta equipe que vem lutando pelo seu espaço, tendo ideias e mais ideias sem cessar.

Uma salva de palmas para todos que estão envolvidos a Crooked Tree, sem o apoio de vocês este sonho não se tornaria tão real – grande honra está ao lado de grandes artistas e bandas, aprendendo a cada dia uma imensidão diferente. Vocês são incríveis!

Mas parando com toda essa choramingueira! (haha) Temos aqui de presente para nossos ouvintes fies (rsrs) – uma coletânea com quase todos os artistas do selo, os que marcaram mais no ano passado e até então em janeiro. Um punhado de canções inéditas que foram gravadas justamente para isso, e outras que já foram lançadas em outras plataformas. Fiquem com os projeto solos do Depressa Moço!, Mario The Alencar, Nonsense Lyrics, Sebage, Wands (projeto solo do vocalista da banda Pormenores), Hesla (nova empreitada do artista Diaz, que em breve estará lançando disco por aqui) – também com os experimentalismos do Sketchquiet, Eric Iozzi, Botas Batidas, Lzu, dpsmkr – e as bandas Killing Surfers, Humbra, Fantasmas de Marte e The Modem. Mas antes de tudo! Vamos tirar mais um pouco a preguiça para lermos mais um pouco alguns depoimentos de alguns artistas, Leonardo Oliveira da Humbra, Carlos Otávio Vianna, Depressa Moço! e ah! Os videozinhos da bandas Jude Edson Codenis da The Modem, agradecendo-nos e dando os parabéns – ”rock n’rooooll hey! rock n’rooooool rock! rock n’rooool hey!”.

por Mário Alencar


Carlos Otávio Vianna (Depressa Moço!):

O ano de 2016 não foi fácil!!! O mundo e não só nosso país sofreram com crises econômicas e políticas. Muita coisa está mudando, o mundo toma conhecimento de diferentes
culturas, hábitos até então relegados a uma posição submissa. A diversidade é enorme, temos muita coisa diferente ao nosso alcance, ainda mais com as ferramentas tecnológicas que temos hoje em dia. Mas por mais estranho que pareça boa parte das pessoas não está
arriscando no novo, no diferente….o medo do novo sempre existiu, mas talvez preguiça…já que temos tanto a mão. Não queremos perder tempo!!!! Perdemos tanto tempo pensando nisso…

Em fevereiro de 2016 surgiu em Maceió, Alagoas, o selo Crooked Tree Records, projeto da cebeça do inquieto Mário Alencar. O selo queria divulgar artistas independentes de qualquer lugar do país, e abria um leque enorme de opções sonoras. Não importando se era gravação caseira ou profissional, se valia a  pena era lançado. ser era uma banda ou um homem banda (atenção meninas, esta faltando mulher- banda ou banda de meninas no pedaço!).

Rock em português da Pormenores, Fantasmas de Marte, Jude, Humbra, Primavera. Pop eletrônico do The Modem, MASM, também musica minimalista experimental de DPSMKR, Sketchquiet, Gimu, Botas Batidas . Musica passional de Nonsense Lyrics e Mario the Alencar. Paisagens sonoras criadas por Eric Iozzi e LZU, sons eletrônicos e acústicos de Depressa moço!, DIAZ e o shoegaze da Killing Surfers. Uma diversidade que fez bem a todos, onde se criaram novas amizades e união em torno da música. Essa crença na diversidade acho que favoreceu a vários artistas do selo estarem presentes em listas de melhores do ano, as vezes mais de um artista numa mesma lista e junto com ˜medalhões” da industria
fonográfica e artistas com mais exposição na grande mídia. Fiquei feliz em fazer parte desse combo.

Agora, para celebrar um ano de existência, a Crooked Tree Records vai lançar uma coletânea de seus artistas. Ela representa bem o que falei anteriormente, um caleidoscópio sonoro (se isso é possível, he he) onde cada artista contribuiu com uma musica, na maioria inédita em seus trabalhos. Ouça, arrisque…se você não gostar,  tudo bem, saberá que existe muita coisa diferente para conhecer. O mundo precisa disso!!!


Leonardo Oliveira (Humbra):

O ano de 2016 começava para nós de forma despretensiosa. Estávamos montando novo repertório e decidindo qual direção daríamos à banda. Foi aí que tivemos a ideia de gravar um conjunto de 5 músicas de diferentes fases de nossas vidas, o Tempos Mal Vividos.

E foi assim, experimentando o passado,  testando antigos arranjos há muito empoeirados nos meandros de nossas mentes, que este disquinho despretensioso rendeu para nós da Humbra a oportunidade de entrar pra Crooked Tree Records e ampliar sobremaneira as possibilidades da  banda como um todo. O que mais nos chamou atenção na Crooked foi a diversidade e a capacidade de reunir de forma uníssona tanta gente diferente; uma verdadeira lente num mar de informação que nos fornece um belo recorte da cena que se forma no país.


Edson Codenis (The Modem):


Reuel Albuquerque e Alexander Campos (Jude):


Ouçam agora na íntegra:

Killing Surfers – You Never Cared (EP)

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foto por Daniel Milano

Para noises, não há coisa mais bacana do que juntar amigos e fazer uma banda que brinque com os sons que mais gostamos – a diversão e alegria desses momentos não tem preço.

Nesse contexto, surge a banda que tem chamado atenção de quem curte um som indie, a Killing Surfers; isso mesmo, uma brincadeira que com certeza levará a um caminho sério (se não ja está…); e hoje, eles lançam o primeiro trabalho que dará a sua estréia, o EP You Never Cared.

Fundada em Maceió, Alagoas, pelo vocalista inquieto Mário Alencar (Sketchquiet; Mario The Alencar), mestre bigodon Wilson Victor, ambos responsáveis pelas paredes de guitarras distorcidas e sensacionais que permeiam o disco; e Gellyvan Fernandes (Nonsense Lyrics), querida e carismática figura alagoana, no seu contra-baixo pós-punk à la Kim Gordon.

Killing Surfers é rock, que mergulha rock na vertente shoegaze e dream pop, onde guitarras ora furiosas se misturam com passagens mais serenas. A voz amargurada de Mário sussurra alguma coisa em nossos ouvidos – nossa! Parece triste, mas não! A rapaziada não deixa a peteca cair nunca.

As influências… Os caras conhecem muitas coisas, e misturam sem piedade ou preconceito, mas o som sai naturalmente sem forçar a barra.

Vamos destacar todas as faixas desse disco, sim! porque não? I Wanna Sleep e Medications são dois embriões que parecem ter saído do trio mais barulhento de Nova Iorque desde o Sonic Youth, o A Place To Bury Strangers. Pillow Face tem uma intro suave que mergulha depois em seu ”white noise”, assim como She’s Like Heaven, bebem de grandes bandas shoegaze como My Bloody Valentine e The Jesus and Mary Chain – a delicada Sunrise, remete o clima etéreo do Cocteau TwinsSlowdive e Galaxie 500. E por fim o hit, Another Horizon, que lembra… Killing Surfers! É isso, a mistura que pode lembrar alguma banda mas tem sabor próprio.

A produção ficou encarregada pelo vocalista/guitarrista da banda, Mário Alencar, que com muito suor também fez a arte da capa de You Never Cared.

Acompanho esse caras no selo desde janeiro desse ano, e vejo como transbordam energias positivas quando falam de música ou quando fazem música; isso serve de lição de vida para mim, não perder o amor por isto mesmo que te traga apenas… Felicidade!

por Carlos Otávio Vianna


Ouçam agora na íntegra:

Vera Fauna – A | B (EP)

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foto por Vera Fauna

O selo Crooked Tree Records trabalha com musica independente feita aqui no Brasil – várias vertentes, música ambiente, eletrônica, experimental, folk, rock pesado, rock psicodélico e por aí vai, galerinha (haha).

A internet proporciona fatos inusitados como dividir seu gosto musical com pessoas muito distantes de nós. Ao enviar uma mensagem comentando sobre o bom EP da banda Primavera, lançado nesse ano, o espanhol Kike Suárez nos apresentou o som da sua Vera Fauna. Assim surgiu o primeiro lançamento internacional do nosso selo, o EP A | B.

A Vera Fauna é formada pelos espanhóis: Javier Blanco, Jaime de Sobrino, Juanlu Romero e o frontman Kike Suárez, fazendo um belo trabalho de guitarras e vozes psicodélicas.

São duas faixas: Quiebro y Nada, com seu clima ensolarado que remete a bandas recentes que com certeza devem curtir uma praia, como o Tame Impala, Mac DeMarco, Real Estate, Girls – e a faixa Poniente, cheia de phasers pra dar aquela brisa. A ilustra da capa que achamos que deve interpretar algo feminista (?) é de um tal de Jeice2 (é isso mesmo!)

A língua não será barreira para que você aprecie o bom som desse quarteto de Sevilha, o vocalista Kike, disse que há um movimento de bandas de rock psicodélicas que vem tendo um bom destaque, e essa parceria vai ajudar a divulgar a música deles por aqui e de nossos projetos pelo underground do velho continente.

por: Carlos Otávio Vianna


Ouçam agora na íntegra:

Primavera – Primavera (EP)

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foto por Primavera

Quando a galera pensa que a gente amarelou mas… VRA (!!!)

Chegando ao 10º lançamento, trazemos a banda Primavera – pois é amiguinhos da Crooked, nossa segunda bandinha no catálogo é de Goiás, e o trio é formado por garotos que tomam o ácido da psicodelia dos anos 70 – só que com um toque mais ”hypado” (haha).

Isaque Saraiva além de executar as guitarras e os vocais principais,  é o frontman que deu o ponta pé inicial na idéia – chamando dois amigos para dar a liberdade de tocarem os outros instrumentos, Victor Rabelo no contra-baixo e Matheus Gonzaga na bateria. O EP com nome homônimo foi gravado e produzido pelo próprio inventor da história, e posso-lhes dizer que, o disco está uma delícia (hehe), com cores alaranjadas e amareladas – dá até pra fazer um suco de frutas cítricas (cês devem entender o que estou dizendo, hoho); como os Mutantes ao moderno e primeiro disco do Tame Impala.

O que eles estão lançando hoje, é o primeiro trabalho – então prestem muita atenção no som de gente grande que esses caras estão fazendo, vale cada faixa sem pular mas, destacaremos aqui as mais hipnóticas do cardápio; Acorde; Seu Céu é Tão Alto e a instrumental que encerra essa viagem, Trance. A foto da capa que lembra uma bela pintura do Van Gogh é tirada pelo Isaque Saraiva.

para fechar as portas,  deixemos uma citação fofa do nosso artista Depressa Moço!: ”Para mim, o psicodelismo salvou a música pop!” E achamos que o Primavera também.

por Mário Alencar


Ouçam agora na íntegra: