Humbra – 1/4 Para As Horas (EP)

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foto por Humbra

O que era a Humbra em Tempos Mal Vividos?! Em 1/4 Para as Horas, eles constroem o seu próprio Jar of Flies (haha), acústico e com muita pegada de slides. Acendam todas as velas que puderem de suas casas e entrem no clima de ”unplugged”.

A Humbra é um quarteto do Rio de Janeiro que já está nas ”roads” desde 2014, entraram para o selo em 2016 com o EP já citado. Sempre a procura de desvendar novos estilos, eles não tem medo de saírem da zona de habitat, digo, para quem os conhece a Humbra segue o som dos anos 90, como Alice In Chains, Tad, Soundgarden, Stone Temple Pilots, mas estão sempre a frente experimentando seus feelings e valores.

O novo EP tem uma certa delicadeza, com nenhuma distorção de fuzz e ruídos no que você ouviu em Tempos Mal Vividos,  1/4 Para As Horas é mais cuidadoso, percebe-se pelas letras e arranjos que estão com uma certa maturidade e um sentimento a flor da pele, os caras fizeram até uma versão de River Of Deceit do Mad Season como uma faixa bônus para o disco. O registro é pequeno, justamente para repetir quantas vezes você quiser, é um trabalho com uma expressão muito viva e merece muitos plays (haha).

Todo esse belo trampo foi produzido pela própria banda, Leonardo Oliveira (guitarra, violão e vocais), Val Waxman (Guitarra e violão), Bruno Monteiro (Bateria) e Fabiano Cunha (Contrabaixo e backing vocal), e não podemos esquecer da participação de Paulo Marinho nas baterias da 4ª faixa Avise-me, que acredito que seja um hit grandioso do disco.  

A arte da capa é de Art Vanderlay, que me fez lembrar as pinturas impressionistas do século XIX, mas bem, isso não vem ao caso (hahaha); tenham uma boa audição com 1/4 Para As Horas, um dos materiais mais bonitos da Humbra.

por Mário Alencar


Ouçam agora na íntegra:

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Flowed – Smash Life On The Nü Punk (EP)

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foto por Diego Henrique

Aumentem os volumes, pois a banda alagoana Flowed retorna com Smash Life On The Nü Punk. Com o perdão do trocadilho, uma pancada. Baixo, guitarra e bateria em uma cadência vibrante, distorcida e ruidosa (Afinal, precisamos mais do que isso?!). Um disco inteirinho ”lofizaço” pra ninguém botar defeito.

Após 3 anos de hiato, desde os singles Green Hollow / When A Small Wave Comes eu diria que a espera valeu a pena. O EP está impecável. É bem encadeado e recheado de seis potentes canções. Destaque para os vocais bem encorpados e rasgados de Mário Alencar e suas guitarras rasgadoras e desconstruídas na medida ideal para cada música, seguindo também com os vocais quase Queens Of The Stone Age de Pablo Wilard, que além de cantar junto com Mário, assume um baixo de 5 cordas altamente grave e, para completar o time, temos Davis Sampaio mandando muito bem nas baterias cheias de peso e energia. Ao final da última faixa nem percebemos como faz sentido aquele famoso dito popular: O que é bom (de fato) dura pouco.

E não há nenhum demérito nisso (no meu caso só há créditos, a propósito). A sonoridade grave, aveludada fornece a textura ideal pra esse tipo de som. Um décimo a mais no conteúdo de frequência estragaria tudo. A magia está justamente na baixa razão sinal/ruído. Por sinal, o que seria do rock’n Roll sem o ruído?!

Tá na cara que a Flowed adora um Nirvana, Stone Temple Pilots, Screaming Trees, Dinosaur Jr, – seguindo lado a lado outras referências que saem da mesmice quando o assunto é anos 90. O disco soa como uma demo das antigas, as quais eram gravadas ao vivo, na boa e velha fita cassete, graças ao próprio baixista e vocalista da banda Pablo Wilard, que ficou encarregado dessa produção ”low-fi” no material. Também não podemos esquecer da arte da capa feita por Mário Alencar, que tem como referência a atriz dos anos 80 Molly Ringwald.

Aproveitem o novo disco da Flowed depois de 3 anos sem terem lançado nada, na verdade, esse é o primeiro trabalho quase cheio que a banda lança nessa formação, digo, formação original mesmo! A que todos sempre ouviram falar da verdadeira Flowed: Mário, Pablo e Davis!

por Leonardo Oliveira


Ouçam agora na íntegra:

 

Lowelldive – Breathe (EP)

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foto por Sérgio Costa

Lowelldive é mais uma daquelas bandas em que você põe no bolso para ouvir pro resto de uma vida. O trio é formado pelo frontman Onni Matos, Sérgio Costa e Marcelo Holanda. Cearenses, já estão na correria desde 2013 com o EP Everest? lançado independente mas hoje, eles vazam o segundo disco pela Crooked Tree Records, o Breathe.

Breathe tem apenas 4 faixas simples e diretas, o bastante para marcar uma geração que viveu intensamente o final dos anos 80. As guitarras de Sérgio Costa sempre em riffs grudentos (Num bom sentido) e bem elaborados, no estilo R.E.M. á Smiths. O vocal de Onni Matos soa algo familiar ao que já foi dito, sem precisar de muita ”ladainha”, porque já é bom o suficiente para encantar. Além de cantar Onni também toca baixo, naquela velha e deliciosa ”pegada pós punk”, e aí vem as batidas pulsantes de Marcelo Holanda.

Tá na cara que o Lowelldive também adora uma galera europeia, bandas como o Manic Street Preachers, The Verve, Editors, Bloc Party – O britpop que todos nós adoramos.  E olha, vou te dizer uma coisa! Isso me agrada bastante! O som da banda poderia tá rolando em alguma rádio local de Manchester neste exato momento.

A produção de Breathe é de Gabriel Yang e arte gráfica da capa por Sérgio Costa.

por Mário Alencar


Ouçam agora na íntegra:

Killing Surfers – Nothing Is Heading (Album)

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foto por Taynah

Em 2018 o selo Crooked Tree Records comemora dois anos de existência com o lançamento do álbum da Killing Surfers. A banda que lança seu primeiro álbum completo, Nothing Is Heading, passou por mudanças desde o lançamento do seu EP em 2016; trocou de nome, de formação.

Aatualmente é formada pelo frontman Mário Alencar (guitarra e voz), Wilson Victor (guitarra), Gabriel Araújo (Baixo) e Normando Galdino (Bateria).

O som da banda emerge da paixão dos integrantes pelo shoegaze e o rock alternativo dos anos 90, bandas como My Bloody Valentine, The Jesus And Mary Chain, Sonic Youth, mas se destaca por não copiar ou requentar uma fórmula estabelecida. O som de Nothing Is Heading é vibrante e variado, a cozinha de Gabriel e Normando faz mais do que manter o ritmo, imprime mudanças de direção na melodia, deixando Mário e Wilson povoarem as canções com belas e cortantes guitarras cheias de fuzz, reverb e outros efeitos.

A voz de Mário Alencar apesar de carregar o clima introspectivo dos ”shoegazers” também surge rasgada em algumas canções, o que tira a banda do lugar comum praticado por muitas bandas que seguem por essa trilha. Vamos ao faixa a faixa?

Rebirth abre o disco com guitarras fuzz climáticas e logo de cara um baixo pulsante faz o corpo mexer de leve, em uma dancinha desengonçada e feliz; logo depois acalma o mar de guitarras para a voz nos contar sobre desilusões, e amores, alternada entre o suave e o rasgado.

Shadows Go Away , a mais lenta, tem um clima mais tradicional com a voz soando mais preguiçosa e com um backing vocal bacana no fim da música. A letra é especial, foi escrita pelo ex baixista da banda Gellyvan Fernandes, ou seja, o Nonsense Lyrics; Fernandes foi quem gravou os baixos do EP You Never Cared de 2016.

Em Everything’s Going Down tem guitarras com vibrato que iniciam a música também mais lenta, com um groove mais tribal que as anteriores.

A coisa muda em Midnight Ghosts, o ritmo frenético quase pós hardcore e grunge vem com partes de ”drum’n bass” (da ótima bateria de Galdino) que se destacam na música.

Crawl segue numa levada pós punk também mais “uptempo”, em relação às três primeiras, com uma batida mais dançante que Midnight Ghosts.

Guitarras em reverso são a tônica da faixa título do álbum. Um interlúdio.

A faixa Special Mend abre com guitarras cheias de reverb mas logo deixa entrar o mar de distorções, que tem um riff que gruda na cabeça e conduz a melodia da música. O baixo de Gabriel pulsa novamente e se destaca na faixa. Essa faixa pode-se considerar um dos hits do registro.

Seguimos com a densa Discomfort, que surge de forma “shoegaze tradicional” e que depois toma um rumo quase pós rock em que Mário canta com uma voz desesperada e quase “grunge”.

Chegamos a mais um hit do disco; Rest Your Head. Guitarra que gruda nas meninges, bateria “primitiva” no estilo Jesus And Mary Chain em seu primeiro disco, Psychocandy e eis que surge uma bela voz feminina, cortesia de Ellen Farias fazendo participação que trás um ar de dream pop à canção – e ainda tem clima de bossa nova torta no meio. Sensacional! É pra deixar no repeat.

Deu para perceber que apesar da referência noise pop temos muita coisa debaixo dessa roupagem. Talvez possamos citar novas bandas como o A Place to Bury Strangers ou as brasileiras de hoje em dia como o Justine Never Knew The Rules, que produzem algo semelhante.

O álbum termina com a faixa The Bright Colors que remete um pouco aos trabalhos mais experimentais de Mário Alencar como o Sketchquiet, mas com muito Slowdive e Cocteau Twins na atmosfera da melodia. Belo disco!!!

Artistas como Jude, Humbra, Sebage, Pedro Salvador, Pacamã, The Sorry Shop deram um saudável empurrão na qualidade do som produzido pela Crooked. Esse disco faz parte dessa “nova fase”, bem trabalhado e refinado mas mantém o clima low fi tão querido pelo selo. O álbum será distribuído também pelo selo gaúcho Lovely Noise Records.

Nothing Is Heading abre os lançamentos de 2018 e vai gerar expectativas em relação aos trabalhos de novos artistas do selo e dos novos trabalhos de “veteranos” como Humbra, Jude, Sebage. Eu digo que estas expectativas serão todas superadas!

por Carlos Otávio Vianna


Ouçam agora na íntegra:

Os melhores discos da Crooked de 2016 – 2017. Segundo os nossos colaborados (TOP 5)

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MÁRIO ALENCAR:

Tempos Mal Vividos – Humbra (2016)

Softspoken – The Sorry Shop (2017)

Beatnik – Sebage (2017)

Brazilian Max – Os Ex-Fumantes (2017)

Marina Goes To Moon – Juna (2017)


CARLOS OTÁVIO VIANNA:

Ainda Que de Ouro e Metais – Jude (2016)

Abstrações de Você – Lzu (2016)

Voyage – Eric Iozzi (2016)

Antes Aqui Era Tudo Mato – Pacamã (2017)

Marina Goes To Moon – Juna (2017)


CLAUDIONOR GOMES:

Ainda Que de Ouro e Metais – Jude (2016)

Every Union Should Be A Lovely Union – Bad Rec Project (2017)

Oscilação – Bergamota (2017)

Antes Aqui Era Tudo Mato – Pacamã (2017)

Brejo – Mopho (2017)


VAL WAXMAN (MARCOS):

Ainda Que de Ouro e Metais – Jude (2016)

You Never Cared – Killing Surfers (2016)

Softspoken – The Sorry Shop (2017)

Great Diary Things – Mario The Alencar (2017)

Down And Out – Victor Barros (2017)


ALEXANDER MOREIRA:

Tempos Mal Vividos – Humbra (2016)

Música Para Comerciais, Curta-Metragens e Outras Coisas – Depressa Moço! (2016)

Brejo – Mopho (2017)

Antes Aqui Era Tudo Mato – Pacamã (2017)

Pedro Salvador – Pedro Salvador (2017)


SEBAGE:

You Never Cared – Killing Surfers (2016)

Ainda Que de Ouro e Metais – Jude (2016)

Saindo de Cena – Depressa Moço! (2017)

Brejo – Mopho (2017)

Brazilian Max – Os Ex-Fumantes (2017)


PAULO CÉSAR:

Ainda Que de Ouro e Metais – Jude (2016)

Brejo – Mopho (2017)

Pedro Salvador – Pedro Salvador (2017)

Beatnik – Sebage (2017)

Oscilação – Bergamota (2017)


GELLYVAN FERNANDES:

Ainda Que de Ouro e Metais – Jude (2016)

Casca – Eric Iozzi (2016)

You Never Cared – Killing Surfers (2016)

Oscilação – Bergamota (2017)

Great Diary Things – Mario The Alencar (2017)


LEONARDO OLIVEIRA:

Ainda Que De Ouro E Metais – Jude (2016)

Marina Goes To Moon – Juna (2017)

Down and Out – Victor Barros (2017)

Softposken – The Sorry Shop (2017)

Come To The Dust Nowhere – Sketchquiet (2017)


DESTAQUES:

Tempos Mal Vividos – Humbra (2016)

Ainda Que de Ouro e Metais – Jude (2016)

You Never Cared – Killing Surfers (2016)

Softspoken – The Sorry Shop (2017)

Beatnik – Sebage (2017)

Antes Aqui Era Tudo Mato – Pacamã (2017)

Brazilian Max – Os Ex-Fumantes (2017)

Marina Goes To Moon – Juna (2017)

Oscilação – Bergamota (2017)

Brejo – Mopho (2017)

Great Diary Things – Mario The Alencar (2017)

Pedro Salvador – Pedro Salvador (2017)

Down and Out – Victor Barros (2017)

Sketchquiet – Come To The Dust Nowhere (Album)

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foto por Normando Galdino

Uma das maiores virtudes do amigo Mário Alencar, é a forma como ele usa a falta de recursos a seu favor, as sobras, ruídos e chiados da gravação acabam se incorporando às músicas e se tornam parte importante delas. E ele chega agora com o segundo disco do Sketchquiet pela Crooked Tree Records.

Mário é o Sketchquiet, que trabalha essa limitação com maestria e o resulto é um som sujo, oras delicado oras visceral e também intimista. Coisas que gostaríamos de ver em bandas maiores mas que se perdem no excesso de produção.

O homem não se preocupa com plug-ins e filtros, o que você ouve é o que ele está fazendo e ás vezes traduzem seus conflitos internos. Produzindo música em escala industrial, seguramente é o artista mais produtivo do underground brasileiro atual.

Come To The Dust Nowhere começa bem com a faixa Afterglow, é melancólica no tom certo e apresenta a maturidade sonora de uma banda que não tem pressa em agradar ninguém.

Achei que a faixa Floating On A Breeze casou bem com a atmosfera proposta pela arte de Elizeu Salazar (o artista Lzu aqui da Crooked) para a capa do disco. Sete minutos de pura viagem e introspecção! É para os amantes do selo inglês de Sheffield, Warp Records, a música lembra projetos como o Boards Of Canada ou o Aphex Twin.

Ouvi  The Earth Never Bothered To Put Words três vezes seguidas, e é hit desses que se toca no show e causa uma revolução de sensações. Alencar faz uso de suas influências sonoras e toca uma guitarra mais inspirada!

Gas Crater! Gosto dessa, é marca registrada da banda um tipo ”Sketchquiet” mesmo. Tenho impressão que estou ouvindo o one-man band murmurar a melodia pelo canto da sala instrumental que não teria melhor lugar para estar.

Sun Of The Nomads vem  quase uma balada com uma interessante levada de bateria, o sample no inicio é um complemento curioso, denunciando a participação do músico Carlos Otávio Vianna, Depressa Moço!

Os sketches sempre se dão bem quando exploram timbres mais graves, é o caso da faixa Creatures From Outer Space, aqui, a guitarra base ganhou uma irresistível sobra fragmentada.

White Ceremony ganhou vocal num disco predominantemente instrumental, outra característica forte da banda de um homem só. Mário canta num lamento esperançoso. Com ar nostálgico e que aspira bem o artista britânico Durutti Column, White Ceremony poderia ser a faixa principal do trabalho.

Desert Pyramids tem andamento lento mas é a música mais cadenciada do álbum. Envereda por outros caminhos e torna o disco mais rico. Funciona bem sozinha mas é praticamente uma armadilha para as faixas que vem a seguir.

Let the Sky Fall é puramente experimental, uma anti música com deliciosos ruídos ao final. Será que a faixa acabou ou o músico Mario Alencar simplesmente se perdeu em seus devaneios?!

Fechamos o trabalho com a faixa Ruínas – É Imersão numa track obscura, senti eco das boas bandas do pós punk com distorções rasgadas e pesadas.

Come To The Dust Nowhere esteve engavetado há um ano para ser lançado especialmente por aqui, que também está saindo junto pelo selo gaúcho Lovely Noise Records, que em 2018 promete versão física do trabalho. Se existe um nível abaixo do underground, o Sketchquiet habita ele!

E este foi o nosso último lançamento do ano. Até 2018!

por Edson Codenis


Ouçam agora na íntegra:

Victor Barros – Down and Out (EP)

 

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Foto por Taynah

 


Down and Out é o título do EP de Victor Barros, produzido no Estúdio Lofizêra em Alagoas e lançado pela Crooked Tree Records agora em novembro. A arte da capa ficou por conta de Mário Alencar (Killing Surfers, Sketchquiet), que também foi incumbido de desenhar as linhas de baixo. A banda conta ainda com Gibson Soares (guitarras) e Luan Marcel (bateria). Os vocais e violões são de Victor Barros.

Apesar do lançamento ocorrer no fim desta primavera, Down and Out tem toda a cara de Outono, como uma atmosfera de ocaso de um pôr do sol mais cinza que colorido. Podemos ouvir seis músicas semi acústicas em tom melancólico e com letras muito boas, cantadas por um estilo de vocal quase barítono de Victor Barros, lembrando referências como Jim Morrison à Eddie Vedder.

Calling Home abre o disco de forma serena. Uma balada levada no violão e entrecortada por um tema de guitarra, que combinou bem com o estilo (E a maneira de cantar). Destaque para a letra com bons recortes filosóficos como nos versos Reflections on the mirror / It shows a living thing

Stay, a segunda música, com o refrão que diz Stay / you know it can’t be real / Stay / There’s nothing in between / Stay / Reality is not the same é quase um contraponto de sua antecessora. Mais acelerada, mudanças rítmicas interessantes e um vocal mais ácido dão o cartão de visitas da próxima música.

How Could I Know? mantém a pegada com Victor Barros soltando ainda mais o vocal e me evocou em certas passagens, referências como de Neil Young e do próprio Pearl Jam. É a música com mais peso e um refrão que deve funcionar muito bem nas apresentações ao vivo.

Down and Out, canção que dá nome ao trabalho, tem um arranjo bem trabalhado com violões, guitarras e vocais bem expressivos, que de fato, parecem ser a marca deste disco.

A quinta música, Expectations, parece ser para mim a canção mais bonita e poderia facilmente estar em muitos ”top 5” das músicas lançadas por artistas independentes em 2017.  Os bons timbres de violão e guitarra, delineados por uma linha de baixo interessante produzem uma atmosfera elegante, que é um prato cheio para a melodia vocal.

O trabalho encerra com Fire, a mais ”indie” das seis, digamos assim. Victor Barros opta por um vocal mais soturno, que me rememora algo de Paul Banks no verso You had to run away / No one could stay o que é, de minha parte, um elogio sem precedentes (rs).

A banda funcionou bem como um todo em Down and Out e a química parece ter dado certo. Ao explorar essa faceta semi acústica conseguem um certo ar de naturalidade às músicas, porque provavelmente foi no violão que elas devem ter surgido pela primeira vez. Então, muito do caminho da produção pode ter sido facilitado. As letras variando ora mais confessionais, ora mais filosóficas são outro destaque. De modo geral Victor Barros entrega bem o que promete e desponta como uma das vozes mais outonais do rock alternativo no país. Em plena primavera.

por Leonardo Oliveira


Ouçam agora na íntegra: 

Os Ex-Fumantes – Brazilian Max (EP)

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”Nossa que barulho bonito!” Essa é a frase que se incia o EP Brazilian Max da banda Os Ex-Fumantes, resume de forma bem humorada o som que você irá curtir agora, sim! Curtir!!!

A banda é formada  pelos paulistanos Lucas Mendes Gabriel (Guitarra e vocais) Guilherme Doratioto (Guitarra), Vinicius Almeida (Baixo), Eliel Simões (Bateria) e ainda contam com um trompetista, Wesley Bruce. Os Ex-Fumantes nos presenteia com um som carregado de guitarras que trabalham em sintonia com arranjos de voz bem bacanas.

O EP tem duas canções em inglês e duas em português, e uma capa muito legal que emula um anúncio de cigarro, ideia do próprio vocalista. Alguma destas referências está entre o quarteto, The Strokes, The Libertines, Mac Demarco. A faixa Babe, I Need You começa com vocal de apoio chamando atenção e as guitarras conduzem pulsantes a canção para o refrão, que explode com outras camadas de guitarras.

A segunda canção, Quiçá, tem belos ambientes de reverbs abrindo e um contrabaixo pulsante, pode ser considerada o hit da casa. San José tem um groove mais pesado que explode no “refrão” cantarolado com pratos da bateria agressivos em meio as guitarras, excelente!

A faixa que encerra o disco é Rich Kids, tem uma pegada tribal com a batida marcando forte o ritmo com os tons e o surdo dando um clima mais “experimental”, com ruídos que inundam a música enquanto a banda manda todos os “garotos almofadinhas se cuidarem” (hahaha).

O EP Brazilian Max é curtinho, bem produzido e marcante, dará altos repeats nos lugares. A produção foi feita pelo Lucas Mendes Gabriel no Estúdio Rosa. Well, o que essa galera quer afinal? Que você apenas ouça o som e saia de casa para se divertir em algum bar próximo. Aguardaremos ansiosos por um álbum completo.

por Carlos Otávio Vianna


Ouçam agora na íntegra:

Nonsense Lyrics – No Place To Hide Yourself (Album)

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foto por Nonsense Lyrics

Esse menino chamado Gellyvan Fernandes vivia se escondendo na casa de Mário Alencar, sim, ele mesmo, o boss da Crooked (“Eu não sou boss de porra nenhuma”, Mário vai gritar). Enfiado no estúdio Lofizêra do chefinho, escapando para uma tocadinha no jardim do teatro Deodoro aqui na nossa capital, durante o “microfone livre” do movimento Antropofágico Miscigenado, geralmente por insistência nossa, o tímido Gelly foi montando esse criativo, acelerado, despojado e torrencial No Place to hide Yourself, o novo álbum do projeto Nonsense Lyrics, saindo do forno de Alagoas para o Mundo.

Letras sinceras comprometidas com o próprio coração vagabundo e com as amizades, e olhe lá que esse mago também não deixa passar em branco as mazelas deste país mutilado e desfalcado, cantando a beleza da floresta para dizer que “O desmatamento mata cada sentimento…” (em Pessoas são como Árvores).

Totalmente envolvido com as viagens musicais da Crooked a produzir eventos que agitam Maceió com uma série de live sessions nos pubs e teatros da cidade, Gellyvan Fernandes faz deste No Place To Hide Yourself – gravado entre 2016 e 2017, com produção de Mário Alencar e uma pequena ajuda do amigo carioca Carlos Otávio Vianna, do Depressa Moço!, que tocou bateria em Long Trip – uma bandeira de musicalidade pulsante e espontânea, fincada num solo fértil que já havia dado seus primeiros frutos com o EP (oito faixas) do ano passado, Golden Country Punk.

No novo álbum, Gelly toca as guitarras, violão e contrabaixo e, claro, todas as canções foram compostas por ele. Delirantes canções no melhor estilo Syd Barrett. Mário Alencar toca gaita, faz backing, guitarra e canta junto com Gelly em Não Sou o Mesmo e contrabaixo em Consolation, ficando responsável, também, pelas programações que dão textura e harmonização à viagem sonora do bardo moleque da Crooked (e quem não é moleque neste selo? Ah, eu mesmo e o Carlos Otávio Vianna, hehehehe). Essa turma jovem ideosa da Crooked que anda quebrando os paradigmas do rock brasileiro com propostas bem adiante desse contexto almofadinha mainstream de bandas posers e fakes proliferando de Norte a Sul do país com seus álbuns ajustados (quadrados) em fórmulas tão desgastadas quanto enjoadas, estampadas nos inúmeros álbuns de crias de Los Hermanos (bleh!) e congêneres. O desenho da capa é do nosso próprio trovador, para quem o conhece irá identificar de imediato este traço frenético que cativa.

Nonsense Lyrics bota mais lenha nessa fogueira criativa, com a beleza de sentimentos reais emergentes que fazem da Crooked Tree Records o selo do momento. E Gellyvan Fernandes o arauto do novo rock tupiniquim.

por Sebage Jorge


Ouçam agora na íntegra: