Fantasmas de Marte – Atmosfere (EP)

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Atmosfere, último lançamento do Fantasmas de Marte, reúne em seis ótimas canções tudo o que a cena atual padece: sinceridade e distorção.  A banda alagoana é formada por Fernando Pinheiro, responsável pelos vocais, guitarras e composição das letras; Normando Galdino, bateria e backing vocal  e Daniel Costa no contra-baixo. As músicas transcorrem de forma fluida, bem encadeadas, em camadas de guitarras, poesia e peso. A banda parece ter acertado na construção e no formato das músicas revezando momentos de explosão com curtos estágios de calmaria.

Uma miscelânea de influências parece delinear o som dos caras, desde punk ao indie rock, com guitarras melódicas e agressivas executadas na medida certa para cada música. Destaque para as texturas e riffs de guitarra e os vocais expressivos de Fernando Pinheiro. As letras são introspectivas e, até certo ponto, espirituais reforçando uma tendência da banda em explorar questões com foco em temas pessoais. Esta característica do EP, de fato, é um ingrediente interessante, pois fornece ao ouvinte a real sensação de estar numa atmosfera sonora densa e melódica.

A faixa título, Atmosfere, primeira do disco, costura uma cativante levada de guitarra e baixo de forma curiosa. Nesta os alagoanos não economizaram em criatividade com belas texturas de guitarra e divisões de bateria bem construídas. Em seguida vem a rápida Bolseiro com melodia grudenta e cheia de na-na-nas. Forte candidata a “hit do disco”. Luar é mais cadenciada e marca  o início de uma mudança na pegada do disco de forma necessária. A maldição, uma espécie de anti-clímax do novo registro, mostra a grande versalidade de composição da banda: solos de guitarra e mudanças bem sacadas de bateria, com ataques precisos. Cenáticos parece tomar bastante de uma possível fonte hardcore, rápida e precisa, mas sem ser clichê. Ondas Artificiais possui arranjo bem trabalhado e talvez seja a música de arranjo mais complexo aqui, com temas de guitarras cheias de delay e um ótimo trabalho com chimbal do baterista Normando Galdino. Digno de nota também é a levada de baixo de Daniel Costa, a qual sobressai de maneira pontual e sem a qual, a música não teria o mesmo charme.

A Fantasmas de Marte é indicada para aqueles que curtem som pesado, com riffs bem desenhados, mas que não dispensam boas linhas melódicas e letras marcantes. A banda mostra em Atmosfere grande competência técnica e artística e fornece um alento às nossas pobres almas, como eles mesmos dizem na faixa título, em “Um mundo repleto de dor”. Sou obrigado a concordar.

por Leonardo Oliveira


Ouçam agora na íntegra:

Humbra – Tempos Mal Vividos (EP)

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Tempos Mal Vividos – EP desse ano da Humbra, que acaba de ser lançado aqui pela Crooked, é definitivamente o que há de melhor para os ouvidos de quem é fã de grunge cantado em português. A banda carioca é formada por Leonardo Oliveira nos vocais, dividindo as guitarras com Val Waxman, Fabiano Cunha faz o suporte com contra-baixo e backing vocal, enquanto Bruno Monteiro completa o time com uma bateria na medida certa de raiva e energia projetada por cada canção.

Destaques para a faixa-título do EP, que chama atenção pela melodia vocal idealmente escorregante acompanhada por uma guitarra cheia de tonelagem de distorção. Diante do Espelho também sobressai como uma notável canção necessária a todos, dessa vez parecendo ser feita pra se tornar popular. Atenção para o refrão de arrancar qualquer um da cadeira (“eu e você… eu e vocêêeee…”), precedido de ruídos justapostos com a intenção de tornar o grunge confortável na sala de estar do pop – e vice versa, exatamente como as grandes bandas de grunge faziam na era do descobrimento do rock sujo de guitarra pelo mundo.

Silverina parece um punk rock quase ”raimundeano”, mas ao invés das ”nordestinidades” dos músicos de brasília, os cariocas fazem música rápida eminentemente suja. Nada a Justificar e O Circo, as canções que abrem e fecham o EP, parece ter sido escolhidas para ocupar realmente tais posições. Imagine um show dos caras com Nada a Justificar, com uma guitarra que dá o tom pra uma bateria pulsante. O Circo fecha as cortinas do disquinho no mesmo ritmo e intenção das demais músicas. Definitivamente, qualquer uma das faixas seriam suficientes para representar a qualidade da banda como um todo.

A Humbra é daquelas bandas que te fazem pensar sobre o mercado fonográfico e a superficialidade do mainstream quando uma banda surge no underground tendo muito o que dizer e a mostrar. A morte do grunge só o foi para o mainstream, e isso não faz nenhuma falta pra quem sabe encontrar jóias persistentes de guitarras e vozes rascantes – exatamente como a banda faz. Acrescidos de uma guitarra psicodélica e letras sobre o cotidiano das relações, seria uma porta ideal para o jovem que quer saber o que é esse tal de rock and roll que a galera tanto curte – tanto quanto era o Pearl Jam, o Nirvana, o Screaming Trees ou qualquer outra referência de Seattle no início do ano para a geração roqueira dos anos 90.

Ao cantar em português, o quarteto comprova a adequação do gênero à nossa língua, ajudada por composições que poderiam até mesmo ser uma tradução direta de uma boa canção noventista. A proposta lo-fi, seja pelo acesso ao tipo de equipamento disponível ou por pura estética, revela como a banda acertou em cheio nos arranjos e na produção. Algo mais limpinho ou mais lo-fi que isso não seria legal quanto é.

Como é satisfatório ver como o grunge ainda pulsa na nossa juventude!

 

por Nô Gomes


Ouçam agora na íntegra:

Diaz – Death To The Diaz (EP)

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Eis aqui, o nosso próprio John Frusciante! Sim, pra você aí que prefere o guitarrista mais bipolar dos anos 90 do que a banda que ele se dedicava, ta aqui uma boa pedida pra tua segunda-feira vindo de Taubaté/SP.

Diaz é aquele cara inquieto com mil idéias que tu não consegue lentamente acompanhá-las (haha) e hoje, é o seu 15º lançamento em 7 anos na estrada – desde 2009, com a falecida banda de rock alternativo Sin Ayuda, era o fundador da galera, também com uma tal de Mestre Xamã e o net label Polidoro, onde lançou os artistas: Senomar, Sick, Piêit, Mario The Alencar, Sketchquiet… 

Death To The Diaz é o último trampo do projeto, mas relaxe! Ele não pretende parar por aqui, às vezes, precisamos sacrificar  uma alma velha para que outra com boas energias, possua-nos – bem, vocês entenderam.

O disco são rascunhos gravados entre 2010 e 2016, que estavam trancafiados nas coisas misteriosas/secretas do místico (hehe). Nesse registro, parece que Diaz quer nos dá uma trip inebriante para o interior de alguma cidade que você imaginar, e essas devem ser as principais influências ao ouvi-lo: Sonic Youth, Ty Segall, Syd Barrett, T. Rex…

A capinha ilustrada foi feita pelo designer gráfico, Mário Alencar. A produção é do próprio Diaz, ele quem marretou tudo.

Vinícius vai continuar com tudo a sua carreira de músico, só que por outros horizontes (piegas, mas fechou o texto hehe).

Por: Mário Alencar


Ouçam agora na íntegra: