Mopho – Brejo (Album)

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Os fãs do Mopho podem falar o que quiser, não importa o que eles digam: que a melhor canção é Tão Longe ou que é Não mande Flores – ou Caixa de Vidro ou Dani Rabiscou… Isso tudo é bobagem e eles sabem disso. O Mopho, cara, é como o vinho que se encorpa e apura o sabor com o decorrer do tempo. Eis a prova disso: as músicas do Brejo, quarto álbum da banda, lançado sete longos anos depois do Vol. 3, soam como clássicas, trazendo a força, a beleza, a naturalidade melódica das composições de João Paulo. A mais querida e mais influente banda de rock da cidade segue firme, com uma sonoridade que não deixa brechas para o vácuo, para a falsidade ou para o tatibitate das bandas adolescentes. O Mopho voa longe, viajando do romance das letras aos solos delirantes de guitarra e teclado.

O vocal de João Paulo amolda-se às canções com uma leveza e segurança – e uma emoção que se não se encaixa como uma luva, responde as expectativas do ouvinte como uma taça de champanhe brindando o ano novo. Ou como um copo de conhaque para abrir a goela e cantar com a verdade de quem não tem receio de expor o próprio desejo e o próprio coração. É uma festa de sentimentos e paixões: uma avalanche, uma correnteza sonora que te leva tão longe, tão perto, aqui, ali – em todo lugar. Se vinho ou cerveja, se conhaque ou uísque, tudo depende do momento: o que rolou acaba virando uma linda canção. A vida do cantor e a de todos nós, não é assim que são compostas as melhores músicas de todos os tempos? Especialmente quando o artista se dispõe a ser honesto no trabalho e a labutar com preciosismo, atendendo as exigências dele mesmo, de alguém que construiu um legado e continua a dar as cartas, reconhecendo-se como legenda criadora de um capítulo fundamental do rock alagoano e do rock brasileiro.

João Paulo canta, afinal, desvinculado do rótulo de banda psicodélica ou retrô. O psicodelismo continua, sem dúvida, com arranjos, por assim dizer, circulares: a roda gigante, o carrossel de fantasias que faz de novo acreditar no sonho, no amor e nas canções – no poder da música. A alma de João Paulo é muito velha, bicho. E ele tem consciência disso, pulando de uma canção à outra como um Merlin alquimista transformando pedra em ouro. As andanças musicais do cantor compositor guitarrista passeiam pela Jovem Guarda e Beatles, pelo Pink Floyd e pelos seminais Rita Lee & Tutti Frutti. E pela Casa das Máquinas, sempre. Não conhece essas bandas? Ah, claro que você conhece o caldeirão de rock que formou o Mopho e que continua alimentando a inspiração in natura de João Paulo.

Abra o seu coração, parece dizer o poeta, busque o seu amor – cante-o se você o perdeu. ”Estou no limiar do meu desterro/ Do meu desapego/ Ancorado em mares medonhos/ Lar de agonia velada/ De fúria alucinada/ Morada da minha loucura” – ele canta em Limiar, já no ranking de “a melhor de todos os tempos”.

Há outras na lista das dez melhores canções de rock. ”Um punhal de prata/ Cravado no peito/ Não derramem lágrimas/ Joguem meu corpo aos porcos/ Eu nunca existi, derrama-se o bardo em Fandango (Joguem meu Corpo aos Porcos). E em Não Sou de Ninguém, ele avisa: ”Ouça essa canção/ Que te fiz amor vazio/ Tu não sabes o quanto custa/ Gostar assim”.

E aí você chora e se lembra do passado, retorna às merdas que fez e às que fizeram com você. E vislumbra o ser poderoso que é, de repente na rua na chuva gritando a todo pulmões: ”Faça chorar/ Deixe sangrar/ Não tenha medo/ Não hesite/ Não há fim – Deus Está Nu, abrindo essa obra-prima chamado Brejo.

Há muito que o Mopho é um fenômeno. Desde que surgiu em 1996, a banda foi sedimentando um terreno de canções acachapantes, do tipo que grudam no ouvido e se tornam inesquecíveis, reverberando pela alma e pelo corpo: da mente alucinada ao coração apertado e vice versa. Músicas que se tornaram parte da nossa história pessoal.
Atualmente formado por João Paulo mais Dinho Zampier – tecladista e também produtor musical, junto com João, do disco Brejo –, e Leonardo Luiz, o sensível contrabaixista que, entre idas e vindas, acompanha essa trajetória desde 1998, para o álbum o grupo contou com a bateria de Rodrigo Peixe. A fotografia promocional da banda foi feita por Fernando Coelho.

E é isso aí. Deus salve o rock alagoano e uma vida longeva para esse monstro sagrado: o Mopho.

por Sebage Jorge


Ouçam agora na íntegra:

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Eric Iozzi – Voyage (Album)

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Tão próximo de seu primeiro trabalho quanto a lua da terra – a lua exerce sua função sobre a terra. Se algo saiu do Casca, o seu álbum anterior foi o Voyage, não, não desse modo, e sim como uma joia espontânea e sem cicatrizes de sua formação ou de algo que venha antes dela; nua e crua.

Eric Iozzi se modela como água entra as rochas – do que eu estou falando? Estou falando de um excelente disco que vocês vão ouvir. Eu não sei como, não sei o porque, mas ele é o que é. Este é aquele tipo de material que se fosse lançado em 1976 seria um clássico, e se você mostrar hoje ao seu amigo mais próximo, ele não acreditará que é deste século.

Horas que é nostálgico, horas que é desesperador; o disco tem fases aleatórias e que o irá levar a um estado de transe, mas que há uma poesia no meio disso tudo – um belo sentido.

Místico como Kate Bush, realista como Syd Barrett e depressivo como Nick Drake; entre as paredes de concretos e os aços da cidade, vaga um rapaz chamado Eric Iozzi – que criou, produziu e gerou Voyage.

Ouçam e embarquem neste balão mágico onde você terá que tomar muito ácido para chegar ao destino.

por: Gellyvan Fernandes


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Primavera – Primavera (EP)

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Quando a galera pensa que a gente amarelou mas… VRA (!!!)

Chegando ao 10º lançamento, trazemos a banda Primavera – pois é amiguinhos da Crooked, nossa segunda bandinha no catálogo é de Goiás, e o trio é formado por garotos que tomam o ácido da psicodelia dos anos 70 – só que com um toque mais ”hypado” (haha).

Isaque Saraiva além de executar as guitarras e os vocais principais,  é o frontman que deu o ponta pé inicial na idéia – chamando dois amigos para dar a liberdade de tocarem os outros instrumentos, Victor Rabelo no contra-baixo e Matheus Gonzaga na bateria. O EP com nome homônimo foi gravado e produzido pelo próprio inventor da história, e posso-lhes dizer que, o disco está uma delícia (hehe), com cores alaranjadas e amareladas – dá até pra fazer um suco de frutas cítricas (cês devem entender o que estou dizendo, hoho); como os Mutantes ao moderno e primeiro disco do Tame Impala.

O que eles estão lançando hoje, é o primeiro trabalho – então prestem muita atenção no som de gente grande que esses caras estão fazendo, vale cada faixa sem pular mas, destacaremos aqui as mais hipnóticas do cardápio; Acorde; Seu Céu é Tão Alto e a instrumental que encerra essa viagem, Trance. A foto da capa que lembra uma bela pintura do Van Gogh é tirada pelo Isaque Saraiva.

para fechar as portas,  deixemos uma citação fofa do nosso artista Depressa Moço!: ”Para mim, o psicodelismo salvou a música pop!” E achamos que o Primavera também.

por: Mário Alencar


Ouçam agora na íntegra: