Gimu – Cell Signalling Pathways (Album)

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Carnaval tá rolando e vocês ainda ouvindo a coletânea?! Esperamos que sim (hehe). Mas bem, o que irão ouvir hoje em pleno dia de festas não são marchinhas ou algo do parecido (…) Se estás a procura de coisas animadas para levantar-se da cama e ir às ruas, é melhor encontrar outro lugar (haha).

Gilmar Monte é Gimu, um dos artistas mais ativos que teremos aqui na Crooked agora. Do Espírito Santo, já lançou mais de 20 trabalhos através de vários selos estrangeiros, a maioria britânicos, sendo físicos e virtuais. O som é bem peculiar a alguns artistas que já estão integrados aqui, como Sketchquiet, DPSMKR, Lzu; só que há mais densidade, Gimu cairia bem para uma trilha-sonora de filmes de horror e ficção científica, tipo 2001: Uma Odisseia no Espaço, Interstellar, O Iluminado, O Exorcista.

Gimu tem muitos tempos de carreira, desde os anos 90 já teve bandas e outro projetos paralelos, uma das mais legais eram o grupo Primitive Painters, onde cantava e assumia as guitarras – que tinham uma sonoridade parecida com os Jesus And Mary Chain, uma das minhas bandas de cabeceira (hehe).

O disco de estréia Cell Signalling Pathways que o capixaba está lançando hoje, contém 2 faixas bem extensas – a primeira Cell Signalling Pathways que leva ao nome do álbum tem aproximadamente 12 minutos e Circularly Polarized Light Detection 25 minutos. Ao ouvir Cell Signalling Pathways, para quem segue essa linha de ambient music e drone music, vão sentir uma referência de artistas como Biosphere, Global Communication, William Basinski, Carbon Based Lifeforms e etc e etc!

Gilmar construiu tudo por aqui, da arte da capa à produção – ele usa contra-baixo e violões mas com certeza tu não irá achá-los, porque há algo por trás de programações e mais programações de computador, fazendo várias paredes de efeitos sonoros incríveis – e é isso que se torna o Gimu original.

É um disco para se ouvir deitado, tentar esvaziar a mente, entrar em sintonia com os elementos que vão crescendo a cada minuto, sério! Você sentirá uma experiência única.

Não deixem de ouvir os outros trabalhos que ele lançou por outros selos, é formidável e ao mesmo tempo assustador sua imensa discografia – a cada disco é um conhecimento novo: www.gimu.bandcamp.com. É um prazer enorme ter Gimu em nosso time, seja bem-vindo à Crooked Tree Records!

por Mário Alencar


Ouçam agora na íntegra:

The Crooked Friends Collective – Vol. 1 (Coletânea 1 ano de Crooked Tree Records)

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O tempo anda sem percebermos quando estamos em atividade, não? Melhor ainda quando fazemos algo com a própria alma.

No final de 2015, logo no natal, fui tendo uma ideia de poder ajudar um pessoal que eu observava de longe, bem distante; mas essa galera não era apenas uma galera comum, eram artistas, que andavam em seus próprios quartos, porões e até mesmo estúdios para criarem, criarem música. Essas pessoas vivem trancafiadas dias após dias para construírem algo que vem delas mesmas, com muito amor e carinho. Mas essas pessoas estavam acanhadas de mostrarem isso a uma rede social, ao mundo que os tem ao redor, foi daí que a Crooked Tree Records nasceu, junto com uns amigos que conheci a pouco tempo, e que tinham os mesmos caminhos.

Agora, o selo completa 1 ano de aniversário – com 23 discos no catálogo e 19 artistas. Esses talentos estão divididos pelo mundo: Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Alagoas, Goiânia e até mesmo a Espanha. Tivemos altos e baixos por aqui, mas sempre com o orgulho de fazer parte desta equipe que vem lutando pelo seu espaço, tendo ideias e mais ideias sem cessar.

Uma salva de palmas para todos que estão envolvidos a Crooked Tree, sem o apoio de vocês este sonho não se tornaria tão real – grande honra está ao lado de grandes artistas e bandas, aprendendo a cada dia uma imensidão diferente. Vocês são incríveis!

Mas parando com toda essa choramingueira! (haha) Temos aqui de presente para nossos ouvintes fies (rsrs) – uma coletânea com quase todos os artistas do selo, os que marcaram mais no ano passado e até então em janeiro. Um punhado de canções inéditas que foram gravadas justamente para isso, e outras que já foram lançadas em outras plataformas. Fiquem com os projeto solos do Depressa Moço!, Mario The Alencar, Nonsense Lyrics, Sebage, Wands (projeto solo do vocalista da banda Pormenores), Hesla (nova empreitada do artista Diaz, que em breve estará lançando disco por aqui) – também com os experimentalismos do Sketchquiet, Eric Iozzi, Botas Batidas, Lzu, dpsmkr – e as bandas Killing Surfers, Humbra, Fantasmas de Marte e The Modem. Mas antes de tudo! Vamos tirar mais um pouco a preguiça para lermos mais um pouco alguns depoimentos de alguns artistas, Leonardo Oliveira da Humbra, Carlos Otávio Vianna, Depressa Moço! e ah! Os videozinhos da bandas Jude Edson Codenis da The Modem, agradecendo-nos e dando os parabéns – ”rock n’rooooll hey! rock n’rooooool rock! rock n’rooool hey!”.

por Mário Alencar


Carlos Otávio Vianna (Depressa Moço!):

O ano de 2016 não foi fácil!!! O mundo e não só nosso país sofreram com crises econômicas e políticas. Muita coisa está mudando, o mundo toma conhecimento de diferentes
culturas, hábitos até então relegados a uma posição submissa. A diversidade é enorme, temos muita coisa diferente ao nosso alcance, ainda mais com as ferramentas tecnológicas que temos hoje em dia. Mas por mais estranho que pareça boa parte das pessoas não está
arriscando no novo, no diferente….o medo do novo sempre existiu, mas talvez preguiça…já que temos tanto a mão. Não queremos perder tempo!!!! Perdemos tanto tempo pensando nisso…

Em fevereiro de 2016 surgiu em Maceió, Alagoas, o selo Crooked Tree Records, projeto da cebeça do inquieto Mário Alencar. O selo queria divulgar artistas independentes de qualquer lugar do país, e abria um leque enorme de opções sonoras. Não importando se era gravação caseira ou profissional, se valia a  pena era lançado. ser era uma banda ou um homem banda (atenção meninas, esta faltando mulher- banda ou banda de meninas no pedaço!).

Rock em português da Pormenores, Fantasmas de Marte, Jude, Humbra, Primavera. Pop eletrônico do The Modem, MASM, também musica minimalista experimental de DPSMKR, Sketchquiet, Gimu, Botas Batidas . Musica passional de Nonsense Lyrics e Mario the Alencar. Paisagens sonoras criadas por Eric Iozzi e LZU, sons eletrônicos e acústicos de Depressa moço!, DIAZ e o shoegaze da Killing Surfers. Uma diversidade que fez bem a todos, onde se criaram novas amizades e união em torno da música. Essa crença na diversidade acho que favoreceu a vários artistas do selo estarem presentes em listas de melhores do ano, as vezes mais de um artista numa mesma lista e junto com ˜medalhões” da industria
fonográfica e artistas com mais exposição na grande mídia. Fiquei feliz em fazer parte desse combo.

Agora, para celebrar um ano de existência, a Crooked Tree Records vai lançar uma coletânea de seus artistas. Ela representa bem o que falei anteriormente, um caleidoscópio sonoro (se isso é possível, he he) onde cada artista contribuiu com uma musica, na maioria inédita em seus trabalhos. Ouça, arrisque…se você não gostar,  tudo bem, saberá que existe muita coisa diferente para conhecer. O mundo precisa disso!!!


Leonardo Oliveira (Humbra):

O ano de 2016 começava para nós de forma despretensiosa. Estávamos montando novo repertório e decidindo qual direção daríamos à banda. Foi aí que tivemos a ideia de gravar um conjunto de 5 músicas de diferentes fases de nossas vidas, o Tempos Mal Vividos.

E foi assim, experimentando o passado,  testando antigos arranjos há muito empoeirados nos meandros de nossas mentes, que este disquinho despretensioso rendeu para nós da Humbra a oportunidade de entrar pra Crooked Tree Records e ampliar sobremaneira as possibilidades da  banda como um todo. O que mais nos chamou atenção na Crooked foi a diversidade e a capacidade de reunir de forma uníssona tanta gente diferente; uma verdadeira lente num mar de informação que nos fornece um belo recorte da cena que se forma no país.


Edson Codenis (The Modem):


Reuel Albuquerque e Alexander Campos (Jude):


Ouçam agora na íntegra:

Sebage – Beatnik (Album)

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2016 foi um ano de conhecimento para a Crooked, tivemos bons e péssimos resultados, mas sem baixar a cabeça! Com muito amor e dedicação com o que fazemos por aqui, continuamos sem olhar para trás. A terra virou mais uma página, e em 2017 conquistaremos o nosso lugar pois, lutaremos até o fim para conseguir o que realmente queremos.

Sem mais delongas, apresentamos a vocês o nosso primeiro lançamento do ano! Um grande artista da terra das Alagoas, aqui, há anos de estrada – um veterano. Sebage é daqueles compositores que entendem a sua própria linguagem, proporcionando à qualquer ouvinte um sentimento de bohemia, nostalgia ou a saudade de um amor intenso. ”Since” 1984 nas estradas, ele começou com a banda Caçoa Mas Num Manga, onde havia artistas importantes da cena alagoana: Júnior Almeida,  Félix Baigon, Zé Barros e Gal Monteiro, como Sebage me passou, eles misturavam um lance new wave com caeté. Depois, vieram os seus projetos de pós-punk, a Sangue de Cristo, formada em Maceió e a Jesuítas, formada em São Paulo, quando o cara resolveu se mandar para lá! E por fim, já nos anos 2000, montou a Trindade antes de fazer a carreira solo.

O disco Beatnik é praticamente uma compilação de quase todas as faixas que Sebage gravou durante toda a sua vida, desde 2001 quando morava em São Paulo até então aqui, que agora vive em Maceió – um álbum completo, sem deixar a desejar para quem curte rock, mas é rock mesmo do que eu estou falando, sem nada piegas!

São no total 12 faixas, algumas em português e outras em inglês misturando o que há de mais vivo na safra do glam rock ou até mesmo o pós-punk e a era do proto, como MC5, Lou Reed, Iggy Pop, The Smiths, David Bowie e assim por diante que complemente esta linha destruidora.

Sebage é um dos ícones importantes da cena underground alagoana, muitos o conhecem por ter representado essa sonoridade para os nordestinos, fez versões de músicas dos Smiths como a Bigmouth Strikes Again (só procurar no Youtube) e teve uma banda cover de David Bowie enquanto estava em São Paulo, e aí já podemos entender quais são suas maiores influências já citadas aqui. Há diversas participações no disco, o cara convidou milhares de músicos para tocar suas músicas, que levaria um texto maior ainda para escrever quem seriam eles – você terá que ler as informações no Bandcamp se estiver curioso (hehe).

Escutem Beatnik no carro, na piscina, na faxina da casa porque o trabalho é para se ouvir em qualquer ambiente, em qualquer estado. A arte da capa foi feita pelo designer/ilustrador, Mário Alencar (Killing Surfers, Sketchquiet, Mario The Alencar) – vai  num bar mais próximo de sua casa e pede pro garçom por essa jóia pra rolar, só toma cuidado pra não beber demais.

por Mário Alencar


Ouçam agora na íntegra:

Jude – Ainda Que de Ouro e Metais (Album)

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Você sabe que existe um clássico lançado por uma banda de rock quando bate o ouvido e você vê que houve um sentimento sincero e um trabalho apaixonado por trás de cada onda sonora das faixas que nosso ouvido é capaz de absorver; é quando você percebe que não se trata de apenas música, como se algo estivesse para acontecer em uníssono no momento em que as pessoas derem uma chance.

Este é o caso da Jude, que chega com seu álbum de estreia com uma qualidade absurda nos arranjos e uma proposta sonora outrora saudosa que é atualizada com uma nova geração de músicos experientes, o que faz a gente sentir saudade de um tempo em que nem éramos nascido. Com uma forte presença de influências de Beatles, Mutantes, Secos e Molhados, Ave Sangria, Som Nosso de Cada Dia, Clube da Esquina, Sá, Rodrix & Guarabyra, a banda, formada por Reuel Albuquerque (Morfina), Fernando Brasileiro e Alexander Campos (Ex-Necro), é recheada de tons psicodélicos e cordas notoriamente bem timbradas que se casam perfeitamente com uma melodia vocal doce – constituindo refrões memoráveis, temos aqui uma coleção de potenciais hits reunidos em uma verdadeira obra-prima do revival em plena Alagoas, um  puro diamante dilapidado e pronto para apreciação. A propósito, a terrinha tem um flerte bem sucedido com grupos musicais que se deleitam no legado de ouro do rock.

Não se sabe se a mística da coisa está na água nordestina (vide a façanha psicodélica dos pernambucanos da Ave Sangria, com seu disco lançado em 1974) ou se o fenômeno sonoro bateu forte aqui pra uma porção de jovens que nasceu bem depois da época em que tais sonoridades eclodiram; o curioso é que o revival na terra dos marechais passou a ter notoriedade nacional com a evidência alcançada pela Mopho, por seu primeiro disco nos anos 2000, onde se vê uma mistura do pop ”beatlemaníaco” com elementos de rock progressivo, com direito a elogios do ex-mutante Arnaldo Baptista, o quilate de ser considerado um dos melhores discos da década e o alcance nas paradas de rádio norte-americana. Tempos depois, em 2009, surge a Necro, capitaneada por uma nova geração de jovens que, conduzindo competentemente o bastão, atualizam o resgate de gêneros sonoros setentistas para uma nova leva de público ao passo que reconquista a memória dos mais ”old-school” com seu som mais sombrio e ”sabático”, fazendo turnê e encantando a cada apresentação ao vivo – entre as bandas nacionais. Mas se o descobrimento dessa fonte de artistas apaixonados vem com tais bandas que automaticamente se tornam referências para todo alagoano roqueiro de gosto refinado, a consolidação de Alagoas como berço da boa música da escola velha vem mesmo com as novidades que passam a existir, e nesse caso a Jude é a bola da vez.

A banda, que lançou timidamente seus dois singles Ainda que de Ouro e Metais e Vá Ser Feliz Como o Arnaldo Baptista no finalzinho do primeiro semestre andou trabalhando nos últimos meses no disco completo, que acaba de ser lançado de forma independente e com o apoio da gente aqui da Crooked. Cada música do disco homônimo possui canções diferentes que, entretanto, não saem da pretensão de manter raízes calcadas nas suas referências, sempre apontando para os idos da década de 60 e 70.

Produzido pela própria banda e turbinado com participações especiais de representantes dessa leva de artistas como João Paulo da Mopho, e Pedro Ivo da Necro, é de longe um dos discos – senão o disco do ano mesmo neste finalzinho de 2016! Seguindo com a bela arte de colagem para capa feita pelo nosso artista, Elizeu Salazar (a.k.a Lzu).

Recomendamos a audição repetida e sem limites da obra na íntegra! Todo sucesso e devido reconhecimento à Jude!

por Nô Gomes.


Ouçam agora na íntegra:

Fantasmas de Marte – Atmosfere (EP)

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Atmosfere, último lançamento do Fantasmas de Marte, reúne em seis ótimas canções tudo o que a cena atual padece: sinceridade e distorção.  A banda alagoana é formada por Fernando Pinheiro, responsável pelos vocais, guitarras e composição das letras; Normando Galdino, bateria e backing vocal  e Daniel Costa no contra-baixo. As músicas transcorrem de forma fluida, bem encadeadas, em camadas de guitarras, poesia e peso. A banda parece ter acertado na construção e no formato das músicas revezando momentos de explosão com curtos estágios de calmaria.

Uma miscelânea de influências parece delinear o som dos caras, desde punk ao indie rock, com guitarras melódicas e agressivas executadas na medida certa para cada música. Destaque para as texturas e riffs de guitarra e os vocais expressivos de Fernando Pinheiro. As letras são introspectivas e, até certo ponto, espirituais reforçando uma tendência da banda em explorar questões com foco em temas pessoais. Esta característica do EP, de fato, é um ingrediente interessante, pois fornece ao ouvinte a real sensação de estar numa atmosfera sonora densa e melódica.

A faixa título, Atmosfere, primeira do disco, costura uma cativante levada de guitarra e baixo de forma curiosa. Nesta os alagoanos não economizaram em criatividade com belas texturas de guitarra e divisões de bateria bem construídas. Em seguida vem a rápida Bolseiro com melodia grudenta e cheia de na-na-nas. Forte candidata a “hit do disco”. Luar é mais cadenciada e marca  o início de uma mudança na pegada do disco de forma necessária. A maldição, uma espécie de anti-clímax do novo registro, mostra a grande versalidade de composição da banda: solos de guitarra e mudanças bem sacadas de bateria, com ataques precisos. Cenáticos parece tomar bastante de uma possível fonte hardcore, rápida e precisa, mas sem ser clichê. Ondas Artificiais possui arranjo bem trabalhado e talvez seja a música de arranjo mais complexo aqui, com temas de guitarras cheias de delay e um ótimo trabalho com chimbal do baterista Normando Galdino. Digno de nota também é a levada de baixo de Daniel Costa, a qual sobressai de maneira pontual e sem a qual, a música não teria o mesmo charme.

A Fantasmas de Marte é indicada para aqueles que curtem som pesado, com riffs bem desenhados, mas que não dispensam boas linhas melódicas e letras marcantes. A banda mostra em Atmosfere grande competência técnica e artística e fornece um alento às nossas pobres almas, como eles mesmos dizem na faixa título, em “Um mundo repleto de dor”. Sou obrigado a concordar.

por Leonardo Oliveira


Ouçam agora na íntegra:

Killing Surfers – You Never Cared (EP)

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Para noises, não há coisa mais bacana do que juntar amigos e fazer uma banda que brinque com os sons que mais gostamos – a diversão e alegria desses momentos não tem preço.

Nesse contexto, surge a banda que tem chamado atenção de quem curte um som indie, a Killing Surfers; isso mesmo, uma brincadeira que com certeza levará a um caminho sério (se não ja está…); e hoje, eles lançam o primeiro trabalho que dará a sua estréia, o EP You Never Cared.

Fundada em Maceió, Alagoas, pelo vocalista inquieto Mário Alencar (Sketchquiet; Mario The Alencar), mestre bigodon Wilson Victor, ambos responsáveis pelas paredes de guitarras distorcidas e sensacionais que permeiam o disco; e Gellyvan Fernandes (Nonsense Lyrics), querida e carismática figura alagoana, no seu contra-baixo pós-punk à la Kim Gordon.

Killing Surfers é rock, que mergulha rock na vertente shoegaze e dream pop, onde guitarras ora furiosas se misturam com passagens mais serenas. A voz amargurada de Mário sussurra alguma coisa em nossos ouvidos – nossa! Parece triste, mas não! A rapaziada não deixa a peteca cair nunca.

As influências… Os caras conhecem muitas coisas, e misturam sem piedade ou preconceito, mas o som sai naturalmente sem forçar a barra.

Vamos destacar todas as faixas desse disco, sim! porque não? I Wanna Sleep e Medications são dois embriões que parecem ter saído do trio mais barulhento de Nova Iorque desde o Sonic Youth, o A Place To Bury Strangers. Pillow Face tem uma intro suave que mergulha depois em seu ”white noise”, assim como She’s Like Heaven, bebem de grandes bandas shoegaze como My Bloody Valentine e The Jesus and Mary Chain – a delicada Sunrise, remete o clima etéreo do Cocteau TwinsSlowdive e Galaxie 500. E por fim o hit, Another Horizon, que lembra… Killing Surfers! É isso, a mistura que pode lembrar alguma banda mas tem sabor próprio.

A produção ficou encarregada pelo vocalista/guitarrista da banda, Mário Alencar, que com muito suor também fez a arte da capa de You Never Cared.

Acompanho esse caras no selo desde janeiro desse ano, e vejo como transbordam energias positivas quando falam de música ou quando fazem música; isso serve de lição de vida para mim, não perder o amor por isto mesmo que te traga apenas… Felicidade!

por Carlos Otávio Vianna


Ouçam agora na íntegra:

Vera Fauna – A | B (EP)

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O selo Crooked Tree Records trabalha com musica independente feita aqui no Brasil – várias vertentes, música ambiente, eletrônica, experimental, folk, rock pesado, rock psicodélico e por aí vai, galerinha (haha).

A internet proporciona fatos inusitados como dividir seu gosto musical com pessoas muito distantes de nós. Ao enviar uma mensagem comentando sobre o bom EP da banda Primavera, lançado nesse ano, o espanhol Kike Suárez nos apresentou o som da sua Vera Fauna. Assim surgiu o primeiro lançamento internacional do nosso selo, o EP A | B.

A Vera Fauna é formada pelos espanhóis: Javier Blanco, Jaime de Sobrino, Juanlu Romero e o frontman Kike Suárez, fazendo um belo trabalho de guitarras e vozes psicodélicas.

São duas faixas: Quiebro y Nada, com seu clima ensolarado que remete a bandas recentes que com certeza devem curtir uma praia, como o Tame Impala, Mac DeMarco, Real Estate, Girls – e a faixa Poniente, cheia de phasers pra dar aquela brisa. A ilustra da capa que achamos que deve interpretar algo feminista (?) é de um tal de Jeice2 (é isso mesmo!)

A língua não será barreira para que você aprecie o bom som desse quarteto de Sevilha, o vocalista Kike, disse que há um movimento de bandas de rock psicodélicas que vem tendo um bom destaque, e essa parceria vai ajudar a divulgar a música deles por aqui e de nossos projetos pelo underground do velho continente.

por: Carlos Otávio Vianna


Ouçam agora na íntegra:

Botas Batidas – Não Adentre A Meia Noite Apenas Com Ternura (Album)

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Muitas vezes precisamos falar pouco para dizermos muito, e assim, adentremos a meia-noite mas não apenas com ternura. Adentremos em pontos reflexivos – plausível com a textura vinda de Botas Batidas, na solidão de uma rua escura, um verdadeiro pós-álcool com vida em um pouco de morte.

Quem é esse tal Botas?! Mateus de França é o responsável por esse pseudônimo, e o cearense entra hoje para o coletivo da Crooked, com o seu terceiro e mais novo álbum, que particularmente seria o melhor dos outros que Mateus já gravou; segundo nós.

Dando portas infinitas para este bossa-nova experimental (como?!) sim, quando o ouvimos, lembramos das belas cordas daquela época, mistura aí as melodias de Cartola com a loucura do harsh noise do Merzbow (que doidera da po$#@%& é essa!?!?!) sim, ouça! e entenderás se estás neste caminho. Antes de tudo, prestem atenção na faixa Agenor de Oliveira, e perceberás com clareza que o garoto tem um pouco da referência de um dos compositores que mais lutou pela sua carreira; quase uma apologia.

Algumas músicas te dão ideologias, arrepios,  euforias… e algumas te dão, você – como se pudesse ver um espelho em cada toque e em cada som, violões psicodélicos e mensagens sendo enviadas através de ondas sonoras a alegrias de quem já viveu e continua vivo.

Em todas as faixas pode se ouvir o silêncio de um grito que suplica ao dizer: Não adentre a meia noite apenas com ternura.

por Gellyvan Fernandes


Ouçam agora na íntegra:

Humbra – Tempos Mal Vividos (EP)

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Tempos Mal Vividos – EP desse ano da Humbra, que acaba de ser lançado aqui pela Crooked, é definitivamente o que há de melhor para os ouvidos de quem é fã de grunge cantado em português. A banda carioca é formada por Leonardo Oliveira nos vocais, dividindo as guitarras com Val Waxman, Fabiano Cunha faz o suporte com contra-baixo e backing vocal, enquanto Bruno Monteiro completa o time com uma bateria na medida certa de raiva e energia projetada por cada canção.

Destaques para a faixa-título do EP, que chama atenção pela melodia vocal idealmente escorregante acompanhada por uma guitarra cheia de tonelagem de distorção. Diante do Espelho também sobressai como uma notável canção necessária a todos, dessa vez parecendo ser feita pra se tornar popular. Atenção para o refrão de arrancar qualquer um da cadeira (“eu e você… eu e vocêêeee…”), precedido de ruídos justapostos com a intenção de tornar o grunge confortável na sala de estar do pop – e vice versa, exatamente como as grandes bandas de grunge faziam na era do descobrimento do rock sujo de guitarra pelo mundo.

Silverina parece um punk rock quase ”raimundeano”, mas ao invés das ”nordestinidades” dos músicos de brasília, os cariocas fazem música rápida eminentemente suja. Nada a Justificar e O Circo, as canções que abrem e fecham o EP, parece ter sido escolhidas para ocupar realmente tais posições. Imagine um show dos caras com Nada a Justificar, com uma guitarra que dá o tom pra uma bateria pulsante. O Circo fecha as cortinas do disquinho no mesmo ritmo e intenção das demais músicas. Definitivamente, qualquer uma das faixas seriam suficientes para representar a qualidade da banda como um todo.

A Humbra é daquelas bandas que te fazem pensar sobre o mercado fonográfico e a superficialidade do mainstream quando uma banda surge no underground tendo muito o que dizer e a mostrar. A morte do grunge só o foi para o mainstream, e isso não faz nenhuma falta pra quem sabe encontrar jóias persistentes de guitarras e vozes rascantes – exatamente como a banda faz. Acrescidos de uma guitarra psicodélica e letras sobre o cotidiano das relações, seria uma porta ideal para o jovem que quer saber o que é esse tal de rock and roll que a galera tanto curte – tanto quanto era o Pearl Jam, o Nirvana, o Screaming Trees ou qualquer outra referência de Seattle no início do ano para a geração roqueira dos anos 90.

Ao cantar em português, o quarteto comprova a adequação do gênero à nossa língua, ajudada por composições que poderiam até mesmo ser uma tradução direta de uma boa canção noventista. A proposta lo-fi, seja pelo acesso ao tipo de equipamento disponível ou por pura estética, revela como a banda acertou em cheio nos arranjos e na produção. Algo mais limpinho ou mais lo-fi que isso não seria legal quanto é.

Como é satisfatório ver como o grunge ainda pulsa na nossa juventude!

 

por Nô Gomes


Ouçam agora na íntegra:

The Modem – Hard Pop (EP)

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Ouvidos abertos para a novidade que acaba de aportar aqui na Crooked! É que o The Modem acaba de lançar pela gente o seu EP Hard Pop.

O projeto, encabeçado pelo visionário paulista Edson Codenis, é uma surpresa enorme quando descobrimos o cara na rede mundial de computadores. Uma junção de baladas retrocompatíveis com uma sonoridade 8-bit que nos leva a um tipo de dimensão oitentista com instrumentos do século XXI faz a nossa cabeça e dá vontade de sair dançando pela cidade enquanto cantamos seus refrões marcantes.

A balada retrô de The Modem é recomendado para pistas de seres de todas as idades, pra carros no meio da estrada noturna, no fone de ouvido quando o clima é de curtição ou quando você tem aquele coração partido precisando de um ”up” pra investir no amor de novo. Cada faixa tem sua peculiaridade, sem se desgrudar da sua originalidade sonora, o que faz cada canção se tornar um hit underground suave, sincero, pop bem dosado e inteligente nos arranjos e nas letras – bote sua ficha nessa jukebox, escolha sua faixa preferida e cante sem parar. Esse é The Modem! Eis a playlist:

Totem é uma canção sobre a “diversidade da mudança” que nos possa fazer ser lembrados pelo nome, enquanto na praça tem um totem que fala sempre dos feitos dos nossos heróis. É um som que leva com sabedoria – musical e filosófica – as reflexões sobre o que estamos fazendo de nossas vidas. Pare tudo e veja se não é verdade!

Em A Minha Proposta, o novo dilema é uma paixão que brota de uma relação juvenil contrariada pelo pai da moça. Uma daquelas canções que todo mundo vive em algum momento da vida captada com o que podemos chamar de descrição exata do real. Atente pra essa dor de cotovelo cantada sobre o jogo de notas do refrão! Que música!

Viciada no Asfalto nasceu para brilhar na velocidade da luz. Como a música supõe, “no seu carro, voa baixo, no seu sangue, a velocidade flui, ela corre entre os prédios”… Não seria uma metalinguagem sobre o alcance do próprio som? A canção tem um apelo dançante forte, sem ser esses pops enlatados. A boa produção vocal reverbera para além da faixa. Quando fechamos os olhos escutando a canção, só conseguimos imaginar as luzes da noite em uma via principal em uma moto ou um carango potente! Faça o teste aí!

Na Hora Errada parece aquelas tretas de relacionamento, quando nos é oferecido um paraíso e tudo o que nos dão são as  próprias e previsíveis imperfeições do ser, o tipo de gambiarra remendada para ver se dá pra continuar levando com a barriga. Acontece. Recomendado para todos os momentos pré, pós e durante o discutir de uma relação.

Se a canção anterior é uma forma de se enxergar e lidar com a dor da frustração, em Espelho temos um verdadeiro banho de água quente em um relacionamento, do tipo “Owwwwwnnnn” de fofura, fazendo pensar que tudo parece perfeito. Ouça o verso “A nossa sintonia ultrapassa os limites da compreensão / Não existe mais nada importante pra mim / Do que ter você” pra ver se você não sente seu coração aquecido!

Em Você vai se perder, temos a finalização das inéditas do EP, o adeus ou um até logo, com uma faixa de despedida em um refrão que repetidamente lembra do preço dos erros cometidos: “Eu vou embora sem olhar pra trás / E quando você chegar já será tarde / Não adianta vir correndo atrás / Você vai se perder.”

Por fim, uma faixa bonus: Uma versão de Viciada no Asfalto, talvez a grande música, pelo DJ LWolf. A capa colorida e geométrica do EP foi feita pelo artista gráfico Mário Alencar, que tem uma leve referência as artes dos discos do New Order .

Depois de escutar cada faixa é que descobrimos porque  Hard Pop é mesmo o nome ideal para esse trabalho: é dançante, é foda, é bem produzido, é um hit atrás do outro, sobre coisas da vida que são difíceis de lidar. Ainda bem que o temos como trilha sonora de cada grande momento de relacionamentos de nossas vidas!

por: Nô Gomes


Ouçam agora na íntegra: