The Crooked Friends Collective – Vol. 1 (Coletânea 1 ano de Crooked Tree Records)

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O tempo anda sem percebermos quando estamos em atividade, não? Melhor ainda quando fazemos algo com a própria alma.

No final de 2015, logo no natal, fui tendo uma ideia de poder ajudar um pessoal que eu observava de longe, bem distante; mas essa galera não era apenas uma galera comum, eram artistas, que andavam em seus próprios quartos, porões e até mesmo estúdios para criarem, criarem música. Essas pessoas vivem trancafiadas dias após dias para construírem algo que vem delas mesmas, com muito amor e carinho. Mas essas pessoas estavam acanhadas de mostrarem isso a uma rede social, ao mundo que os tem ao redor, foi daí que a Crooked Tree Records nasceu, junto com uns amigos que conheci a pouco tempo, e que tinham os mesmos caminhos.

Agora, o selo completa 1 ano de aniversário – com 23 discos no catálogo e 19 artistas. Esses talentos estão divididos pelo mundo: Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Alagoas, Goiânia e até mesmo a Espanha. Tivemos altos e baixos por aqui, mas sempre com o orgulho de fazer parte desta equipe que vem lutando pelo seu espaço, tendo ideias e mais ideias sem cessar.

Uma salva de palmas para todos que estão envolvidos a Crooked Tree, sem o apoio de vocês este sonho não se tornaria tão real – grande honra está ao lado de grandes artistas e bandas, aprendendo a cada dia uma imensidão diferente. Vocês são incríveis!

Mas parando com toda essa choramingueira! (haha) Temos aqui de presente para nossos ouvintes fies (rsrs) – uma coletânea com quase todos os artistas do selo, os que marcaram mais no ano passado e até então em janeiro. Um punhado de canções inéditas que foram gravadas justamente para isso, e outras que já foram lançadas em outras plataformas. Fiquem com os projeto solos do Depressa Moço!, Mario The Alencar, Nonsense Lyrics, Sebage, Wands (projeto solo do vocalista da banda Pormenores), Hesla (nova empreitada do artista Diaz, que em breve estará lançando disco por aqui) – também com os experimentalismos do Sketchquiet, Eric Iozzi, Botas Batidas, Lzu, dpsmkr – e as bandas Killing Surfers, Humbra, Fantasmas de Marte e The Modem. Mas antes de tudo! Vamos tirar mais um pouco a preguiça para lermos mais um pouco alguns depoimentos de alguns artistas, Leonardo Oliveira da Humbra, Carlos Otávio Vianna, Depressa Moço! e ah! Os videozinhos da bandas Jude Edson Codenis da The Modem, agradecendo-nos e dando os parabéns – ”rock n’rooooll hey! rock n’rooooool rock! rock n’rooool hey!”.

por Mário Alencar


Carlos Otávio Vianna (Depressa Moço!):

O ano de 2016 não foi fácil!!! O mundo e não só nosso país sofreram com crises econômicas e políticas. Muita coisa está mudando, o mundo toma conhecimento de diferentes
culturas, hábitos até então relegados a uma posição submissa. A diversidade é enorme, temos muita coisa diferente ao nosso alcance, ainda mais com as ferramentas tecnológicas que temos hoje em dia. Mas por mais estranho que pareça boa parte das pessoas não está
arriscando no novo, no diferente….o medo do novo sempre existiu, mas talvez preguiça…já que temos tanto a mão. Não queremos perder tempo!!!! Perdemos tanto tempo pensando nisso…

Em fevereiro de 2016 surgiu em Maceió, Alagoas, o selo Crooked Tree Records, projeto da cebeça do inquieto Mário Alencar. O selo queria divulgar artistas independentes de qualquer lugar do país, e abria um leque enorme de opções sonoras. Não importando se era gravação caseira ou profissional, se valia a  pena era lançado. ser era uma banda ou um homem banda (atenção meninas, esta faltando mulher- banda ou banda de meninas no pedaço!).

Rock em português da Pormenores, Fantasmas de Marte, Jude, Humbra, Primavera. Pop eletrônico do The Modem, MASM, também musica minimalista experimental de DPSMKR, Sketchquiet, Gimu, Botas Batidas . Musica passional de Nonsense Lyrics e Mario the Alencar. Paisagens sonoras criadas por Eric Iozzi e LZU, sons eletrônicos e acústicos de Depressa moço!, DIAZ e o shoegaze da Killing Surfers. Uma diversidade que fez bem a todos, onde se criaram novas amizades e união em torno da música. Essa crença na diversidade acho que favoreceu a vários artistas do selo estarem presentes em listas de melhores do ano, as vezes mais de um artista numa mesma lista e junto com ˜medalhões” da industria
fonográfica e artistas com mais exposição na grande mídia. Fiquei feliz em fazer parte desse combo.

Agora, para celebrar um ano de existência, a Crooked Tree Records vai lançar uma coletânea de seus artistas. Ela representa bem o que falei anteriormente, um caleidoscópio sonoro (se isso é possível, he he) onde cada artista contribuiu com uma musica, na maioria inédita em seus trabalhos. Ouça, arrisque…se você não gostar,  tudo bem, saberá que existe muita coisa diferente para conhecer. O mundo precisa disso!!!


Leonardo Oliveira (Humbra):

O ano de 2016 começava para nós de forma despretensiosa. Estávamos montando novo repertório e decidindo qual direção daríamos à banda. Foi aí que tivemos a ideia de gravar um conjunto de 5 músicas de diferentes fases de nossas vidas, o Tempos Mal Vividos.

E foi assim, experimentando o passado,  testando antigos arranjos há muito empoeirados nos meandros de nossas mentes, que este disquinho despretensioso rendeu para nós da Humbra a oportunidade de entrar pra Crooked Tree Records e ampliar sobremaneira as possibilidades da  banda como um todo. O que mais nos chamou atenção na Crooked foi a diversidade e a capacidade de reunir de forma uníssona tanta gente diferente; uma verdadeira lente num mar de informação que nos fornece um belo recorte da cena que se forma no país.


Edson Codenis (The Modem):


Reuel Albuquerque e Alexander Campos (Jude):


Ouçam agora na íntegra:

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The Modem – Hard Pop (EP)

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Ouvidos abertos para a novidade que acaba de aportar aqui na Crooked! É que o The Modem acaba de lançar pela gente o seu EP Hard Pop.

O projeto, encabeçado pelo visionário paulista Edson Codenis, é uma surpresa enorme quando descobrimos o cara na rede mundial de computadores. Uma junção de baladas retrocompatíveis com uma sonoridade 8-bit que nos leva a um tipo de dimensão oitentista com instrumentos do século XXI faz a nossa cabeça e dá vontade de sair dançando pela cidade enquanto cantamos seus refrões marcantes.

A balada retrô de The Modem é recomendado para pistas de seres de todas as idades, pra carros no meio da estrada noturna, no fone de ouvido quando o clima é de curtição ou quando você tem aquele coração partido precisando de um ”up” pra investir no amor de novo. Cada faixa tem sua peculiaridade, sem se desgrudar da sua originalidade sonora, o que faz cada canção se tornar um hit underground suave, sincero, pop bem dosado e inteligente nos arranjos e nas letras – bote sua ficha nessa jukebox, escolha sua faixa preferida e cante sem parar. Esse é The Modem! Eis a playlist:

Totem é uma canção sobre a “diversidade da mudança” que nos possa fazer ser lembrados pelo nome, enquanto na praça tem um totem que fala sempre dos feitos dos nossos heróis. É um som que leva com sabedoria – musical e filosófica – as reflexões sobre o que estamos fazendo de nossas vidas. Pare tudo e veja se não é verdade!

Em A Minha Proposta, o novo dilema é uma paixão que brota de uma relação juvenil contrariada pelo pai da moça. Uma daquelas canções que todo mundo vive em algum momento da vida captada com o que podemos chamar de descrição exata do real. Atente pra essa dor de cotovelo cantada sobre o jogo de notas do refrão! Que música!

Viciada no Asfalto nasceu para brilhar na velocidade da luz. Como a música supõe, “no seu carro, voa baixo, no seu sangue, a velocidade flui, ela corre entre os prédios”… Não seria uma metalinguagem sobre o alcance do próprio som? A canção tem um apelo dançante forte, sem ser esses pops enlatados. A boa produção vocal reverbera para além da faixa. Quando fechamos os olhos escutando a canção, só conseguimos imaginar as luzes da noite em uma via principal em uma moto ou um carango potente! Faça o teste aí!

Na Hora Errada parece aquelas tretas de relacionamento, quando nos é oferecido um paraíso e tudo o que nos dão são as  próprias e previsíveis imperfeições do ser, o tipo de gambiarra remendada para ver se dá pra continuar levando com a barriga. Acontece. Recomendado para todos os momentos pré, pós e durante o discutir de uma relação.

Se a canção anterior é uma forma de se enxergar e lidar com a dor da frustração, em Espelho temos um verdadeiro banho de água quente em um relacionamento, do tipo “Owwwwwnnnn” de fofura, fazendo pensar que tudo parece perfeito. Ouça o verso “A nossa sintonia ultrapassa os limites da compreensão / Não existe mais nada importante pra mim / Do que ter você” pra ver se você não sente seu coração aquecido!

Em Você vai se perder, temos a finalização das inéditas do EP, o adeus ou um até logo, com uma faixa de despedida em um refrão que repetidamente lembra do preço dos erros cometidos: “Eu vou embora sem olhar pra trás / E quando você chegar já será tarde / Não adianta vir correndo atrás / Você vai se perder.”

Por fim, uma faixa bonus: Uma versão de Viciada no Asfalto, talvez a grande música, pelo DJ LWolf. A capa colorida e geométrica do EP foi feita pelo artista gráfico Mário Alencar, que tem uma leve referência as artes dos discos do New Order .

Depois de escutar cada faixa é que descobrimos porque  Hard Pop é mesmo o nome ideal para esse trabalho: é dançante, é foda, é bem produzido, é um hit atrás do outro, sobre coisas da vida que são difíceis de lidar. Ainda bem que o temos como trilha sonora de cada grande momento de relacionamentos de nossas vidas!

por: Nô Gomes


Ouçam agora na íntegra: