Pacamã – Antes Aqui Era Tudo Mato (Album)

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Num mundo onde as pessoas gostam de referendar tudo, é bom descobrir uma novidade que lembra alguma coisa mas que você não consegue definir. Sim, é muito bom descobrir algo original que tem seu jeito de ser – A banda alagoana Pacamã consegue esse feito, a começar pelo título de seu primeiro disco, Antes Aqui Era Tudo Mato.

Não é um disco bicho grilo mas possui um clima sereno, que lembra alguém que contempla uma bela paisagem longe das cidades. Com belas passagens acústicas, alguns efeitos sonoros que percorrem nossos ouvidos de um lado para o outro, guitarras esparsas e precisas que aparecem no momento certo, assim como os arranjos de cordas.

A faixa de abertura Engenho surge com um violão, sob um dueto de voz masculina e feminina que desaba em cordas e as já citadas intervenções de guitarras, a letra tem um jeito MPB”, uma forma mais lírica de falar de amores, natureza e sentimentos. Catedral, é aqui, o destaque do disco, é moderna como bandas gringas da atualidade, War On Drugs, Fossil Collective, Fleet Foxes e tanto faz, seu refrão é acentuado e gruda na cabeça. A percussiva Furdunço, tem guitarras dissonantes e distorcidas, com órgão ao fundo que remete a alguma produção da época do manguebeat, mas não necessariamente… Eddie?! Pontes e Arrois é um interlúdio soando como se estivéssemos passando por um campo lentamente a cavalo. A faixa que leva ao título do álbum lembra a onda pós rock, com seu contrabaixo forte e guitarras viajantes. Itapuã (Mudo) parece um alguém descontraído e feliz brincando com o seu ukulele na beira do rio. Fugitivo nos fazem pensar em uma noite estrelada onde dedilhamos nossa viola. E para finalizar, a derradeira Iara/Rito prova que uma música com arranjo de cordas pode ser pesada e delicada ao mesmo tempo – a letra fala sobre Iara, a mãe d’água.

O clima geral do disco me lembra o trabalho de Lula Cortes e Zé Ramalho, Paêbirú, com apresentação de um mundo fora de nossa realidade das cidades, algo que transcende o materialismo. O álbum mostra um som com pitadas de muitas coisas diferentes, mas que soa próprio nas mãos da banda, que é formada por Mateus Borges nos vocais, Igor Cavalcante na guitarra e violão, Mateus Magalhães com a percussão e vocal, Thiago Mata na bateria, violão, guitarra, contrabaixo, ukulele e vocal e Thomas Schaeffer também com um contrabaixo e guitarra, além da banda, houve participações de Ivana Fontes nos backing vocals, Tércio Smith nos violinos e violoncelos e Ceceu, teclados na faixa Engenho – a arte minimalista e que ao mesmo tempo nos remete a desenhos primitivos é de Thiago Mata.

Uma música moderna, delicada e vibrante nos momentos certos – Pacamã é um peixe da bacia do São Francisco mas que se adapta a vida em aquários e é exportado para todo mundo. Que a música do Pacamã alcance todos os aquários com fone de ouvido e alto-falantes do mundo, com as bençãos de Iara.

por Carlos Otávio Vianna e Mário Alencar


Ouçam agora na íntegra:

 

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