Bergamota – Oscilação (Album)

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A banda Begamota vem de Miguel Pereira, pequena cidade serrana do estado do Rio de Janeiro, e é composta por Kasu Machado (vocais e guitarra), Lucas Fernandes (guitarra e backing vocal), Gabriel Medeiros (bateria e backing vocal)  e Amon Deister (contrabaixo).

Os garotos constroem um som moderno com peso, variações rítmicas e muitos grooves. Imagine o Arctic Monkeys (na época do ”Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not” em 2006), e o novo stoner do Queens Of The Stone Age… Terás uma percepção do que é o som da Bergamota. Mas não pense que a garotada aqui se resume a essas bandas, tem muito mais no caldeirão.

Eles tem admiração por bandas como The Black Keys, The Mars Volta, Echo And The Bunnymen, King Crimson, sim! Não há limitações. As letras de Kasu Machado falam de experiências cotidianas e relacionamentos, tudo temperado com um toque de humor que não é escrachado, mas sutil. A primeira faixa, Oscilação, que leva o título do disco, começa com um clima viajante com guitarras cheias de eco e descamba para uma vibe pulsante e um peso não sugerido pelo início – cheia de surpresas! Mastaba, a segunda faixa, toma de cara o que já falamos, QOSA! Pesada na medida. A terceira, Nuvens Negras é mais indie, mais rápida e “dançante” com uma letra esperta que brinca com a mania de quem quer parecer descolado e desdenha do que é feito em português – “Um olhar de desdém quando meu som tocou / Ela disse, não vou escutar vocês, porque vocês não cantam em inglês!”.

A faixa Queda Curta começa como musica de coquetel e chuta o balde com guitarras que fazem um estilo bacana e depois chamam para dançar “flamenco” (Brincadeira!!!). Poderíamos considerar essa, a referência ao Mars Volta?!? O Final é inesperado. Lástima começa com uma guitarra slide e clima “latino”, seria a balada do disco – se é que importa ter uma música mais calma, mas a letra não é doce. A sexta faixa já começa com o pé embaixo, em Ïvo Robotinik, as cordas conduzem a canção com tons graves. Destaque para a batera frenética, cheia de varições. Rogi, a sétima faixa, tem guitarras que criam um som envolvente que as vezes explode. A derradeira e última 40 Terços, talvez a mais sombria, tem com uma pitada de pós rock.

O álbum foi inteiramente produzido por Garage Inc. e Carol Lippi, e não podemos esquecer da arte da capa por Caio Lopes, que nos fazem remeter aos desenhos do Studio Ghibli. Uma estréia bacana, que foi feita com cuidado pela banda e que merece ser ouvida bem alto!

por Carlos Otávio Vianna


Ouçam agora na íntegra:

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