Killing Surfers – Nothing Is Heading (Album)

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foto por Taynah

Em 2018 o selo Crooked Tree Records comemora dois anos de existência com o lançamento do álbum da Killing Surfers. A banda que lança seu primeiro álbum completo, Nothing Is Heading, passou por mudanças desde o lançamento do seu EP em 2016; trocou de nome, de formação.

Aatualmente é formada pelo frontman Mário Alencar (guitarra e voz), Wilson Victor (guitarra), Gabriel Araújo (Baixo) e Normando Galdino (Bateria).

O som da banda emerge da paixão dos integrantes pelo shoegaze e o rock alternativo dos anos 90, bandas como My Bloody Valentine, The Jesus And Mary Chain, Sonic Youth, mas se destaca por não copiar ou requentar uma fórmula estabelecida. O som de Nothing Is Heading é vibrante e variado, a cozinha de Gabriel e Normando faz mais do que manter o ritmo, imprime mudanças de direção na melodia, deixando Mário e Wilson povoarem as canções com belas e cortantes guitarras cheias de fuzz, reverb e outros efeitos.

A voz de Mário Alencar apesar de carregar o clima introspectivo dos ”shoegazers” também surge rasgada em algumas canções, o que tira a banda do lugar comum praticado por muitas bandas que seguem por essa trilha. Vamos ao faixa a faixa?

Rebirth abre o disco com guitarras fuzz climáticas e logo de cara um baixo pulsante faz o corpo mexer de leve, em uma dancinha desengonçada e feliz; logo depois acalma o mar de guitarras para a voz nos contar sobre desilusões, e amores, alternada entre o suave e o rasgado.

Shadows Go Away , a mais lenta, tem um clima mais tradicional com a voz soando mais preguiçosa e com um backing vocal bacana no fim da música. A letra é especial, foi escrita pelo ex baixista da banda Gellyvan Fernandes, ou seja, o Nonsense Lyrics; Fernandes foi quem gravou os baixos do EP You Never Cared de 2016.

Em Everything’s Going Down tem guitarras com vibrato que iniciam a música também mais lenta, com um groove mais tribal que as anteriores.

A coisa muda em Midnight Ghosts, o ritmo frenético quase pós hardcore e grunge vem com partes de ”drum’n bass” (da ótima bateria de Galdino) que se destacam na música.

Crawl segue numa levada pós punk também mais “uptempo”, em relação às três primeiras, com uma batida mais dançante que Midnight Ghosts.

Guitarras em reverso são a tônica da faixa título do álbum. Um interlúdio.

A faixa Special Mend abre com guitarras cheias de reverb mas logo deixa entrar o mar de distorções, que tem um riff que gruda na cabeça e conduz a melodia da música. O baixo de Gabriel pulsa novamente e se destaca na faixa. Essa faixa pode-se considerar um dos hits do registro.

Seguimos com a densa Discomfort, que surge de forma “shoegaze tradicional” e que depois toma um rumo quase pós rock em que Mário canta com uma voz desesperada e quase “grunge”.

Chegamos a mais um hit do disco; Rest Your Head. Guitarra que gruda nas meninges, bateria “primitiva” no estilo Jesus And Mary Chain em seu primeiro disco, Psychocandy e eis que surge uma bela voz feminina, cortesia de Ellen Farias fazendo participação que trás um ar de dream pop à canção – e ainda tem clima de bossa nova torta no meio. Sensacional! É pra deixar no repeat.

Deu para perceber que apesar da referência noise pop temos muita coisa debaixo dessa roupagem. Talvez possamos citar novas bandas como o A Place to Bury Strangers ou as brasileiras de hoje em dia como o Justine Never Knew The Rules, que produzem algo semelhante.

O álbum termina com a faixa The Bright Colors que remete um pouco aos trabalhos mais experimentais de Mário Alencar como o Sketchquiet, mas com muito Slowdive e Cocteau Twins na atmosfera da melodia. Belo disco!!!

Artistas como Jude, Humbra, Sebage, Pedro Salvador, Pacamã, The Sorry Shop deram um saudável empurrão na qualidade do som produzido pela Crooked. Esse disco faz parte dessa “nova fase”, bem trabalhado e refinado mas mantém o clima low fi tão querido pelo selo. O álbum será distribuído também pelo selo gaúcho Lovely Noise Records.

Nothing Is Heading abre os lançamentos de 2018 e vai gerar expectativas em relação aos trabalhos de novos artistas do selo e dos novos trabalhos de “veteranos” como Humbra, Jude, Sebage. Eu digo que estas expectativas serão todas superadas!

por Carlos Otávio Vianna


Ouçam agora na íntegra:

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