Sketchquiet – Come To The Dust Nowhere (Album)

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foto por Normando Galdino

Uma das maiores virtudes do amigo Mário Alencar, é a forma como ele usa a falta de recursos a seu favor, as sobras, ruídos e chiados da gravação acabam se incorporando às músicas e se tornam parte importante delas. E ele chega agora com o segundo disco do Sketchquiet pela Crooked Tree Records.

Mário é o Sketchquiet, que trabalha essa limitação com maestria e o resulto é um som sujo, oras delicado oras visceral e também intimista. Coisas que gostaríamos de ver em bandas maiores mas que se perdem no excesso de produção.

O homem não se preocupa com plug-ins e filtros, o que você ouve é o que ele está fazendo e ás vezes traduzem seus conflitos internos. Produzindo música em escala industrial, seguramente é o artista mais produtivo do underground brasileiro atual.

Come To The Dust Nowhere começa bem com a faixa Afterglow, é melancólica no tom certo e apresenta a maturidade sonora de uma banda que não tem pressa em agradar ninguém.

Achei que a faixa Floating On A Breeze casou bem com a atmosfera proposta pela arte de Elizeu Salazar (o artista Lzu aqui da Crooked) para a capa do disco. Sete minutos de pura viagem e introspecção! É para os amantes do selo inglês de Sheffield, Warp Records, a música lembra projetos como o Boards Of Canada ou o Aphex Twin.

Ouvi  The Earth Never Bothered To Put Words três vezes seguidas, e é hit desses que se toca no show e causa uma revolução de sensações. Alencar faz uso de suas influências sonoras e toca uma guitarra mais inspirada!

Gas Crater! Gosto dessa, é marca registrada da banda um tipo ”Sketchquiet” mesmo. Tenho impressão que estou ouvindo o one-man band murmurar a melodia pelo canto da sala instrumental que não teria melhor lugar para estar.

Sun Of The Nomads vem  quase uma balada com uma interessante levada de bateria, o sample no inicio é um complemento curioso, denunciando a participação do músico Carlos Otávio Vianna, Depressa Moço!

Os sketches sempre se dão bem quando exploram timbres mais graves, é o caso da faixa Creatures From Outer Space, aqui, a guitarra base ganhou uma irresistível sobra fragmentada.

White Ceremony ganhou vocal num disco predominantemente instrumental, outra característica forte da banda de um homem só. Mário canta num lamento esperançoso. Com ar nostálgico e que aspira bem o artista britânico Durutti Column, White Ceremony poderia ser a faixa principal do trabalho.

Desert Pyramids tem andamento lento mas é a música mais cadenciada do álbum. Envereda por outros caminhos e torna o disco mais rico. Funciona bem sozinha mas é praticamente uma armadilha para as faixas que vem a seguir.

Let the Sky Fall é puramente experimental, uma anti música com deliciosos ruídos ao final. Será que a faixa acabou ou o músico Mario Alencar simplesmente se perdeu em seus devaneios?!

Fechamos o trabalho com a faixa Ruínas – É Imersão numa track obscura, senti eco das boas bandas do pós punk com distorções rasgadas e pesadas.

Come To The Dust Nowhere esteve engavetado há um ano para ser lançado especialmente por aqui, que também está saindo junto pelo selo gaúcho Lovely Noise Records, que em 2018 promete versão física do trabalho. Se existe um nível abaixo do underground, o Sketchquiet habita ele!

E este foi o nosso último lançamento do ano. Até 2018!

por Edson Codenis


Ouçam agora na íntegra:

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