Humbra – Tempos Mal Vividos (EP)

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Tempos Mal Vividos – EP desse ano da Humbra, que acaba de ser lançado aqui pela Crooked, é definitivamente o que há de melhor para os ouvidos de quem é fã de grunge cantado em português. A banda carioca é formada por Leonardo Oliveira nos vocais, dividindo as guitarras com Val Waxman, Fabiano Cunha faz o suporte com contra-baixo e backing vocal, enquanto Bruno Monteiro completa o time com uma bateria na medida certa de raiva e energia projetada por cada canção.

Destaques para a faixa-título do EP, que chama atenção pela melodia vocal idealmente escorregante acompanhada por uma guitarra cheia de tonelagem de distorção. Diante do Espelho também sobressai como uma notável canção necessária a todos, dessa vez parecendo ser feita pra se tornar popular. Atenção para o refrão de arrancar qualquer um da cadeira (“eu e você… eu e vocêêeee…”), precedido de ruídos justapostos com a intenção de tornar o grunge confortável na sala de estar do pop – e vice versa, exatamente como as grandes bandas de grunge faziam na era do descobrimento do rock sujo de guitarra pelo mundo.

Silverina parece um punk rock quase ”raimundeano”, mas ao invés das ”nordestinidades” dos músicos de brasília, os cariocas fazem música rápida eminentemente suja. Nada a Justificar e O Circo, as canções que abrem e fecham o EP, parece ter sido escolhidas para ocupar realmente tais posições. Imagine um show dos caras com Nada a Justificar, com uma guitarra que dá o tom pra uma bateria pulsante. O Circo fecha as cortinas do disquinho no mesmo ritmo e intenção das demais músicas. Definitivamente, qualquer uma das faixas seriam suficientes para representar a qualidade da banda como um todo.

A Humbra é daquelas bandas que te fazem pensar sobre o mercado fonográfico e a superficialidade do mainstream quando uma banda surge no underground tendo muito o que dizer e a mostrar. A morte do grunge só o foi para o mainstream, e isso não faz nenhuma falta pra quem sabe encontrar jóias persistentes de guitarras e vozes rascantes – exatamente como a banda faz. Acrescidos de uma guitarra psicodélica e letras sobre o cotidiano das relações, seria uma porta ideal para o jovem que quer saber o que é esse tal de rock and roll que a galera tanto curte – tanto quanto era o Pearl Jam, o Nirvana, o Screaming Trees ou qualquer outra referência de Seattle no início do ano para a geração roqueira dos anos 90.

Ao cantar em português, o quarteto comprova a adequação do gênero à nossa língua, ajudada por composições que poderiam até mesmo ser uma tradução direta de uma boa canção noventista. A proposta lo-fi, seja pelo acesso ao tipo de equipamento disponível ou por pura estética, revela como a banda acertou em cheio nos arranjos e na produção. Algo mais limpinho ou mais lo-fi que isso não seria legal quanto é.

Como é satisfatório ver como o grunge ainda pulsa na nossa juventude!

por: Nô Gomes


Ouçam agora na íntegra:
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