Sketchquiet – Come To The Dust Nowhere (Album)

IMG_7731
foto por Normando Galdino

Uma das maiores virtudes do amigo Mário Alencar, é a forma como ele usa a falta de recursos a seu favor, as sobras, ruídos e chiados da gravação acabam se incorporando às músicas e se tornam parte importante delas. E ele chega agora com o segundo disco do Sketchquiet pela Crooked Tree Records.

Mário é o Sketchquiet, que trabalha essa limitação com maestria e o resulto é um som sujo, oras delicado oras visceral e também intimista. Coisas que gostaríamos de ver em bandas maiores mas que se perdem no excesso de produção.

O homem não se preocupa com plug-ins e filtros, o que você ouve é o que ele está fazendo e ás vezes traduzem seus conflitos internos. Produzindo música em escala industrial, seguramente é o artista mais produtivo do underground brasileiro atual.

Come To The Dust Nowhere começa bem com a faixa Afterglow, é melancólica no tom certo e apresenta a maturidade sonora de uma banda que não tem pressa em agradar ninguém.

Achei que a faixa Floating On A Breeze casou bem com a atmosfera proposta pela arte de Elizeu Salazar (o artista Lzu aqui da Crooked) para a capa do disco. Sete minutos de pura viagem e introspecção! É para os amantes do selo inglês de Sheffield, Warp Records, a música lembra projetos como o Boards Of Canada ou o Aphex Twin.

Ouvi  The Earth Never Bothered To Put Words três vezes seguidas, e é hit desses que se toca no show e causa uma revolução de sensações. Alencar faz uso de suas influências sonoras e toca uma guitarra mais inspirada!

Gas Crater! Gosto dessa, é marca registrada da banda um tipo ”Sketchquiet” mesmo. Tenho impressão que estou ouvindo o one-man band murmurar a melodia pelo canto da sala instrumental que não teria melhor lugar para estar.

Sun Of The Nomads vem  quase uma balada com uma interessante levada de bateria, o sample no inicio é um complemento curioso, denunciando a participação do músico Carlos Otávio Vianna, Depressa Moço!

Os sketches sempre se dão bem quando exploram timbres mais graves, é o caso da faixa Creatures From Outer Space, aqui, a guitarra base ganhou uma irresistível sobra fragmentada.

White Ceremony ganhou vocal num disco predominantemente instrumental, outra característica forte da banda de um homem só. Mário canta num lamento esperançoso. Com ar nostálgico e que aspira bem o artista britânico Durutti Column, White Ceremony poderia ser a faixa principal do trabalho.

Desert Pyramids tem andamento lento mas é a música mais cadenciada do álbum. Envereda por outros caminhos e torna o disco mais rico. Funciona bem sozinha mas é praticamente uma armadilha para as faixas que vem a seguir.

Let the Sky Fall é puramente experimental, uma anti música com deliciosos ruídos ao final. Será que a faixa acabou ou o músico Mario Alencar simplesmente se perdeu em seus devaneios?!

Fechamos o trabalho com a faixa Ruínas – É Imersão numa track obscura, senti eco das boas bandas do pós punk com distorções rasgadas e pesadas.

Come To The Dust Nowhere esteve engavetado há um ano para ser lançado especialmente por aqui, que também está saindo junto pelo selo gaúcho Lovely Noise Records, que em 2018 promete versão física do trabalho. Se existe um nível abaixo do underground, o Sketchquiet habita ele!

E este foi o nosso último lançamento do ano. Até 2018!

por Edson Codenis


Ouçam agora na íntegra:

Anúncios

Victor Barros – Down and Out (EP)

 

IMG-20170823-WA0087
Foto por Taynah

 


Down and Out é o título do EP de Victor Barros, produzido no Estúdio Lofizêra em Alagoas e lançado pela Crooked Tree Records agora em novembro. A arte da capa ficou por conta de Mário Alencar (Killing Surfers, Sketchquiet), que também foi incumbido de desenhar as linhas de baixo. A banda conta ainda com Gibson Soares (guitarras) e Luan Marcel (bateria). Os vocais e violões são de Victor Barros.

Apesar do lançamento ocorrer no fim desta primavera, Down and Out tem toda a cara de Outono, como uma atmosfera de ocaso de um pôr do sol mais cinza que colorido. Podemos ouvir seis músicas semi acústicas em tom melancólico e com letras muito boas, cantadas por um estilo de vocal quase barítono de Victor Barros, lembrando referências como Jim Morrison à Eddie Vedder.

Calling Home abre o disco de forma serena. Uma balada levada no violão e entrecortada por um tema de guitarra, que combinou bem com o estilo (E a maneira de cantar). Destaque para a letra com bons recortes filosóficos como nos versos Reflections on the mirror / It shows a living thing

Stay, a segunda música, com o refrão que diz Stay / you know it can’t be real / Stay / There’s nothing in between / Stay / Reality is not the same é quase um contraponto de sua antecessora. Mais acelerada, mudanças rítmicas interessantes e um vocal mais ácido dão o cartão de visitas da próxima música.

How Could I Know? mantém a pegada com Victor Barros soltando ainda mais o vocal e me evocou em certas passagens, referências como de Neil Young e do próprio Pearl Jam. É a música com mais peso e um refrão que deve funcionar muito bem nas apresentações ao vivo.

Down and Out, canção que dá nome ao trabalho, tem um arranjo bem trabalhado com violões, guitarras e vocais bem expressivos, que de fato, parecem ser a marca deste disco.

A quinta música, Expectations, parece ser para mim a canção mais bonita e poderia facilmente estar em muitos ”top 5” das músicas lançadas por artistas independentes em 2017.  Os bons timbres de violão e guitarra, delineados por uma linha de baixo interessante produzem uma atmosfera elegante, que é um prato cheio para a melodia vocal.

O trabalho encerra com Fire, a mais ”indie” das seis, digamos assim. Victor Barros opta por um vocal mais soturno, que me rememora algo de Paul Banks no verso You had to run away / No one could stay o que é, de minha parte, um elogio sem precedentes (rs).

A banda funcionou bem como um todo em Down and Out e a química parece ter dado certo. Ao explorar essa faceta semi acústica conseguem um certo ar de naturalidade às músicas, porque provavelmente foi no violão que elas devem ter surgido pela primeira vez. Então, muito do caminho da produção pode ter sido facilitado. As letras variando ora mais confessionais, ora mais filosóficas são outro destaque. De modo geral Victor Barros entrega bem o que promete e desponta como uma das vozes mais outonais do rock alternativo no país. Em plena primavera.

por Leonardo Oliveira


Ouçam agora na íntegra: 

Os Ex-Fumantes – Brazilian Max (EP)

capa.jpg


”Nossa que barulho bonito!” Essa é a frase que se incia o EP Brazilian Max da banda Os Ex-Fumantes, resume de forma bem humorada o som que você irá curtir agora, sim! Curtir!!!

A banda é formada  pelos paulistanos Lucas Mendes Gabriel (Guitarra e vocais) Guilherme Doratioto (Guitarra), Vinicius Almeida (Baixo), Eliel Simões (Bateria) e ainda contam com um trompetista, Wesley Bruce. Os Ex-Fumantes nos presenteia com um som carregado de guitarras que trabalham em sintonia com arranjos de voz bem bacanas.

O EP tem duas canções em inglês e duas em português, e uma capa muito legal que emula um anúncio de cigarro, ideia do próprio vocalista. Alguma destas referências está entre o quarteto, The Strokes, The Libertines, Mac Demarco. A faixa Babe, I Need You começa com vocal de apoio chamando atenção e as guitarras conduzem pulsantes a canção para o refrão, que explode com outras camadas de guitarras.

A segunda canção, Quiçá, tem belos ambientes de reverbs abrindo e um contrabaixo pulsante, pode ser considerada o hit da casa. San José tem um groove mais pesado que explode no “refrão” cantarolado com pratos da bateria agressivos em meio as guitarras, excelente!

A faixa que encerra o disco é Rich Kids, tem uma pegada tribal com a batida marcando forte o ritmo com os tons e o surdo dando um clima mais “experimental”, com ruídos que inundam a música enquanto a banda manda todos os “garotos almofadinhas se cuidarem” (hahaha).

O EP Brazilian Max é curtinho, bem produzido e marcante, dará altos repeats nos lugares. A produção foi feita pelo Lucas Mendes Gabriel no Estúdio Rosa. Well, o que essa galera quer afinal? Que você apenas ouça o som e saia de casa para se divertir em algum bar próximo. Aguardaremos ansiosos por um álbum completo.

por Carlos Otávio Vianna


Ouçam agora na íntegra:

Nonsense Lyrics – No Place To Hide Yourself (Album)

14141870_1169690783087893_1501354821842499086_n
foto por Nonsense Lyrics

Esse menino chamado Gellyvan Fernandes vivia se escondendo na casa de Mário Alencar, sim, ele mesmo, o boss da Crooked (“Eu não sou boss de porra nenhuma”, Mário vai gritar). Enfiado no estúdio Lofizêra do chefinho, escapando para uma tocadinha no jardim do teatro Deodoro aqui na nossa capital, durante o “microfone livre” do movimento Antropofágico Miscigenado, geralmente por insistência nossa, o tímido Gelly foi montando esse criativo, acelerado, despojado e torrencial No Place to hide Yourself, o novo álbum do projeto Nonsense Lyrics, saindo do forno de Alagoas para o Mundo.

Letras sinceras comprometidas com o próprio coração vagabundo e com as amizades, e olhe lá que esse mago também não deixa passar em branco as mazelas deste país mutilado e desfalcado, cantando a beleza da floresta para dizer que “O desmatamento mata cada sentimento…” (em Pessoas são como Árvores).

Totalmente envolvido com as viagens musicais da Crooked a produzir eventos que agitam Maceió com uma série de live sessions nos pubs e teatros da cidade, Gellyvan Fernandes faz deste No Place To Hide Yourself – gravado entre 2016 e 2017, com produção de Mário Alencar e uma pequena ajuda do amigo carioca Carlos Otávio Vianna, do Depressa Moço!, que tocou bateria em Long Trip – uma bandeira de musicalidade pulsante e espontânea, fincada num solo fértil que já havia dado seus primeiros frutos com o EP (oito faixas) do ano passado, Golden Country Punk.

No novo álbum, Gelly toca as guitarras, violão e contrabaixo e, claro, todas as canções foram compostas por ele. Delirantes canções no melhor estilo Syd Barrett. Mário Alencar toca gaita, faz backing, guitarra e canta junto com Gelly em Não Sou o Mesmo e contrabaixo em Consolation, ficando responsável, também, pelas programações que dão textura e harmonização à viagem sonora do bardo moleque da Crooked (e quem não é moleque neste selo? Ah, eu mesmo e o Carlos Otávio Vianna, hehehehe). Essa turma jovem ideosa da Crooked que anda quebrando os paradigmas do rock brasileiro com propostas bem adiante desse contexto almofadinha mainstream de bandas posers e fakes proliferando de Norte a Sul do país com seus álbuns ajustados (quadrados) em fórmulas tão desgastadas quanto enjoadas, estampadas nos inúmeros álbuns de crias de Los Hermanos (bleh!) e congêneres. O desenho da capa é do nosso próprio trovador, para quem o conhece irá identificar de imediato este traço frenético que cativa.

Nonsense Lyrics bota mais lenha nessa fogueira criativa, com a beleza de sentimentos reais emergentes que fazem da Crooked Tree Records o selo do momento. E Gellyvan Fernandes o arauto do novo rock tupiniquim.

por Sebage Jorge


Ouçam agora na íntegra:

Bergamota – Oscilação (Album)

45.jpg


A banda Begamota vem de Miguel Pereira, pequena cidade serrana do estado do Rio de Janeiro, e é composta por Kasu Machado (vocais e guitarra), Lucas Fernandes (guitarra e backing vocal), Gabriel Medeiros (bateria e backing vocal)  e Amon Deister (contrabaixo).

Os garotos constroem um som moderno com peso, variações rítmicas e muitos grooves. Imagine o Arctic Monkeys (na época do ”Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not” em 2006), e o novo stoner do Queens Of The Stone Age… Terás uma percepção do que é o som da Bergamota. Mas não pense que a garotada aqui se resume a essas bandas, tem muito mais no caldeirão.

Eles tem admiração por bandas como The Black Keys, The Mars Volta, Echo And The Bunnymen, King Crimson, sim! Não há limitações. As letras de Kasu Machado falam de experiências cotidianas e relacionamentos, tudo temperado com um toque de humor que não é escrachado, mas sutil. A primeira faixa, Oscilação, que leva o título do disco, começa com um clima viajante com guitarras cheias de eco e descamba para uma vibe pulsante e um peso não sugerido pelo início – cheia de surpresas! Mastaba, a segunda faixa, toma de cara o que já falamos, QOSA! Pesada na medida. A terceira, Nuvens Negras é mais indie, mais rápida e “dançante” com uma letra esperta que brinca com a mania de quem quer parecer descolado e desdenha do que é feito em português – “Um olhar de desdém quando meu som tocou / Ela disse, não vou escutar vocês, porque vocês não cantam em inglês!”.

A faixa Queda Curta começa como musica de coquetel e chuta o balde com guitarras que fazem um estilo bacana e depois chamam para dançar “flamenco” (Brincadeira!!!). Poderíamos considerar essa, a referência ao Mars Volta?!? O Final é inesperado. Lástima começa com uma guitarra slide e clima “latino”, seria a balada do disco – se é que importa ter uma música mais calma, mas a letra não é doce. A sexta faixa já começa com o pé embaixo, em Ïvo Robotinik, as cordas conduzem a canção com tons graves. Destaque para a batera frenética, cheia de varições. Rogi, a sétima faixa, tem guitarras que criam um som envolvente que as vezes explode. A derradeira e última 40 Terços, talvez a mais sombria, tem com uma pitada de pós rock.

O álbum foi inteiramente produzido por Garage Inc. e Carol Lippi, e não podemos esquecer da arte da capa por Caio Lopes, que nos fazem remeter aos desenhos do Studio Ghibli. Uma estréia bacana, que foi feita com cuidado pela banda e que merece ser ouvida bem alto!

por Carlos Otávio Vianna


Ouçam agora na íntegra:

Pacamã – Antes Aqui Era Tudo Mato (Album)

estudo7


Num mundo onde as pessoas gostam de referendar tudo, é bom descobrir uma novidade que lembra alguma coisa mas que você não consegue definir. Sim, é muito bom descobrir algo original que tem seu jeito de ser – A banda alagoana Pacamã consegue esse feito, a começar pelo título de seu primeiro disco, Antes Aqui Era Tudo Mato.

Não é um disco bicho grilo mas possui um clima sereno, que lembra alguém que contempla uma bela paisagem longe das cidades. Com belas passagens acústicas, alguns efeitos sonoros que percorrem nossos ouvidos de um lado para o outro, guitarras esparsas e precisas que aparecem no momento certo, assim como os arranjos de cordas.

A faixa de abertura Engenho surge com um violão, sob um dueto de voz masculina e feminina que desaba em cordas e as já citadas intervenções de guitarras, a letra tem um jeito MPB”, uma forma mais lírica de falar de amores, natureza e sentimentos. Catedral, é aqui, o destaque do disco, é moderna como bandas gringas da atualidade, War On Drugs, Fossil Collective, Fleet Foxes e tanto faz, seu refrão é acentuado e gruda na cabeça. A percussiva Furdunço, tem guitarras dissonantes e distorcidas, com órgão ao fundo que remete a alguma produção da época do manguebeat, mas não necessariamente… Eddie?! Pontes e Arrois é um interlúdio soando como se estivéssemos passando por um campo lentamente a cavalo. A faixa que leva ao título do álbum lembra a onda pós rock, com seu contrabaixo forte e guitarras viajantes. Itapuã (Mudo) parece um alguém descontraído e feliz brincando com o seu ukulele na beira do rio. Fugitivo nos fazem pensar em uma noite estrelada onde dedilhamos nossa viola. E para finalizar, a derradeira Iara/Rito prova que uma música com arranjo de cordas pode ser pesada e delicada ao mesmo tempo – a letra fala sobre Iara, a mãe d’água.

O clima geral do disco me lembra o trabalho de Lula Cortes e Zé Ramalho, Paêbirú, com apresentação de um mundo fora de nossa realidade das cidades, algo que transcende o materialismo. O álbum mostra um som com pitadas de muitas coisas diferentes, mas que soa próprio nas mãos da banda, que é formada por Mateus Borges nos vocais, Igor Cavalcante na guitarra e violão, Mateus Magalhães com a percussão e vocal, Thiago Mata na bateria, violão, guitarra, contrabaixo, ukulele e vocal e Thomas Schaeffer também com um contrabaixo e guitarra, além da banda, houve participações de Ivana Fontes nos backing vocals, Tércio Smith nos violinos e violoncelos e Ceceu, teclados na faixa Engenho – a arte minimalista e que ao mesmo tempo nos remete a desenhos primitivos é de Thiago Mata.

Uma música moderna, delicada e vibrante nos momentos certos – Pacamã é um peixe da bacia do São Francisco mas que se adapta a vida em aquários e é exportado para todo mundo. Que a música do Pacamã alcance todos os aquários com fone de ouvido e alto-falantes do mundo, com as bençãos de Iara.

por Carlos Otávio Vianna e Mário Alencar


Ouçam agora na íntegra:

 

The Sorry Shop – Softspoken (Album)

20623925_10155518180342999_570754397_n


Acaba de desembarcar por aqui o Softspoken, lançamento deste ano da Sorry Shop pela Crooked Tree Records. O álbum tem a missão de suceder o elogiado Mnemonic Syncretism, de 2013. Sons oníricos e cativantes são a marca deste álbum, que mostra a habilidade da banda em produzir uma espécie de psicodelia shoegaze, se é que se pode dizer assim.

Em Softspoken, camadas de guitarras e vocais soterrados produzem uma poderosa combinação instrumental e poética, a qual permeia por todas as canções. As letras são bem interessantes e ao que tudo indica, no conjunto da obra, sugerem o fluxo de uma história, ou uma viagem onírica, como já dito antes – se não foi proposital, o resultado ficou genial. Até a 5ª faixa, Lost in Between, somos convidados a mergulhar num sonho distorcido, etéreo, que de certa forma traduz-se no refrão ”Again / Lost in between”. A 6º canção, que dá nome ao disco, mais curta e suave, sugere uma transição “Ao lado de lá” ao finalizar com a emblemática frase: “I have a little secret / no one knows”. A partir desse ponto as musicas falam de segredos e imagens oníricas ainda mais etéreos. Destaque para Queen of the North e Keepsake, que reforçam essa ideia de imersão e segredos. O disco termina com um convite e uma constatação “Come out to play / Nowhere safe”.

É notório as referências da banda que vai do dream pop do Slowdive ao shoegaze do My Bloody Valentine, mas The Sorry Shop tem um caminho único para as suas canções cheias de originalidade – formada por Marcos Alaniz  (Vocais, guitarra e percussão), Mônica Reguffe (Contrabaixo e vocais), Régis Garcia (Guitarra), Kelvin Tomaz (Guitarra e vocais) e Eduardo Custódio (Bateria). A arte da capa ficou por conta de Meire Todão.

Dentro da proposta da banda o álbum é muito  bem produzido e teve um bom trabalho de mixagem e masterização, graças a própria Sorry Shop, que deixou as músicas fáceis de se ouvir. Quando apreciado com cuidado, a experiência é ainda melhor. A cada compasso um detalhe, uma dica do que está por vir – pode também não ter sido intencional, mas, como nos sonhos, Softspoken acaba sem nos avisar. Na melhor parte, incrível!

O álbum também está saindo hoje pelo selo dos queridos Lovely Noise Records.

por Leonardo Oliveira


Ouçam agora na íntegra:

Bad Rec Project – Every Union Should Be A Lovely Union (Album)

 

19490215_10156934484068084_1949975369_o


Vamos dar boas vindas ao artista Jorg/Caíque ou como vocês preferirem chamá-lo carinhosamente, lançando o seu mais novo disco com título envolventemente delicioso (haha), Every Union Should Be A Lovely Union.

Bad Rec Project não é um de seus primeiros projetos, conheço Caíque desde a época das bandas Nicotine, Dad Fucked And Mad Skunks, Jorg and The Cowboy Killers e sim, o rapaz não se cansa nunca! Ultimamente, Caíque toca guitarra na Ximbra e também é frontman da Baztian, duas bandas que são importantíssimas para o selo Crooked e cá está ele agora como o Bad Rec Project.

O álbum contém 9 faixas mas apenas com 20 minutos de duração mas olha, eu repeti o disco mais de trilhões de vezes, singelo e adorável (como adoro esse duo de palavras, hehe) – guitarras distorcidas como serra elétricas low-fis (???), vocais rasgados ou em corais, efeitos de reverse em algum instrumento, rola até espremedor de laranja, lixa de parede, desodorante, um cão fofo latindo e aquele som que parece um besouro voando, o xilofone, muito lo-fi, não?!

Percebe-se bem o que o Caíque curte ouvir durante o seu dia-a-dia para compor a Bad Rec Project, acho que vai de Guided By Voices à Pedro The Lion e com certeza muito mais. O ”projeto mal gravado” de Caíque nasceu em 2009 com o EP Leftovers e assim depois lançando dois álbuns, e Every Union Should Be A Lovely Union é o terceiro que a Crooked agarra. O belo desenho frenético da capa de Every Union foi feito pelo próprio, que me fez recordar os desenhos do gênio doentinho Daniel Johnston, em que a música também não se escapa dessa (hehe).

Bad Rec é música para jovens adultos que querem apenas se divertir com os amigos e realizar sonhos juntos mas espera aí, também podemos contemplar o fim de algum relacionamento ou passar a tarde olhando um álbum de família e observar/pensar o quanto você envelheceu mas não perdeu a alma de garotão.

O lo-fi é um termo bastante amado aqui na Crooked Tree, iremos lutar contra o preconceito que ronda isso até agora (hahaha) – a ”música de quarto” reina em nossos berços e não iremos te rejeitar, sem nojinho. Um beijo no pescoço e boa audição.

por Mário Alencar


Ouçam agora na íntegra:

 

Depressa Moço! – Saindo de Cena (Album)

 

IMG_20170509_103603
foto por Depressa Moço!

Carlos Otávio Vianna, a mente carioca por trás do projeto Depressa Moço!, é um artista singular. Tem a capacidade sem precedentes de reunir tendencias das mais variadas e manter um trabalho coeso e criativo. A sua visão orgânica da manipulação de timbres eletrônicos eleva seus trabalhos a um outro nível de construção, onde o clima ”noir” reina.

O próprio Carlos diz ser influenciado por artistas experimentais, agregando beats eletrônicos clássicos como o drum’n bass. Nessa profusão de elementos, surgem vozes recitando versos e samples improváveis, dando um caráter surreal as composições.

Saindo de Cena já é o terceiro álbum do artista no selo, Depressa Moço! foram um dos primeiros a aparecer no catálogo da Crooked, quase um clássico e muito querido pela galera da ”árvore torta” (haha), também é um dos idealizadores do selo da sede do Rio de Janeiro.

O álbum cheio funciona muito bem como música incidental, faixas como O Método são uma crônica urbana narrada – é uma visão sombria característica da eletrônica, compartilhada por bandas pop como o Depeche Mode, New Order, Kraftwerk e até a leva do trip-hop dos anos 90. Também não podemos esquecer de que Carlos adora deixar seu set misturado, Depressa Moço! não vive só de sintetizadores mas também adora um folk, a bela Sonic Fruits é uma delas.

O álbum tem três participações, na faixa Entortando está o nosso artista de São Paulo Eric Iozzi, empunhando teclados e contrabaixo, a faixa Lembrança já é daqui de nossa terra, Sketchquietcomo sempre fazendo os riffs de guitarras e por fim, também de nosso território e assumindo as cinco cordas, Claúdio Teófilo, em Eita Loucura, Vou Na Fé! 

O Depressa Moço! não constrói seus discos baseada numa ideia preconcebida e as mudanças de rumo tornam as canções imprevisíveis. Tem espaço para guitarras, melodias melancólicas e samples de crianças falando e jazz. Sobre o clima peculiar, Carlos comenta: “O artista que realmente me inspirou a fazer esse tipo de som foi o DJ Shadow com o disco Entroducing…“.

Saindo de Cena é para aqueles que acreditam que ainda há uma volta para tudo, desde que haja mudanças.

por Edson Codenis e Mário Alencar


Ouçam agora na íntegra: